SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 21/01/2005
Autor: Luiz Siqueir
Fonte: REVISTA SEU SUCESSO

Empréstimo inteligente

Entenda a matemática das linhas de crédito e saiba como usá-las com sabedoria para gerar mais dinheiro para a sua empresa

Alguns empresários só consideram a possibilidade de fazer um empréstimo quando estão com a corda no pescoço. E, na grande maioria dos casos, esse é o pior momento. É que muitas vezes o empréstimo acaba apenas resolvendo o problema de última hora, sem sanar o motivo real que originou a necessidade. O resultado é um efeito bola de neve sem fim, que leva a novas dívidas para quitar as anteriores. A boa noticia é que, nem sempre, os empréstimos significam ruína.

Ao contrário, podem ser fator decisivo para que a empresa não perca espaço para os concorrentes, obtendo, por exemplo, capital para repor estoques a preços baixos. Ou ainda dê um salto significativo em seu crescimento, aproveitando-se de uma oportunidade.

Fazer um empréstimo pode ser necessário a qualquer empresa. O que vai determinar se será uma ajuda para alavancar novos negócios - e, portanto, trazer mais dinheiro do que tirar - ou um problema insolúvel é o conhecimento do empresário. Só para citar um exemplo, o Grupo Pão de Açúcar apresentou, em seu balanço patrimonial, um lucro líquido de R$ 225 milhões, apesar do R$ 1,9 bilhão em empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo, mostrando que é possível crescer mesmo com uma dívida tão grande. Para isso, é indispensável entender como os bancos pensam na hora de conceder um empréstimo e como os juros são cobrados.

Não existe mágica
No caso de uma pequena empresa, tomar dinheiro emprestado é muito mais complicado e arriscado. Segundo o Sebrae, a falta de crédito é uma das maiores barreiras para a criação de pequenos negócios no Brasil. Apesar das micro e pequenas empresas responderem por cerca de 20% do PIE e 60% dos empregos gerados no país, apenas 10% dos créditos concedidos pelos bancos são destinados a esse segmento.

Com tantas dificuldades, é comum que os pequenos empreendedores busquem dinheiro para emergências fora dos bancos, em factorings (trocando seus créditos a prazo por dinheiro à vista, mas com juros altíssimos), agiotas e até com familiares. Pois saiba que essa solução é a pior, porque todos usam como garantia para o empréstimo a pessoa física do empreendedor, e não a pessoa jurídica. Isso é, quem passa a dever não é a empresa e sim o empresário. Isso significa que no futuro, se algo der errado, além da / empresa quebrar, o empresário também quebra. Outro grande problema dessas modalidades de empréstimo é a fórmula juro alto mais prazo curto para pagamento. O fim típico de quem entra nesse tipo de operação é o efeito bola de neve: fazer uma nova divida para pagar a divida anterior e assim por diante, até atingir uma situação insustentável.

Desse modo, se o seu negócio precisa de um empréstimo, o melhor é procurar uma fonte de financiamento oficial, como um banco, capaz de oferecer juros menores e prazos para pagamentos melhores do que os oferecidos por factorings e agiotas. O problema é que conseguir o empréstimo nos bancos é mais difícil, já que para aprovação de crédito é necessário cumprir uma série de requisitos. O principal deles é provar que a sua empresa tem mesmo condições de saldar a divida, ou se pelo menos existe um planejamento de como o dinheiro será aplicado para depois gerar crescimento e receita.

Portanto, não existe mágica para conseguir dinheiro emprestado. Sua empresa precisa ser séria, ter um plano de negócio e, no mínimo, ter um bom controle de suas finanças. O empréstimo tem de ser para situações de emergência circunstanciais, como a inadimplência de algum cliente, ou uma oportunidade de comprar matéria-prima barata. Lembre-se sempre que o sucesso de qualquer empresa depende dos resultados positivos que a mesma possa gerar e do bom senso do empreendedor em nunca dar um passo maior do que pode. Na hora de avaliar seu pedido de empréstimo, tudo isso será levado em conta pela instituição.
Dicas para um empréstimo inteligente
1 - Evite os empréstimos com factorings, agiotas e familiares. O dinheiro vem fácil, mas os juros e prazos são péssimos.
2 - Os bancos têm juros e prazos de pagamentos melhores. Comece a busca por bancos do governo, que oferecem as melhores condições.
3 - Não use o empréstimo para cobrir prejuízo operacional permanente ou dívida anterior.
4 - Monte um fluxo de caixa para verificar se é possível ter lucro com o empréstimo ou não.
5 - Faça uma lista realista para avaliar os riscos que o empréstimo pode oferecer ao seu negócio.

