SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/06/2005
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

O caminho para o crédito

Problemas de gestão dificultam acesso de pequenas empresas às linhas de financiamento

Saber quando e como pedir financiamento são dilemas na vida do pequeno empresário. As instituições financeiras parecem mais dispostas a emprestar. O total de desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para médias, pequenas e microempresas ficou em R$ 12,6 bilhões no ano passado, crescimento de 25%. Até abril deste ano, já foram R$ 3,9 bilhões, 8% a mais. Apesar disso, permanece a dificuldade por parte dos pequenos em trilhar corretamente os caminhos para conseguir o empréstimo ou mesmo para utilizá-lo de forma eficiente.

O primeiro passo antes de pedir o financiamento é saber se o pedido tem condições de passar nos critérios estabelecidos pelas instituições financeiras. Em geral, as pequenas empresas reclamam da burocracia, mas especilistas apontam que diversos pedidos são recusados porque são identificados problemas graves na gestão da empresa.

- Mostrar seriedade e estar regularizado é fundamental. Meu financiamento saiu em menos de um mês - recomenda Maria Iraci Torres, que pegou R$ 50 mil para investir na reforma do seu salão de cabeleireiro, na Barra da Tijuca.

Representantes dos bancos preferem falar em análise de risco no lugar de burocracia. "A empresa precisa mostrar porque precisa do recurso, escolher linhas compatíveis com o fluxo de caixa e explicitar como o investimento vai gerar mais recursos, demonstrando como vai pagar o empréstimo", resume Luís Fernando Pessôa, diretor executivo do Banco Arbi.

A análise do risco dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abaixo de R$ 10 milhões fica a cargo de bancos repassadores. Há três semanas, o BNDES flexibilizou as condições para o uso do Cartão BNDES. O limite de crédito subiu de R$ 50 mil para R$ 100 mil. Atualmente, 32 mil cartões estão nas mãos dos empresários, somando cerca de R$ 500 milhões em crédito disponível.

- A meta é fechar o ano com R$ 1,5 bilhão em crédito disponível - diz Paulo Kohler, gerente de fomento do BNDES. O crédito do cartão é pré-aprovado, mas depende de análise dos bancos conveniados (Banco do Brasil, Bradesco e CEF). Com ele, o empresário pode comprar máquinas e equipamentos de infraestrutura em 1,1 mil fornecedores homologados.

Tanto bancos estatais como privados oferecem linhas de longo e curto prazos, com diferentes taxas de juros. Com R$ 50 mil do Proger (linha com recursos do Governo federal), obtidos no Banco do Brasil, a empresária Maria Iraci pôde mudar o salão Barra Chic Coiffeur de loja.

- Valeu a pena fazer o investimento - conta Maria Iraci. O salão, no supermercado Extra Bon Marché, saiu de um espaço de 20 metros quadrados para loja de 62 metros quadrados, sem mudar de endereço. Assim, triplicou a receita e saltou de cinco para 14 empregados. "Contei com a ajuda da minha contadora. Poderia pegar mais dinheiro emprestado, mas optei por usá-lo apenas na compra de equipamentos", diz.

No entanto, o professor Francisco Barone, do Small, programa de estudos em pequenos negócios da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), da Fundação Getulio Vargas (FGV), alerta que a opinião dos contadores pode ser insuficiente. "É preciso recorrer também ao Sebrae, a consultorias e a empresas júnior", diz. Embora a burocracia seja um entrave, segundo ele, a falta de conhecimento de gestão é o maior problema.

- A má gestão é uma grande responsável pela falência de empresas - continua Barone. Como têm dificuldade em colocar no papel dados sobre fluxo de caixa, benefícios do financiamento desejado e como será gerada a receita para pagá-lo, o empresário acaba esbarrando na negativa dos bancos. O Sebrae/RJ dá orientação a empresários, inclusive na redação de projetos.

Para Maria Evodi Barros, franqueada da Contém 1g desde 2003, no Shopping Tijuca, o crédito foi importante para a concretização de um novo negócio. A loja de bolsas, calçados e acessórios Audaz foi inaugurada no mesmo shopping há pouco mais de um mês. "Depois de investir em obras e luvas do ponto comercial, ficou faltando capital de giro para formar estoque e treinar funcionários", explica a empresária, sem revelar valores.

Na franquia, já recorria ao BB Giro, do Banco do Brasil, para manter estoque variado. Segundo ela, o crédito ajuda a manter as vendas em alta no primeiro negócio e a facilitar a negociação com fornecedores no novo. "As parcelas são descontadas diretamente da conta da empresa, ao mês . Pagamos com a receita gerada", explica.

Iraci, do Barra Chic Coiffeur, já está pagando as parcelas com a receita gerada pelo investimento. "O financiamento tem carência de seis meses", diz a empresária, que pagará os recursos em cinco anos. Barone, do Small da Ebape/FGV, destaca que o crédito é positivo para pequenos.

