SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 29/11/2004
Autor: O Globo
Fonte: O Globo

Inovação: é hora do recreio nas empresas

Executivos e funcionários montando Lego durante quatro horas seguidas, subindo em árvores, velejando juntos ou analisando mapas ilustrados com bonequinhos são algo muito sério para as empresas. Cada vez mais consultorias desenvolvem soluções lúdicas para treinar equipes — e cada vez mais corporações pagam por isso. No início deste mês, empresas que oferecem esses treinamentos alternativos viram seus estandes sempre cheios durante o Expo Management World — evento que reuniu em São Paulo grandes especialistas nacionais e internacionais em gestão. Há programas que custam R$ 5 mil por quatro horas ou mil reais por pessoa, enquanto outros podem sair por R$ 200 por empregado. Muitas consultorias oferecem opções de pacotes, o que permite que clientes de todos os portes tenham acesso aos treinamentos.

— É enfadonho pôr todos numa sala fechada para transmitir uma mudança de cultura — acredita o diretor de Recursos Humanos da farmacêutica Bristol-Myers Squibb, Felipe Westin.

O objetivo de fazer jogos empresariais ou treinamentos ao ar livre é desenvolver habilidades como trabalho em equipe, liderança, ousadia, comprometimento e criatividade. A Bristol aderiu a esses treinamentos em 2001, como parte de um programa batizado de "A grande virada", para inverter os maus resultados financeiros do laboratório no país.

No fim de 2001, 600 funcionários fizeram um rafting juntos e, em 2002, o mesmo grupo foi praticar arvorismo. Este ano, para trabalhar o tema renovação, a Bristol contratou o time brasileiro de basquete de cadeirantes (portadores de deficiência que usam cadeira de rodas) para enfrentar os funcionários do laboratório — que perderam tanto no jogo que fizeram nas cadeiras quanto na partida fora delas. A eficácia desses treinamentos pode ser medida nas pesquisas de clima e ajudaram a Bristol a superar a má fase financeira.

A Saga Trek faz combinações de treinamentos ao ar livre de acordo com o gosto e o bolso do cliente: de rally e circuito de aventura a vela oceânica, em vários pontos do Brasil. Quase todo dia a consultoria faz um treinamento.

Um dos sócios da Saga Trek, Mateus Vieira, diz que a procura aumentou muito de dois anos para cá. No início, os clientes eram empresas de matriz estrangeira, mas os métodos lúdicos têm atraído as companhias brasileiras. Este ano a Saga Trek treinou 20 mil funcionários de empresas de todos os tamanhos. O resultado parcial de 2004 já representa o dobro do total de 2003.

Um dos clientes da Saga Trek é a empresa de rolamentos FAG. A cada dois ou três meses, a empresa leva grupos de cerca de 80 pessoas para um fim de semana com treinamento ao ar livre.

Associação entre a escola de iatismo BL3, o hotel Real Villa Bella (ambos de Ilhabela, em São Paulo) e a consultoria Goya, o programa "Seminário Executivo Veleiros Oceânicos" dura um dia, para grupos de oito a 80 pessoas. Cada barco sai com seis tripulantes, cada um com uma tarefa diferente.

— Efetivamente está todo mundo no mesmo barco — brinca Pedro Zanni, associado da Goya.

Zanni explica que o público do treinamento com veleiros geralmente é de presidentes e altos executivos, por causa do custo. Uma empresa paga cerca de mil reais por cada participante.

Há três anos, a Goya é representante exclusiva no Brasil do Lego Serious Play (algo como jogo sério Lego). Os executivos discutem um projeto e têm de dar uma forma a ele usando as pecinhas do jogo. Um treinamento de quatro horas custa cerca de R$ 5 mil. No início há resistência, mas depois os executivos se empenham, garante Zanni.

A Idea encontrou seu nicho nos chamados Mapas de Aprendizagem. Depois de identificar que o mapa ilustrado — com figuras que vão de bonequinhos a barquinhos e casinhas — é a melhor solução de treinamento para uma empresa, a Idea colhe informações com a diretoria e faz um projeto visual que vai facilitar a assimilação do assunto pelos empregados. O tema materializado num mapa pode ser a integração de áreas ou algo mais específico, como a criação de valor para o acionista. Sandra Antunes, sócia da Idea, conta que a consultoria está fazendo um treinamento com lixeiros em São Paulo para mostrar o significado do trabalho deles.


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