Requisitos para o empréstimo
Confira os principais itens que os bancos verificam na hora de decidir a favor ou contra o crédito para uma empresa: . Tempo de funcionamento da empresa:
- Tempo de funcionamento da empresa;
- Cadastro da empresa em órgãos de crédito;
- Situação financeira dos sócios e avalistas;
- Viabilidade econômica e financeira da empresa;
- Planejamento de fluxo de caixa;
- Garantias que a empresa solicitante pode oferecer (bens).

Motivo para dívida
O primeiro passo para se decidir por fazer um empréstimo ou não é tentar identificar o real motivo da necessidade. É óbvio que, numa situação ideal, empresas não deveriam ficar procurando dívidas, e sim o oposto. Mas, como o próprio nome diz, emergências e imprevistos - que podem ser bons, como a oportunidade de um novo negócio - não podem ser planejados antecipadamente. Assim, fazer um empréstimo pode ser uma boa saída. Da mesma maneira, se sua empresa tem prejuízos operacionais consecutivos, pegar um empréstimo para cobrir o buraco não resolverá o problema.

Assim, tenha sempre em mente que o dinheiro do crédito deve ser usado no fortalecimento e expansão do negócio. Nunca para cobrir prejuízo permanente ou outro empréstimo. Evite a todo custo o efeito bola de neve.

Lucro com Empréstimo
Tendo certeza que o negócio não tem problemas operacionais, antes de procurar um empréstimo, o empreendedor precisa fazer uma conta para determinar se com o empréstimo será possível ter lucro. Se não for possível ter lucro e tomar o dinheiro emprestado, terá plantado a semente da bola de neve, ou seja, novas dividas precisarão ser feitas para cobrir o prejuízo deixado do empréstimo anterior.

Todo empreendedor sabe que o lucro é igual à receita menos as despesas. Ao fazer o empréstimo, espera-se que haja um aumento nessa receita. Para obter lucro, a nova receita tem de ser maior que os custos atuais mais o empréstimo e os juros no período. Claro que o exemplo é bastante simplificado e serve só para dar uma idéia de como a matemática do empréstimo funciona. Na prática, as novas receitas geradas demoram para entrar e o empréstimo é pago de forma parcelada. Então, torna-se fundamental montar um fluxo de caixa detalhado, incluindo uma previsão de receitas pessimista ou, no máximo, realista, e o pagamento do empréstimo mês a mês. Assim, você pode avaliar com segurança qual o risco que corre. Saiba desde já que alguns bancos pedem esse fluxo de caixa na hora de avaliar o crédito. Confira como montar o seu no quadro Fluxo de Caixa.

Negociação com o Banco
Quase todo banco oferece linhas de empréstimos e financiamentos para empresas. O melhor banco para oferecer um empréstimo é aquele que oferecer os menores juros, a melhor forma de pagamento e que aceitar as garantias que a empresa solicitante tem a oferecer. Instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES têm linhas de empréstimo destinadas a pequenas empresas, com juros menores e prazos maiores. Portanto, comece sua busca por empréstimos em bancos oficiais.

Na tabela Linhas de Crédito você pode conferir alguns dos tipos de financiamentos oferecidos por bancos oficiais. As condições de juros e pagamentos são negociadas caso a caso. Vale lembrar que, no Brasil, a maioria dos financiamentos é baseada nos sistemas SAC (Sistema de Amortização Constante) ou Price (Sistema Francês - Amortização Variável).

No quadro Sistemas de Financiamento você entende como eles funcionam.
Antes de se dirigir a qualquer banco, o mais importante é saber o quanto de dinheiro você precisa. Tenha em mente que o empréstimo não sai rápido. Para decidir pela concessão ou não do crédito, o banco primeiro analisa o cadastro da empresa, dos sócios e dos avalistas. Por exemplo, há bancos que só emprestam a empresas estabelecidas há mais de um ano. Depois, verificam a viabilidade econômica e financeira, que é feita através de uma análise de fluxo de caixa e planejamento da empresa.

Em seguida, são definidas as garantias sobre o financiamento - se sua empresa tem algum bem, como um imóvel, as garantias para o banco são maiores. No final é negociado com a empresa as condições de pagamento.

Fluxo de caixa
Para entender melhor como um empréstimo se comporta no fluxo de caixa, considere um revendedor de pneus e acessórios para carros que recebeu uma proposta de um fabricante para comprar 250 pneus no mês de janeiro com desconto de 50%, num investimento total de R$ 10.000. O problema é que o décimo-terceiro comeu o caixa em dezembro e em janeiro não há capital para fechar o negócio.

