SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 09/11/2004
Autor: Ana Paula Lobo e Graça Sermoud
Fonte: Gazeta Mercantil

O desafio da inclusão digital

Pequenas e médias empresas são alvos de fornecedores no Brasil, mas ainda enfrentam barreira digital.

O esgotamento do filão das grandes corporações transformou as pequenas e médias empresas (PME) na terra prometida dos maiores fornecedores de soluções de tecnologia da informação (TI). Nos últimos tempos, não há um player da área que não tenha estabelecido uma política de ação para o segmento. De sua parte, as pequenas e médias empresas enfrentam todo tipo de dificuldade e a maior parte não sobrevive ao primeiro ano de vida.

Na área de tecnologia da informação, os números são desalentadores. De acordo com o Sebrae-Nacional, 53% das micro, pequenas e médias empresas não possuem qualquer tipo de informatização. O dado mais crítico apontado pelo estudo, porém, é que desse percentual, 64% acreditam que a tecnologia não traz nenhum tipo de benefício para o negócio e assumem não possuir qualquer projeto estruturado de usar TI para ganhar eficiência e produtividade.

Para o presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Cid Torquato, a exclusão digital das PMEs é grave no Brasil, mas não pode ser analisada com a visão estreita de um fenômeno local.

Problema mundial

Ela ocorre em todos os países do mundo. "Faltam ações políticas determinantes em prol da informatização. Por outro lado, há uma inércia do empresariado e da sociedade que esperam o governo resolver tudo", critica.

No caso dos fornecedores, Torquato diz que a maior parte replica os modelos adotados nas matrizes e esquecem de adaptar os planos à realidade da subsidiária local e, em função disso, enfrentam dificuldades para fidelizar e conquistar os clientes do segmento. Tradicionalmente especializados em atender grandes empresas, os players se ressentem ainda de um quadro de funcionários treinado e capacitado para atender de forma satisfatória às necessidades das PMEs.

Um dos principais participantes do Fórum Latino-Americano de Negócios Eletrônicos, realizado na semana passada, na capital paulista, o chefe da Unidade de Desenvolvimento E-Trade, da International Trade Centre, agência de fomento de TI ligada à Organização das Nações Unidas, Nicolai Sêmine, foi claro ao afirmar que os vendedores de soluções estão focados em alcançar metas e resultados. "É utopia acreditar que eles serão motores de inclusão. Eles são agentes importantes, mas não ocupam posição estratégica no fomento de políticas para a área", declarou.

Na visão de Sêmine, a redução do abismo digital das PMEs só será possível, nos países emergentes, se houver uma união, de fato, de ações públicas e privadas. Sem essa comunhão de esforços, os números vão continuar aquém das expectativas e as chances de inovação ficam praticamente nulas.

A exclusão digital das pequenas e médias empresas foi o tema central do Fórum Latino-Americano de Negócios Eletrônicos, que contou com delegações de 14 países e com a participação de especialistas internacionais. Em carta oficial que será encaminhada à Organização das Nações Unidas, os responsáveis pelo evento advertem para a ausência das pequenas e médias empresas dos debates que precedem à Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, prevista para acontecer em novembro do ano que vem, na Tunísia.

Na mensagem oficial, elaborada pelos participantes da plenária e que será entregue oficialmente aos organizadores do megaevento na ONU, a discussão globalizada para encontrar um modelo que possa reduzir o abismo digital das pequenas e médias empresas é considerada absolutamente relevante. "Políticas públicas e privadas precisam ser incentivadas para incluir esse segmento no mundo dos negócios globais. As PMEs não estão sendo valorizadas numa organização que tem como foco fomentar negócios e a inovação", observa o presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

Vocação online

Apesar dos números desalentadores de informatização, o Brasil apresenta uma vocação natural para os negócios online. Tanto é assim que 49% das PMEs admitem possuir algum tipo de operação virtual, mesmo que ela não seja estruturada e organizada. Não à toa, uma das propostas tiradas do Fórum é a formulação de práticas de governança eletrônica por parte dos países emergentes.

"É preciso ficar claro que não basta disponibilizar tecnologia pela tecnologia para esse segmento. Dar ou vender computador a um preço baixo ajuda, mas não resolve o problema, nem dará mais tempo útil de vida a uma PME", ressalta Torquato. "Educação é e será requisito básico para que o segmento possa vir a utilizar TI como um benefício concreto", diz o executivo da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

Educação é premissa básica para o fomento do uso de Tecnologia da Informação por parte das pequenas e médias empresas brasileiras, mas para isso é preciso elaborar políticas públicas consistentes, completa Sêmine.


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