SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 03/11/2004
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Falta uma política de coleta seletiva de lixo

Nunca se reciclou tanto no Brasil quanto agora. São muitas as toneladas de latas de alumínio e de aço, embalagens longa vida, PET, papelão ondulado, plástico, tampas, vidros, pneus e muitos outros objetos que deixam de seguir para aterros sanitários para se transformar em novas embalagens ou então dar vida a uma infinidade de produtos como fibra de poliéster para a indústria têxtil, telhas, móveis, entre muitas outras possibilidades.

Nas latas de alumínio, o Brasil é hoje líder mundial em reciclagem, dando um destino útil a 89% de toda a produção nacional. Cerca de 78% do volume total de papel ondulado consumido pelo país hoje é reciclado, assim como 40% das embalagens pós-consumo de PET, totalizando 120 mil toneladas.

O surpreendente é o fato de a maioria das metrópoles brasileiras, ao contrário de outros países, não contar com a coleta seletiva do lixo. A resposta para se alcançar índices tão altos está na questão social. Acredita-se que 500 mil famílias sobrevivam graças aos itens recicláveis encontrados no lixo ou entregues para a reciclagem. São os catadores autônomos ou coletivos, os recicladores e as cooperativas que, com o apoio da indústria, impulsionam a reciclagem no país.

Apesar de a reciclagem de embalagens encontrar-se em plena ascensão, André Vilhena, diretor-executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), diz que o principal entrave para o crescimento da reciclagem no país é a faltada participação da população e do poder público municipal que, em muitas cidades, tem deixado a questão da coleta seletiva de lado.

''A coleta seletiva é o grande gargalo da reciclagem no Brasil hoje'', afirma Silvia Piedrahita Rolim, assessora técnica do Instituto Plastivida. É por isso que a reciclagem de plástico no país só atinge 17,5% de tudo o que vai para o lixo. Na Europa, onde a legislação é rígida, a taxa é de 22%.

Fábio Mestriner, presidente da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), tem a mesma opinião. ''A indústria de embalagem está investindo milhões e fazendo a sua parte, mas não tem visto a contrapartida do poder público", referindo-se à falta de políticas rígidas de coleta seletiva.

Segundo a Cempre, apenas 237 municípios brasileiros operam programas de coletiva seletiva, com concentração maior nas regiões Sudeste e Sul do país. Da composição do que é coletado hoje, tendo como referência o peso, a divisão é a seguinte: 35% de papel e papelão; 18% de rejeitos; 16% de vidros; 15% de plásticos; 8% de metais; 4% diversos; 2% de longa vida e 2% de alumínio.

O que mais preocupa Vilhena hoje é o resíduo orgânico (resto de cozinha, de poda de jardim), responsável por 60% do peso do lixo hoje coletado pelo Brasil. Nos Estados Unidos, a porcentagem está em 12% e na França em 23%. E o pior: apenas 1,5 % do lixo sólido orgânico urbano gerado no Brasil é reciclado.

As embalagens, por sua vez, respondem por 20% do lixo gerado e o restante é dividido entre restos de tecido, pedra, osso e coco verde (responsável por 6% de todo lixo do país). "Ao se decompor, o resíduo orgânico causa um grande impacto ambiental, podendo contaminar a água de um rio e afetar toda população de uma cidade", alerta Vilhena.

Enquanto essas questões não são resolvidas, indústrias como a de alumínio, papel e defensivos agrícolas saem na frente e apostam pesado na reciclagem. Segundo Elder Rondelli, da Comissão de Reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), 35% do consumo doméstico de alumínio - equivalente a 250 mil toneladas de alumínio - seguem para reciclagem hoje, 3% a mais que a média mundial. Já em latas de alumínio, o Brasil lidera, batendo a casa dos 89%.

Das embalagens longa vida, 22% são recicladas, segundo Fernando von Zuben, diretor de Meio-Ambiente da Tetra Pak do Brasil. Em 1997, o índice era de 11%. "Há alguns anos, pagava-se R$ 50 por tonelada, hoje paga-se R$ 250", diz.