A alternativa é fazer um empréstimo num banco para comprar os pneus.

Para fazer o fluxo de caixa, o revendedor precisa ter uma idéia de quantos pneus vende por mês. Supondo que sejam vendidos 50 por mês a um preço médio de R$ 100, a receita mensal que a compra vai gerar é de R$ 5.000. O custo operacional da revenda é de R$ 2.000 por mês. Veja como fica o fluxo de caixa simplificado usando como exemplo um empréstimo a juros reais feito no Banco do Brasil na modalidade BB Giro Rápido para 12 meses.

Na planilha, as receitas dos pneus financiados acabam em maio, já que são 250 pneus no total e 50 são vendidos por mês. Como simulação, o custo operacional total do revendedor foi lançado integralmente entre janeiro e maio. O revendedor vende outros itens além dos pneus, mas para tornar o caso mais preciso, consideramos o custo operacional total para os meses que trazem receita na operação do empréstimo. O empréstimo está dividido em 12 parcelas pelo sistema SAC. Em resumo, após pagar a divida, o revendedor teria na simulação um lucro líquido de R$ 3.196, e sem ter capital de giro.

É claro que se trata de uma simulação. Há outros riscos que devem ser levados em conta, como receita menor que a prevista por conta de inadimplência, aumento de custos operacionais, algum problema com a empresa após junho, quando acaba a entrada de receita dos pneus... Enfim, ser pessimista é fácil. Portanto, faça uma lista realista dos seus riscos com o empréstimo, uma avaliação sem empolgação para checar se o fluxo de caixa tem mais chances de dar certo ou errado.

Para ter uma idéia de como fica o fluxo de pagamentos de um empréstimo oficial, acesse http://www.bb.com.br/appbb/portal/emp/mpe/fin/BBGiroRapido.jsp?fin=1 e dique no Simule já seu empréstimo. Na tela seguinte, digite o valor do empréstimo e o número de parcelas. O simulador é baseado no sistema SAC.

Linhas de Crédito
Os bancos costumam segmentar as linhas de crédito para empresas em dois tipos: Investimento, para aquisição de equipamentos, máquinas, instalações e expansão da empresa; e Capital de Giro, para compra de matéria-prima, estoque, pagamento de despesas operacionais e cobertura de emergências. Confira algumas opções de cada tipo:

Tipo Investimento

Banco do Brasil
- Proger Urbano Empresarial: Financiamento para pessoas jurídicas (empresas) de até R$ 400.000. Financia até 80% da necessidade e o prazo é de 60 meses, sendo até 12 meses de carência. A taxa de juros é de 5,33% aa com correção da TJLP (Taxa de Juros a Longo Prazo).

- Proger Setor Informal: Financiamento para pessoas físicas em atividade de até R$ 10.000. O prazo é de até 36 meses, sendo até 6 meses de carência. A taxa de juros é de 6% aa corrigida pela TJLP.

Caixa Econômica Federal
- InvestGiro - Caixa P J: Financiamento para pessoas jurídicas, estabelecidas há mais de 12 meses. Financia até R$ 400.000, com pagamento em até 48 meses, sendo os 6 primeiros utilizados para carência. Atende até 90% do valor do projeto e tem taxa de TJLP + 5% aa.

- InvestGiro Caixa PF: Atende as pessoas físicas em atividade com financiamento para a compra de máquinas, equipamentos e instalações até R$ 10.000. O pagamento é em até 24 meses, sendo até 6 meses para carência.
A taxa de juros é TJLP + 6% aa.

Tipo Capital de Giro

Banco do Brasil .
- BB Giro Rápido: Financiamento a empresas para pagamento em até 12 meses com taxa de 2,8% am.

Caixa Econômica Federal
- GiroCaixa Parcelado: Financiamento a empresas de até R$ 100.000 para pagamento no prazo de 24 meses e taxa de juros de TR + 0,83% a 2,66% am .

- Giro-Renda Caixa PF: Financiamento a pessoas físicas em atividade produtiva, de até R$ 5.000 - sendo escalonado em 3 solicitações, a primeira de
R$ 2.000, a segunda de R$ 3.000 e a partir da terceira, até R$ 5.000 -, com pagamento em até 18 meses e taxa de juros de TJLP + 15% aa.

- Giro-Renda Caixa PJ: Financiamento a empresas, para pagamento em até 18 meses, com taxa de TJLP + 12% aa a 5,4% am.


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