SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 28/03/2005
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

Localização e investimento

São algumas das questões que desafiam quem decide ser empresário
As dúvidas na abertura da empresa

Será que vai dar certo? Esta é uma pergunta que sempre passa pela cabeça ao abrir uma empresa, segundo Charly Damian, sócio da Klickrio, agência especializada em turismo de aventura. "A energia do empreendedor é a fé no negócio", define. É comum o empreendedor se encher de dúvidas quando começa um negócio. As respostas variam de caso a caso, mas especialistas e empresários são unânimes em considerar o planejamento fundamental para buscá-las. "Não dá para persistir em erros. É preciso fazer pesquisa e olhar o mercado", completa Damian.

Abrir o próprio negócio é o sonho de muitos, mas colocá-lo em prática não é processo simples. Da vontade de empreender ao sonho concretizado, estende-se um caminho de dúvidas. Em que ramo investir, onde instalar o negócio (em ponto alugado ou comprado?), quantos sócios buscar e quanto investir são algumas questões. Claro que não é possível começar um negócio com respostas para todas as dúvidas, afinal, apostar no sonho é característica empreendedora.

A primeira dúvida é em qual setor investir. Pesquisas de mercado são capazes de apontar ramos promissores, em ascensão ou com boa rentabilidade. "O empreendedor deve ter alguma vocação para o negócio escolhido", pondera Ruy Quintans, coordenador do MBA de gestão de empresas do Ibmec/RJ.

- Empreendedor é pessoa que investe e trabalha por algo em que acredita - define o consultor Antônio César de Oliveira, da Acomp Consultoria. Assim, deve identificar-se com o negócio, mesmo quando investe em algo diferente de sua área. Damian, há sete anos sócio da Klickrio, concorda que é preciso fazer autonálise para escolher o negócio. "Também é preciso recorrer aos órgãos de apoio ao empreendedorismo para se atualizar sempre", diz.

O perfil empreendedor inclui visão de longo prazo, capacidade de colocar idéias em prática e boa comunicação. "O empreendedor é um vendedor de idéias", diz Gabriel Perez, do Instituto Empreender Endeavor.

Na Supragel, fabricante de fraldas geriátricas e absorventes pós-parto com pouco mais de um ano de mercado, somente um dos sócios tinha algum conhecimento do setor. Lígia Castanheira, uma das sócias, vinha de 18 de trabalho como comissária de bordo. Ao se unir com o marido e o cunhado, proprietário de empresas de distribuição no ramo, ela realizou o sonho do negócio próprio e se viu diante de inúmeros desafios.

- Fiz uma análise de oportunidades com meu marido. O envelhecimento da população brasileira e a crescente preocupação com os idosos nas famílias geram demanda potencial para o negócio - diz Lígia. Entre os desafios, estavam a falta de crédito junto a fornecedores, divulgar os produtos, pagar muitos impostos e visitar pontos de venda para fechar contratos.

Depois de um ano pesquisando e desenvolvendo os produtos, a Supragel comprou lotes de uma antiga fazenda em Maricá. Intimamente ligada à escolha do ramo, a localização é outro pilar no caminho de quem começa um negócio. Na indústria, o custo do ponto comercial ganha peso maior na equação para determinar a localização, assim como a logística de distribuição.

Já a instalação de uma loja passa por uma avaliação da clientela residente e passante pelas áreas pretendidas. "Um negócio pode ser bom para um local e ruim para outro", explica Oliveira, da Acomp. A partir da definição das áreas interessantes para o futuro negócio, parte-se para a avaliação de viabilidade do ponto comercial.

A intuição comercial aprendida com o pai foi fundamental para que Paulo Jorge Marques Correia escolhesse a localização de suas lojas. O empresário começou no varejo com uma sapataria e hoje tem a Bebê Decor, loja de decoração de quartos infantis, e uma cafeteria. "Custos do ponto comercial e concorrência na área precisam ser avaliados", diz Correia.

Erro comum é calcular por baixo o investimento inicial

Com tipo de negócio e localização definidos, o empreendedor precisa calcular custos para saber o quanto investir. Nesse momento, é preciso colocar tudo no papel. "Muitos tendem a calcular valores para baixo", diz Gabriel Perez, do Instituto Empreender Endeavor, completando que a dificuldade de acesso a crédito é um problema. Lígia, da Supragel, conta que os sócios da empresa tiveram que buscar recursos próprios.

