SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 30/03/2005
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Responsabilidade social: muito além do assistencialismo

O conceito de responsabilidade social tem sido amplamente debatido nos últimos anos em muitos países. No Brasil, o assunto vem ganhando corpo com a discussão sobre o papel das empresas como agentes sociais no processo de desenvolvimento. Pensar em uma corporação cidadã como co-responsável pela sociedade já foi um diferencial de competitividade. Atuar de acordo com os princípios da responsabilidade social tornou-se uma obrigação para todas as companhias.

As ações de responsabilidade social não são, e nem podem ser, entretanto, encaradas como estratégias de marketing corporativo. Pensar em responsabilidade social como meio único de aumentar lucros é distorcer o princípio básico de cidadania. Essas iniciativas são muito mais amplas e, de maneira indireta, trazem sim retornos mais expressivos, na forma de visibilidade para a companhia com os seus diversos públicos: internos (colaboradores) e externos (acionistas, consumidores/clientes, parceiros e concorrentes).

A importância do desenvolvimento de uma consciência de responsabilidade social desperta o espírito de liderança em pessoas empreendedoras. São gestos de solidariedade e generosidade que transformam o mundo. No Brasil, educação e alimentação são prioridade, a exemplo do Programa Fome Zero. Quando o assunto é responsabilidade social, pensa-se em um primeiro momento que trata-se apenas de uma política de assistencialismo, de substituição do Estado no auxílio de carências materiais.

Responsabilidade social é isso. Mas é muito mais também. O assistencialismo, com seu caráter emergencial, é válido e tem a sua importância no papel de empresas socialmente responsáveis. Vale lembrar do Tsunami, recente tragédia que devastou regiões inteiras no sudeste da Ásia, Oceania e que teve reflexos, inclusive, no leste da África. Naquele momento, milhares de pessoas necessitavam de ajuda. Água, alimentos, medicamentos e roupas foram enviados às pressas para garantir a sobrevivência dos flagelados.

No entanto, é importante estabelecer uma visão mais ampla, de longo prazo, que desperte nos futuros líderes a necessidade de fazer a diferença. Organizações não-governamentais exercem seu papel fundamental na lapidação de talentos natos. Fundada há 25 anos, a Sife (Students in Free Enterprise) mantém programas de formação de liderança em mais de 1.700 universidades e faculdades de 42 países. Com o apoio de grandes empresas globais, a entidade sem fins lucrativos oferece cursos de práticas do empreendedorismo em comunidades que necessitam de ajuda para se desenvolver.

As empresas que apóiam as iniciativas do Sife também se beneficiam de várias maneiras. Elas passam a ser vistas como socialmente responsáveis pelo mercado, por seus colaboradores, pelos parceiros, pelos acionistas, pelas comunidades em que atuam ou se inserem e, principalmente, pelos novos talentos que se formam todos os anos no meio acadêmico. Sem contar os profissionais que a cada dia valorizam mais as preocupações sociais das empresas no momento de buscar uma nova colocação ou ao escolher outra posição no mercado.

Na hora da contratação, um estudante que tenha passado pela Sife se destaca, devido às vivências adquiridas ao longo da participação em vários projetos como: trabalho em equipe, postura de liderança, experiência com o desenvolvimento e a implementação dos projetos herdados do período acadêmico, captação de recursos financeiros e humanos, além do espírito nato de arriscar-se mais na busca de novas oportunidades.

No Brasil, a Sife está presente em cerca de 100 universidades em dez estados e incentiva a criação de projetos, aplicando conceitos de empreendedorismo, formação de cooperativas em comunidades dos mais variados pontos do país. Uma vez ao ano os resultados dos programas desenvolvidos e aplicados pelos estudantes são apresentados a um seleto grupo de executivos e formadores de opinião. Desse evento, que também é realizado nos 42 países em que a Sife atua, saem iniciativas que irão para uma grande final global.

Em 2004, fomos representados na final mundial da Sife, em Barcelona, com a apresentação de diversos projetos acadêmicos, empresariais e sociais, desenvolvidos por universitários da PUC Campinas, entre eles, o projeto Reciclar, para moradores da favela da Vila Brandina. Os estudantes recolhem sobras de materiais de construção em Campinas e os utilizam para construir casas de alvenaria, que substituem os frágeis barracos de madeira.

Mais que o incentivo de disputar um prêmio nacional, podendo inclusive conquistar o título mundial, o Sife desperta a importância do empreendedorismo, do senso de responsabilidade, do dever cívico de cidadania nos universitários que se tornarão líderes de grandes corporações. É um trabalho que traz resultados efetivos para as comunidades atendidas, para os estudantes que se descobrem capazes de fazer algo mais.

São nestas pessoas que se estão depositando toda a confiança e a certeza de um futuro melhor. Também na formação de líderes corporativos conscientes da necessidade de atuar dentro dos padrões da governança corporativa e de respeito aos princípios éticos.


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