SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 10/01/2005
Autor: Alberto Ogata
Fonte: Gazeta Mercantil

A qualidade de vida nas MPEs

Estudo com profissionais de serviços apurou que 40% sofrem de estresse. Todos conhecem a importância social e econômica das micro e pequenas empresas (MPEs) em nosso país. De acordo com o Sebrae, 99% das firmas são micro e pequenas empresas e apenas 0,3% são de grande porte (empregando mais de 500 pessoas na indústria ou mais de 100 pessoas nos setores do comércio e serviços). As MPEs empregam 14,5 milhões de pessoas, ou seja, 56% do total de empregados no Brasil. O setor que mais emprega é o comércio, com um total de 6 milhões de empregados.

Mas como andam essas empresas em relação ao bem-estar de seus dirigentes e funcionários? Em recente artigo publicado na revista Veja, o administrador Stephen Kanitz lembra que a grande maioria das MPEs não obtém lucro há mais de três anos e que também 90% delas não possuem capital, muito menos capital de giro. Kanitz cita um estudo realizado pelo Sebrae que estima em 31% o número de micro e pequenas empresas que quebrarão até 2005 e em 59% a porcentagem das que fecharão as portas em 2009, sufocadas pela competição externa, juros elevados, impostos excessivos e pela burocracia estatal. Com tais problemas, fica difícil ir além das demandas do dia-a-dia.

Outro aspecto importante está relacionado com a questão da saúde ocupacional. Para o empresário envolvido com a sobrevivência da empresa, cumprir a rigorosa legislação trabalhista e as Normas Regulamentadoras (NR) em Segurança e Medicina do Trabalho constitui especial desafio. Esse fato torna o pequeno empreendedor particularmente vulnerável a onerosas demandas na Justiça do Trabalho e problemas relacionados ao absentismo e perda da produtividade dos empregados.

Não se encontram os mesmos dados referentes a empresas brasileiras, mas pode-se ter uma idéia do que acontece por aqui a partir de uma recente pesquisa realizada pela organização Small Business Initiative, nos Estados Unidos. Observou-se que lá 64% dos entrevistados tinham empregados doentes em sua força de trabalho. Além disso, administradores relataram que 87% das empresas tinham pelo menos um fumante, 73% pelo menos um trabalhador com depressão ou ansiedade e 57% com pelo menos um empregado com doença crônica. Os donos de pequenas empresas também reconheceram que a má qualidade de vida do empregado afeta a sua produtividade. A pesquisa revelou ainda que 90% dos pequenos empresários acreditam que em situação de estresse a capacidade de trabalho do empregado é afetada; 74% disseram ter trabalho extra porque algum empregado ficou doente. Mais de 70% dos entrevistados relataram que os colaboradores trazem problemas pessoais para o trabalho e mais de 50% afirmaram que a incapacidade em resolver esses problemas pode comprometer produtividade ou aumentar risco de acidentes.

No caso brasileiro, como anda a vida desse empresário que, por iniciativa própria ou não, deixou a carteira assinada, arriscando-se em um negócio? Segundo estudo realizado com profissionais da área de serviços na cidade de São Paulo - coordenado pela presidente da Associação Brasileira de Stress, professora Marilda Lipp -, 40% dos pesquisados apresentava sintomas de estresse.

Nesse cenário, considerando-se a importância das MPEs e as dificuldades vividas pelos empreendedores, inclusive no campo pessoal e familiar, surpreende a pouca importância que o tema "bem-estar" tem merecido nas organizações do segmento e universidades. Ao analisarmos as ofertas de cursos, workshops, treinamentos ou a relação de estudos e pesquisas relacionados às MPEs, quase não se observa referência à questão da saúde e qualidade de vida do pequeno empresário e colaboradores.

Desse modo, é importante a adoção de estratégias e ações que visem apoiar não somente o negócio do pequeno empreendedor, mas também propiciar instrumentos para uma melhor qualidade de vida nas micro e pequenas empresas. Esse tema assume grande importância social e econômica, pois as MPEs são as principais geradoras de emprego, distribuição de renda e desenvolvimento.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3)(Alberto Ogata - Médico, vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV Nacional).)


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