- Crédito, só na compra a prazo das máquinas - diz a empresária. O que não pode esquecer é do capital de reserva. "O novo empresário não pode retirar dinheiro da empresa para se sustentar. A reserva deve garantir um ano sem retirada alguma", recomenda Antônio César de Oliveira, da Acomp, acrescentando que o capital deve ser suficiente. "Em alguns casos, pode ser melhor investir menos e montar um negócio menor", diz.

Com o capital na mão, mais uma decisão que o empreendedor precisa tomar é entre abrir uma franquia ou um negócio próprio. "Alguns empreendedores precisam de diretrizes a seguir, outros não sabem trabalhar de acordo com as regras da franquia", diz Oliveira, da Acomp.


SERVIÇO Acomp Consultoria, 2445-5444 Bebê Decor, 3390-9809 Enseada da Praia, 0xx-22-2644-4092 Instituto Empreender Endeavor, www.endeavor.org.br Klickrio Turismo e Aventura, 2548-4974 www.klickrio.com.br Supragel, 0xx-21-2636-0867

Comprar ou alugar, eis a questão

Na hora de escolher a localização do futuro negócio, o empreendedor muitas vezes fica em dúvida entre comprar ou alugar o ponto. O consultor Antônio César de Oliveira considera a mobilidade uma tendência. Assim, optar pelo aluguel traz mais vantagens para o negócio. "O empresário fica com mais capital disponível para aplicar no negócio", afirma.

No entanto,Oliveira ressalta que cada caso deve ser analisado isoladamente. "A avaliação do ponto comercial aponta qual caminho tomar nesse caso", completa. Um preço mais em conta pode justificar a compra de um ponto comercial. Foi a opção de Lígia Castanheira, sócia da Supragel. Diante da oportunidade de adquirir terrenos na fazendo loteada, comprar foi a melhor opção para montar a fábrica.

- Nossa localização é ótima, pois estamos na beira da estrada - diz. A escolha entre aluguel ou compra, porém, não deve nortear a localização do negócio. Segundo Oliveira, quem tem uma loja não deve montar um negócio simplesmente para ocupar o imóvel. "Mas, na hora de montar uma fábrica, incentivos fiscais de prefeituras podem ser determinantes e comprar pode ser o mais indicado", acrescenta Oliveira. Já no caso do setor de serviços, a mobilidade pode ser ainda mais importante. Num escritório alugado, empresários podem mudar-se em função das alterações do mercado, assim como buscar localizações mais baratas caso precisem reduzir custos.

Definir público-alvo é parte complicada

A definição do público-alvo é outra dúvida de empresários no início do negócio. Essa foi uma das primeiras dificuldades da Enseada da Praia, fabricante de bíquinis de Cabo Frio, na Região dos Lagos. Ielra Viter, sócia da empresa, conta que, no começo, eram muitos modelos e pouca objetividade para atender às consumidoras.

- Levamos de dois a três anos no processo de identificar nosso nicho de mercado. Iniciamos no ramo fazendo biquínis e só depois passamos a fazer moda - lembra Ielra. Gabriel Perez, do Instituto Empreender Endeavor, explica que é comum pequenos empresários terem uma miopia de mercado. "O empresário desenvolve um bom produto e acha que a qualidade o tornará vendável, mas é preciso dimensionar o mercado para conseguir vender", diz.

Ielra reconhece que faltou planejamento. "O certo seria termos começado com um plano de negócios, com público-alvo definido. Mas nós fomos aprendendo na prática", diz. Hoje, a Enseada da Praia tem 35 empregados, incluindo as lojas, e, entre fevereiro e julho, as exportações respondem por 60% da produção, segundo Ielra, que abriu a empresa há dez anos, com a mãe e a irmã.

A forma de constituir a sociedade no negócio é outro ponto de dúvida para empreendedores. Uma sociedade mal constituída pode atrapalhar tudo. "Cada sócio precisa de funções bem definidas. Também é preciso levar em conta aspectos tributários, até mesmo para decidir quantos sócios ter", explica Antônio César Oliveira, da Acomp.

Lígia Castanheira, da Supragel, aponta o diálogo como saída. "Não chegamos a pensar em questões societárias antes de abrir a empresa, mas o relacionamento entre os sócios é fundamental", avalia Lígia. Eles trabalharam juntos desde o longo do ano em que estudaram o negócio e o desenvolvimento dos produtos (com a marca Super Seca). "Às vezes brigamos, como em qualquer relacionamento. Mas o diálogo é o caminho para crescermos", completa Lígia.


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