SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/01/2005
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Brasileiros se destacam na produção científica acadêmica voltada para o mercado

Para um país conhecido por ter "pouca vocação para a produção de conhecimento", alguns resultados já impressionam

No geral, ser pesquisador no Brasil é sinal de poucas perspectivas profissionais e má remuneração, certo? Hoje em dia, a resposta é: nem sempre. A formação de pesquisadores de ponta é recente e data das últimas quatro décadas. Mesmo assim o país já está criando as primeiras levas de "superpesquisadores", ou seja, profissionais de altíssimo nível de produção científica, que não devem nada ao que se faz em qualquer lugar do mundo, seja nas universidades ou no mercado. Para um país conhecido por ter "pouca vocação para a produção de conhecimento", alguns resultados já impressionam e podem ajudar na orientação profissional de futuros doutores.

Um bom exemplo da vanguarda da produção de ciência no Brasil pode ser ilustrado com o caso do pesquisador João Meidanis. Com mais de 10 anos de experiência em biologia computacional e bioinformática, o professor da Unicamp viu a oportunidade
de ouro surgir em 1990, quando era estudante de doutorado na Universidade de Wisconsin-Madison (EUA). Naquela ocasião, ele travou contato com um grupo que precisava de ajuda informática para fazer seqüências genéticas com bactérias. Ele colaborou na confecção de um software para o mapeamento delas e encontrou ali sua vocação futura. "Fui para lá para estudar criptografia, mas fiquei encantado com a área de DNA, com a natureza exata dessa parte da biologia", explica.

Após obter o título de PhD, em 1992, já no Brasil, ele tentou manter-se nessa linha de pesquisa. Iniciou um grupo de biologia computacional na Unicamp, publicou o livro "Introduction to Computational Molecular Biology", traduzido para vários
idiomas (inclusive japonês) e fez estágios na Alemanha. Com isso, vieram vários convites para participar de projetos na área de mapeamento genético. Em 2002, surgiu a idéia da criação da Scylla Bioinformática, junto com outros quatro pesquisadores.

Meidanis relembra que o contexto para a fundação da empresa ocorreu durante a participação no Projeto Genoma, financiado pela Fapesp. "Percebemos que o nosso conhecimento tinha um forte componente de serviço e que determinados grupos da
sociedade poderiam ter interesse em investir nele", explica. A aposta foi tão certeira que o negócio já surgiu turbinado com recursos da Votorantim Novos Negócios.

O segredo do sucesso na mudança da academia para a empresa, para ele, foi ter tido agilidade para acompanhar cada etapa do processo. "A passagem da carreira acadêmica para o mercado exigiu uma série de transformações na minha vida",
comenta Meidanis. Além da constante necessidade de atualização sobre as informações técnicas, típica da vida de pesquisador, ele também precisou buscar conhecimentos de administração. "Precisei correr atrás de livros e estudos sobre o
mundo empresarial para atuar como empresário na Scylla".

Andréa Barcellos, "acting manager" de gestão de RH da KPMG-RJ, pondera que as empresas já não vêem mais o acadêmico como uma figura distante do seu mundo. A consultoria onde atua, inclusive, já auxilia empresas no processo de seleção de
pesquisadores por meio de headhunters. "O mercado quer geralmente pesquisadores que tenham grande conhecimento de suas respectivas áreas para trabalhar em soluções aplicáveis ao mundo dos negócios", destaca. Dentro disso, a regra é ser
um cientista que concilie aplicabilidade e resultados com a capacidade de trabalhar em equipe.

Contudo, as opções para os pesquisadores de ponta não se limitam à busca dentro da iniciativa privada. Casos, como o de Meidanis, ainda são raros, mas já indicam algumas alternativas para os pesquisadores. Muitos deles, entretanto, ainda
batalham por espaços produtivos dentro da universidade. E, a conquista dele, cada vez mais, depende de competências e características muito conhecidas no mercado.

Mayana Katz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, por exemplo, segue a risca seu plano de carreira centrado no trabalho dentro da universidade. Como ela pondera, isso não significa necessidade de menor jogo de cintura no dia-a-dia do trabalho. Pelo contrário. Além de dar aulas e coordenar um grupo com mais de cem pessoas, ela tem a responsabilidade de administrar um projeto com um orçamento anual de cerca de R$ 1milhão, financiado pela Fapesp. "É um caminho natural para o pesquisador que fica responsável por projetos científicos de grande porte", comenta.

Segundo ela, é preciso disponibilizar parte do seu tempo para fazer o controle dos preços dos materiais necessários, dos gastos em geral e para uma constante atualização dos equipamentos de trabalho. E todos esses itens são fundamentais.
Mayana lembra que o trabalho do pesquisador é medido pelo índice de impacto do seu trabalho e pelo número de citações que uma pesquisa alcança, quando divulgada. Sem resultado, não há retorno. A conquista de novos financiamentos e parcerias
estratégicas para novas pesquisas fica comprometida.

Lidar com grandes equipes e orçamentos também faz parte da experiência de João Antônio Zuffo, coordenador geral do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica da USP. O pesquisador, um dos pioneiros no desenvolvimento de tecnologia de ponta no país, é um visionário quanto se fala em mudanças sociais e profissionais. Recentemente, ele lançou a série de livros "A Sociedade e a Economia no Novo Milênio" e é constantemente convidado para falar sobre o futuro
da sociedade e as tecnologias.

Mas a rotina dele também contempla elementos administrativos e tempo para fazer e manter contatos com vários parceiros, alguns inclusive da iniciativa privada. Isso é fundamental, visto que ele lidera uma equipe de 350 pessoas divididas em quatro linhas de pesquisa, que vão do chip até os supercomputadores e que movimenta um orçamento anual de R$ 18 milhões. "É preciso ter muito jogo de cintura e trabalhar com uma equipe de total confiança, visto que lidamos com tecnologias de ponta e até com segredos industriais", afirma Zuffo. Entre as pesquisas mais destacadas estão os projetos relacionados à TV digital e à telemedicina. "O cientista precisa ter criatividade e uma visão prospectiva de para onde as coisas vão", sentencia.


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