- Muitos acham que financiar investimento é coisa de grande empresa e recorrem ao crédito apenas quando estão com a corda no pescoço - pondera o professor.

SERVIÇO

Audaz, 2176-6168 Barra Chic Coiffeur, 2495-2258 Feixe Tecnologia, 2610-9380 Ntime, 2542-6050 Sebrae/RJ, 0800-78-2020 ou www.sebraerj.com.br Small (Ebape/FGV), 2559-5444 ou www.ebape.fgv.br/pp/small

Saiba Mais - ONDE BUSCAR

BNDES - há diversas linhas de financiamento. As operações com valores inferiores a R$ 10 milhões são repassadas por agentes, aí incluídos a maioria dos bancos. Mais informações, www.bndes.gov.br

Banco do Brasil- linhas do BNDES e outras com capital próprio. Mais informações, www.bb.com.br

Bradesco- linhas do BNDES e outras com capital próprio. Mais informações, www.bradesco.com.br

Banco Real- linhas do BNDES e outras com capital próprio. Mais informações, www.real.com.br

Caixa Econômica- linhas do BNDES e outras com capital próprio. Mais informações, www.cef.gov.br

Itaú- linhas do BNDES e outras com capital próprio. Mais informações, www.itau.com.br

Unibanco-linhas do BNDES e outras com capital próprio. Mais informações, www.unibanco.com.br

PASSO-A-PASSO DO FINANCIAMENTO

Analise a finalidade do financiamento. O objetivo deve ser claro e o tipo de financiamento precisa ser adequado a ele. Crédito para infraestrutura, por exemplo, requer prazos mais longos, pois o retorno demora a chegar. Já o crédito para capital de giro pode ter prazo mais curto, pois a receita para pagar as parcelas será gerada mais rapidamente.

Pesquise as diferentes linhas disponíveis. As taxas de juros variam e é preciso buscar as condições mais adequadas.

Busque apoio antes de tomar a decisão. Sebrae, contadores e gerentes de bancos podem fazer avaliações. Outra opção é encomendar um estudo financeiro para a operação e as empresas júnior das universidades podem ter condições vantajosas.

Faça previsão dos benefícios (aumento de receita, por exemplo) trazidos pelo investimento. O benefício projetado deve ser maior do que o valor calculado da parcela, para garantir o equilíbrio do fluxo de caixa no futuro.

Escreva plano de negócios e projetos nos quais serão investidos o crédito. Eles ajudam a fundamentar a necessidade e benefícios do financiamento. Com o pedido de financiamento bem fundamentado, é mais fácil a aprovação pela instituição financeira, inclusive com condições melhores, já que a classificação de risco poderá ser melhor.

Fonte: Small (Ebape/FGV) e Sebrae/RJ

Tudo é mais difícil para quem começa

Obter financiamento para estrear no mundo dos negócios é ainda mais difícil do que investir em uma empresa já existente. De acordo com Francisco Barone, coordenador do Small, da Ebape/FGV, a operação é mais arriscada até mesmo para o empreendedor. "Ainda no papel, um negócio iniciante não tem garantias, nem histórico para ser analisado", explica.

Nesses casos, planos de negócios são ainda mais importante para mostrar a viabilidade do financiamento. Obter crédito inicial é desafio, principalmente, para empresas de inovação tecnológica. "É difícil conseguir financiamento, mas as instituições já perceberam a importância de financiar pequenas empresas", diz Paulo Campos, sócio da Feixe Tecnologia.

A empresa nasceu para produzir um sistema de contagem de fluxo de pessoas em shoppings, criado por Campos. Com dez anos de mercado, a Feixe Tecnologia já conseguiu recursos em editais da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em duas ocasiões. Na primeira, a empresa montou seus dois primeiros protótipos. Na segunda, foi um aporte para o crescimento - são sete funcionários, 40 shoppings na clientela e projeção de faturar R$ 2 milhões neste ano.

- Agora, estou pesquisando linhas de financiamento para investir em produção - adianta Campos. A Feixe Tecnologia passou quatro anos na Incubadora da Coppe, na UFRJ. "Foi importante para dar credibilidade ao negócio", avalia Campos. O apoio do Sebrae, completa o empresário, tem sido importante na preparação para conseguir nova linha de crédito.

Diante das dificuldades para fazer um financiamento, alguns empresários recomendam cautela. Rafael Duton, sócio da Ntime, empresa que desenvolve jogos eletrônicos para celular, prefere não contar com o crédito. "O financiamento é importante para alavancar o negócio, mas a burocracia de alguns programas desanima", diz. A Ntime teve projeto aprovado pela Finep, mas os recursos foram contingenciados pelo Governo federal.


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