SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 17/03/2005
Autor: Paulo Skaf
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

A cidadania das micro e pequenas empresas

O Brasil de amanhã -desenvolvido ou ainda emergente- será exatamente a nação que tivermos a capacidade e o empenho de edificar. Assim, é fundamental entender que o caminho da prosperidade socioeconômica passa, necessariamente, pelo crescimento sustentado do nível de atividades e por uma série de políticas públicas articuladas. Temos de resgatar o passivo social, democratizar as oportunidades e transformar empregos, empreendedorismo e salários dignos nos principais meios de inclusão de milhões de habitantes nas prerrogativas da cidadania e de garantia dos direitos básicos à saúde, educação, moradia, cultura e lazer.

A dimensão do desafio não deve ser motivo de desânimo, mas sim entendida como oportunidade histórica de o país avançar de forma significativa no Índice de Desenvolvimento Humano, das Nações Unidas, em cujo ranking continua ocupando desconfortável posição. Enfrentar com sucesso o problema exige ampla mobilização da sociedade civil organizada, dos setores produtivos e do voluntariado.
O ânimo relativo à nossa capacidade de implementar positiva transformação histórica renova-se plenamente no crescente engajamento da sociedade civil na promoção do bem comum. Exemplo disso é o estudo "A Responsabilidade Social nas Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo", realizado pelo Sebrae-SP. É estimulante constatar que 74% dessas organizações realizaram pelo menos uma ação social nos 12 meses que precederam a pesquisa. Esse expressivo dado constitui um dos principais destaques da pesquisa.

O estudo, que será publicado em forma de livro, salienta que predominam -no exercício da responsabilidade social das pequenas e microempresas paulistas- "ações de caráter filantrópico e/ou de caridade (38%), em períodos regulares, de baixo valor financeiro, sem acompanhamento dos resultados pelos executores e sem divulgação". Também aparecem ações sociais na área da saúde (29%). Em menor proporção, há uma sucessão heterogênea de programas com idosos e jovens, de prevenção e combate às drogas e ao álcool, participação em projetos culturais, meio ambiente, educação, proteção dos animais, segurança e preservação do patrimônio público. Em 67% dos casos, as ações foram realizadas por meio de doações em dinheiro; em 43%, doações de produtos da empresa; em 21%, doações de alimentos; em 19%, trabalho voluntário dos próprios empresários; 6% citaram o trabalho voluntário de funcionários; 4% cederam espaço para atividades sociais; e 22% citaram outras formas de promoção do bem comum.

Quanto à relação com funcionários, são 66% as pequenas e microempresas -ou seja, elevada proporção- que possuem algum sistema de sugestões de melhoria de processo e/ou produto. Dezoito por cento têm programas de participação dos colaboradores nos lucros. No tocante aos valores defendidos, verificou-se forte concentração nos itens relacionados aos clientes, como "respeito" (79%) e "qualidade do atendimento" (62%). Menor preocupação, curiosamente, foi identificada na relação com fornecedores e mesmo concorrentes.

Dentre as principais recomendações do estudo para expandir e aperfeiçoar as ações de responsabilidade social das micro e pequenas empresas, destaca-se a necessidade de conscientização mais ampla sobre a importância do engajamento crescente em programas do gênero. Outra sugestão é a maior divulgação da possibilidade de realizar ações sociais sem que isso implique necessariamente dispêndio de recursos financeiros. Também são propostos disseminar os benefícios potenciais da maior participação dos colaboradores nas decisões da empresa e nos seus resultados, bem como a monitoração dos resultados das ações realizadas e o desenvolvimento de valores ainda pouco defendidos. A meta é obter maior equilíbrio e qualidade na interação com a sociedade e todos os públicos do universo de relacionamento das empresas.

Claro que é sempre necessário avançar na prática da responsabilidade social, mas não importa se parte da atuação solidária identificada nesse importante estudo do Sebrae-SP ainda careça de perfeita sintonia com os parâmetros contemporâneos e profissionais do terceiro setor. O essencial, no caso, é a intenção e, sobretudo, o gesto de ajudar.

A experiência prática dos próprios empresários e os modelos disponíveis, desenvolvidos por competentes fundações e institutos existentes no país, irão se encarregar de contribuir para o aperfeiçoamento das ações. A mobilização das pequenas e microempresas paulistas demonstra, de forma tácita, não ser utópico o país desenvolvido e socialmente justo que tanto almejamos. Sua gênese está no espírito solidário e na consciência cívica dos brasileiros.


Paulo Skaf, 49, empresário, é o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP.


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