SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 30/03/2005
Autor: Chuck Spragins
Fonte: Gazeta Mercantil - SP

Mercado de crédito começa a mudar

Praticamente todos os segmentos da economia sofrem as conseqüências do estado do mercado de crédito nacional

O mercado brasileiro de crédito pode ser descrito razoavelmente bem com apenas duas palavras: escasso e caro. Além disso, quando o crédito é encontra-do, os prazos tendem a ser demasiadamente curtos.

Uma forma objetiva de medir a disponibilidade de crédito na economia é de comparar o montante vincendo com o produto interno bruto (PIB). No Brasil, operações de crédito do sistema financeiro atingiram 26,3% do PIB em 2004, segundo dados do Banco Central do Brasil. Em comparação, este mesmo número para o mercado norte-americano é 197%.

É interessante notar que no caso dos Estados Unidos a dívida bancária não está incluída neste cálculo, uma vez que a principal fonte de crédito daquele país é o mercado de capitais. Quanto ao custo do crédito, nos últimos anos o Brasil tem figurado regularmente na lista de países com a maior taxa de juros real do mundo.

Praticamente todos os segmentos da economia sofrem as conseqüências do estado do mercado de crédito nacional. Porém, dois setores chamam a atenção pelo tamanho e pela potencial contribuição para o crescimento econômico: consumidores e empresas de pequeno e médio porte.

A tecnologia de securitização está começando a alterar o cenário do mercado de financiamento ao consumidor com uma contribuição crescente de crédito. Segundo dados do relatório Securitização: Revisão do Mercado Domestico - Ano 2004, publicado pela Uqbar, empresa líder em informação, tecnologia e educação em finanças avançadas, a participação de ativos-lastro representando créditos a pessoas físicas no mercado de securitização cresceu de 37% em 2003 para 64% em 2004, como pode ser visto no gráfico.

Embora os montantes ainda sejam pequenos em relação ao volume de crédito ofertado pelo sistema bancário, seu crescimento é muito forte. A trajetória apresentada deverá continuar nos próximos semestres por vários motivos. Primeiro, existe um grande número de operações em fase de estruturação. Segundo, os vários benefícios da tecnologia de securitização estão apenas começando a ser explorados no mercado nacional.

Um exemplo de carteiras de crédito ao consumidor que tem enorme potencial de crescimento e cuja participação no mercado nacional é ainda marginal são os recebíveis de cartão de crédito. Se usarmos o mercado nos Estados Unidos novamente como parâmetro, em dezembro de 2004, excluídas as operações com créditos imobiliários, 21,4% das operações de securitização vincendas eram representadas por esta classe de ativos-lastro.

No entanto, pode ser na viabilização do financiamento para empresas de pequeno e médio porte, uma das mais importantes contribuições da tecnologia da securitização no médio prazo. Segundo dados da IBGE e elaborados pelo Sebrae, existem no Brasil 298 mil empresas nesta classificação.

Se apenas R$100 mil de crédito concedido a estas empresas for securitizado por ano, estamos falando de um mercado de aproximadamente R$30 bilhões anuais, valor significativo e comparável a orçamentos anuais de bancos nacionais de desenvolvimento.

Apesar de que estes dados são animadores, existem dificuldades na estruturação de operações de securitização de carteiras de crédito a empresas de pequeno e médio porte. O número de originadores envolvidos é uma delas. Para alcançar um tamanho adequado, operações deste tipo normalmente contam com o envolvimento de vários originadores, uma vez que a realização de operações individuais por cada empresa tornaria o processo inviável economicamente.

Apesar desta complicação, comecam a existir as primeiras operações envolvendo créditos para este segmento. No primeiro semestre de 2004 foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) uma operação que tem como lastro créditos de diversas distribuidoras regionais de produtos químicos. Uma outra, registrada na CVM no segundo semestre de 2004, tem como originadores 15 empresas de factoring. Duas outras operações, que estão em fase de estruturação e ainda não foram registradas, também têm a característica de serem "multi-originadores".

Para solucionar a questão de vários originadores, todas estas operações apresentam uma instituição que tende a centralizar os processos e estabelecer padrões e critérios para os recebíveis que poderão compor eventuais carteiras de crédito de fundos de investimento em direitos creditórios, principal entidade emissora de títulos de securitização no País.

As inovações trazidas com a securitização são tantas que o próprio mercado começa a solucionar questões complexas como a mencionada acima. Essas operações pioneiras abrirão o caminho para muitas outras, ampliando o espectro de empresas que se beneficiaram desta tecnologia.

Entenda-se que os beneficiários dessa maior oferta de crédito proporcionada pela tecnologia de securitização não se limitam às empresas financiadas, mas incluem também o mercado de emprego, que será fortalecido; os investidores, que terão uma variedade maior de oportunidades de investimento; e o governo, que fortalecerá sua base de contribuintes.

Em última análise, o principal beneficiário da tecnologia de securitização é a economia nacional, cujas possibilidades de crescimento são ampliadas com um mercado de crédito fortalecido, robusto e dinâmico.

*Mestre em finanças internacionais, especializado em operações estruturadas


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