SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/01/2005
Autor: Estado de São Paulo
Fonte: Estado de São Paulo

O impacto da economia solidária

Com apoio de empresas ou governos, comunidades excluídas encontram o caminho para a inserção

A economia solidária - que compreende um amplo espectro de práticas econômicas alternativas ao capitalismo liberal - será um dos temas de destaque no Fórum Social Mundial (FSM), que será aberto hoje, em Porto Alegre. A Secretaria Nacional de Economia Solidária, criada no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, está mapeando as práticas econômicas solidárias e seu impacto na economia brasileira. Estimativas apontam que pelo menos 10% da população mundial esteja envolvida em alguma atividade relacionada à economia solidária.

A idéia geral que permeia essas práticas é a geração de trabalho e renda em comunidades antes excluídas da economia formal. Cooperativas e associações auto-geridas, redes locais de produção e comércio, consumo consciente, sistemas de microcrédito, de moedas locais e de trocas são alguns exemplos de iniciativas com esse perfil. A maior parte dos empreendimentos, no entanto, só se tornam viáveis a partir de um agente de desenvolvimento - que pode ser uma instituição financeira, um órgão público ou a iniciativa privada. Neste caso, as empresas podem aliar o apoio a esses programas a suas políticas de responsabilidade social.

Um exemplo são as minifábricas de castanha de caju espalhadas pelo litoral e semi-árido nordestino. O apoio da Fundação Banco do Brasil já ajudou a estruturar 18 desses empreendimentos, mas o plano é que sejam 50 até o final deste ano. Pensado como um estímulo à agricultura familiar, o programa está construindo e reestruturando minifábricas já existentes de beneficiamento da castanha do caju.

Com equipamentos desenvolvidos pela Embrapa Agroindústria Tropical, as famílias produtoras de castanhas podem melhorar a qualidade da castanha e gerenciar os negócios de modo profissional, na maior parte das vezes formando cooperativas. As famílias passam por treinamento para elaborar planos de negócios e aprendem a pensar estrategicamente.

"A contribuição não é só o financiamento a fundo perdido, mas também o conhecimento necessário para que as minifábricas se mantenham de portas abertas", explica Jacques Pena, presidente da Fundação Banco do Brasil. Isso inclui os equipamentos, treinamento de pessoal, de gestão, diagnóstico de mercado para o negócio e orientação para comercialização. "O investimento social tem de ter perspectiva de sustentabilidade", diz Pena, que falará sobre a iniciativa em uma das palestras do Fórum Social. Além da Embrapa, estão envolvidos no programa parceiros como o Sebrae, a Telemar e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Hoje, o programa já atende cerca de 12 mil pessoas, e a expectativa para 2006 é que novos 5,8 mil empregos sejam criados. Dentro de dois meses, deverão ser inauguradas duas centrais de processamento das castanhas - uma etapa posterior ao beneficiamento e que assegura maior valor ao produto. "Produzir é só uma etapa. A comercialização é a chave, e é na economia solidária que esses trabalhadores terão volume e escala para se inserir no mercado", diz Pena. Em 2004, a Fundação Banco do Brasil investiu R$ 70 milhões em 1,4 mil projetos com perfil social, a metade para geração de emprego e renda.

MICROCRÉDITO

Para a parcela da população que não está inserida no sistema bancário formal, soluções "solidárias" fazem toda a diferença. O São Paulo Confia, também conhecido como Banco do Povo, desde 2001 atua na concessão de microcrédito - de R$ 500 a R$ 1,5 mil - para pequenos empreendedores da capital paulista. Criada no âmbito da Secretaria Municipal de Trabalho de São Paulo, com parceiros como entidades sindicais e o banco Santander Banespa, a instituição já atendeu a 29 mil pedidos de crédito desde 2001, o que equivale a R$ 21 milhões.

O beneficiados são, em sua maioria, donos de pequenos negócios, especialmente da periferia de São Paulo, que têm interesse em adquirir equipamentos ou ampliar seus empreendimentos. As taxas de juros praticadas são bem abaixo da média do mercado - 3,9% ao mês -, mas podem chegar a 0,48%, quando o solicitante é inscrito em algum dos programas sociais da prefeitura.

Outra modalidade de concessão são os Grupos Solidários, que permite que grupos de três a cinco pessoas tomem empréstimos, cada um em seu nome, mas em conjunto. Assim, fazem acordos quanto aos pagamentos. "Quando um dos integrantes do grupo não pode pagar, o outro cobre", explica Vanda Pita, superintendente de responsabilidade social do Santander Banespa. O aconselhamento financeiro é outro diferencial do programa. "A grande sacada do microcrédito é a orientação sobre como investir, e não só a liberação dos recursos", afirma Vanda.

Como cooperativa, metalúrgica quintuplica o faturamento

Metalúrgica Picchi fechou as portas em 2002, mas foi arrendada pelos ex-funcionários e voltou a operar no azul

As cooperativas de trabalhadores estabelecidas a partir de empresas falidas ou em dificuldades financeiras, quando bem administradas, conseguem resultados surpreendentes, como quintuplicar o faturamento.
A antiga metalúrgica Picchi S/A, localizada em Salto (SP), por exemplo, fechou as portas em meados de 2002. À época, foram demitidos 121 empregados, que já vinham sofrendo com problemas de não-pagamento de salários e outras verbas trabalhistas. Destes, 79 não se resignaram com a situação e negociaram o arrendamento da empresa, em dezembro de 2002. Nascia a cooperativa de metalúrgicos MetalCoop, que tinha nas mãos o desafio de tornar o negócio rentável de novo.

Foi montado um conselho de administração, com cinco membros, que ficou responsável pelo planejamento das ações, investimentos e outras decisões. Começaram a desenvolver novos produtos com a tecnologia de forjados a frio, como eixos, semi-eixos e componentes para máquinas agrícolas.

Os esforços dos cooperados não foram em vão. A MetalCoop fechou 2004 com um faturamento mensal de R$ 1 milhão e média de ganhos por trabalhador de R$ 1.550. Antes de fechar as portas, o faturamento da Picchi era de R$ 200 mil mensais e o menor salário, de R$ 480.

A distribuição dos ganhos também segue uma lógica própria. "Quem ganha mais não ganha mais que cinco vezes o salário de quem ganha menos", diz Cláudio Domingos da Silva, presidente do conselho da MetalCoop.

Os cooperados planejaram uma gestão diferenciada, com a implantação do sistema de qualidade ISO 9000 e construção de uma estação de tratamento de efluentes, que consumiu R$ 100 mil. "Temos feito investimentos com recursos próprios, e nossa meta é chegar em 2012, quando termina o contrato de arrendamento, com bens e sede própria."


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