A mesma preocupação com a reciclagem tem a indústria de defensivos agrícolas. Rogério Fernandes, gerente de desenvolvimento de tecnologia e destinação final do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, afirma que os agricultores têm a obrigação de lavar e devolver a embalagem; os canais de distribuição os locais para recolhê-las e a indústria pelo encaminhamento das embalagens.

Este ano, indústria de defensivos está retirando 15 mil das 23 mil toneladas de embalagens vendidas em 2002. A diferença de dois anos acontece por conta do tempo que se leva para se adquirir, aplicar e devolver a embalagem. Para tanto, a indústria está investindo US$ 9 milhões em 2004. "Recolhemos 100% de tudo o que é devolvido, encaminhando 90% para reciclagem e 10% para incineração", diz Fernandes.


REAPROVEITAMENTO DE LONGA VIDA ATINGE 100% COM TECNOLOGIA PIONEIRA

Fazer com que a embalagem reciclada volte a ser embalagem novamente é o grande desafio da indústria de alumínio, papel e plástico que, nos últimos anos, tem investido pesado em estudos e tecnologias que permitam transformar o produto final em matéria-prima para nova produção de itens como caixas de papelão e embalagens longa vida. Isso já acontece com as latas de refrigerante e cerveja, defensivos agrícolas e também poderia acontecer com embalagens de plástico do tipo PET e de iogurte.

Tecnicamente possível, a conversão é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por questões de segurança já que, no lixo, o potinho de iogurte pode se misturar á gasolina e contaminar a embalagem. O mesmo alerta é feito para embalagens de pizza feitas com papel reciclado que, segundo especialistas, pode trazer grande quantidade de contaminações.

Buscando uma solução para as embalagens longa vida, há sete anos especialistas da Tetra Pak do
Brasil e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) começaram a estudar uma forma de reciclar a embalagem por inteiro. Graças a esta iniciativa e ao envolvimento de gigantes como Klabin, Alcoa e TSL Ambiental, o Brasil é pioneiro no desenvolvimento de uma tecnologia que permite reciclar 100% das embalagens longa vida.

Chamada de tecnologia de plasma, ela separa o alumínio e o plástico da embalagem, processo revolucionário já que, até então, só era possível separar o papel, mantendo o plástico e o alumínio unidos, para posteriormente transformá-los em telhas, placas, pranchetas, escovas e vassouras.

Com a nova tecnologia, os três componentes da embalagem voltam à cadeia produtiva como matéria-prima. Inédito, o sistema usa energia elétrica para aquecer a 15 mil graus Celsius a mistura de plástico e alumínio. Feito isso, o plástico é transformado em parafina e o alumínio, totalmente recuperado, em forma de lingotes de alta pureza.

Fernando von Zuben, diretor de Meio-Ambiente da Tetra Pak do Brasil, diz que no desenvolvimento desta tecnologia foram gastos R$ 2,5 milhões. A construção da primeira fábrica consumiu R$ 10,5 milhões. Resultado de uma jointventure entre a Tetra Pak, Klabin, Alcoa e TSL Ambiental, cada empresa terá 25% do novo negócio.

Com o início da operação em 2005, Zuben diz que a embalagem longa vida seguirá direto para a Klabin, que ficará com o papel e enviará o plástico e o alumínio para a unidade de plasma. O polietileno se transformará em parafina e o alumínio reciclado será comprado pela Alcoa, que o transformará em folha de alumínio, posteriormente retornando á Tetra Pak na fabricação da embalagem longa vida. A parafina será vendida para a indústria petroquímica.

A Klabin aposta na tecnologia como forma de aumentar sua produção de papel reciclado. Hoje, 60% das caixas de papelão produzidas pela Klabin são compostas por papel reciclado. Hoje, a maior recicladora de papel do país produz 300 mil toneladas de papel reciclado por ano e 1,2 milhão a partir de fibra virgem. Para os próximos três anos, a meta é crescer 15% sobre os 300 mil. (ET)


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