SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 16/06/2005
Autor: Rodrigo Gallo
Fonte: O Estado de S. Paulo - SP

Pequenas empresas. Hoje, gigantes

A Sansuy era uma pequena fábrica e virou a maior da América Latina em seu ramo. A Sakura já exporta shoyu para o Japão

Alguns dos imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil com a expectativa de melhores condições de vida conseguiram muito mais do que poderiam supor. Tornaram-se verdadeiros empreendedores, conquistando postos importantes no mercado nacional.

Dois exemplos disso são as Indústrias Sansuy - que já conseguiram um certificado internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) - e a Sakura, que está entrando no mercado japonês de molhos e temperos.

Em 1966, um grupo de imigrantes inaugurou uma pequena fábrica em Embu, na Grande São Paulo, para a fabricação de mangueiras agrícolas. O que no início seria uma pequena empresa familiar é, hoje, a maior indústria de transformação de plástico da América Latina.

A Sansuy, essa empresa, atingiu ainda outro mérito para a indústria nacional: ganhou um certificado internacional, dado pela ONU, pela criação de um aparelho biodigestor. "Quando o dejeto do porco é fermentado, ele libera um gás chamado metano, nocivo à saúde e que destrói a camada de ozônio. O equipamento transforma esse produto em gás carbônico, bem menos poluente", explica o atual diretor-presidente da empresa, Takeshi Honda.

O biodigestor foi desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e deve se transformar no produto mais vendido da Sansuy em poucos anos. A razão é simples: o aparelho funciona como despoluidor ambiental e o Protocolo de Kyoto - que entre outras coisas servirá para obrigar os países a diminuir a emissão de poluentes - entrará em vigor em 2008. Por isso, a venda do equipamento deverá subir.

Em 38 anos, os imigrantes da Sansuy conseguiram saltar da produção de mangueiras para equipamentos inovadores, que influenciam a economia da própria empresa. "Com a energia liberada na transformação das fezes do porco, abastecemos toda a nossa fazenda", conta Takeshi Honda.

Além da unidade de Embu, a Sansuy possui uma planta industrial em Taboão, outra em São Paulo e também em Camaçari, na Bahia.

SHOYU E MISSO

A saga do imigrante japonês Suekichi Nakaya começou antes, ainda na década da 30. Ele chegou a São Paulo e começou a trabalhar como balconista em um loja de ferragens da Rua Quintino Bocaiúva, no centro da capital.

Em paralelo, decidiu iniciar uma produção artesanal de molho shoyu e misso (pasta de soja), para atender aos pedidos de alguns japoneses recém-chegados ao País. Nascia aí o que hoje se tornou a principal produtora dessas especiarias no Brasil.

O tempero produzido de forma artesanal começou a cativar cada vez mais consumidores. Com isso, Nakaya decidiu transformar a pequena produção em uma grande fábrica. Em 1940, ele inaugurava a S. Nakaya & Cia, sete anos depois rebatizada de Sakura, instalada no Brooklin, zona sul de São Paulo.

Porém, os primeiros grandes desafios surgiram logo que a empresa foi inaugurada. Nakaya passou a enfrentar dificuldades para conseguir trigo, matéria-prima para a produção do shoyu. Contudo, o imigrante acabou desenvolvendo um novo molho, à base de grãos de soja e milho, mais fáceis de serem encontrados no Brasil.

Por conta dessa novidade gastronômica, que conquistou o paladar dos consumidores, a empresa hoje detém 85% da produção nacional do molho. Além disso, o shoyu feito em terras tupiniquins atingiu outro mérito: desde o início deste ano, o produto está sendo exportado para o Japão.

"É um mercado emblemático, o país de origem do produto. É um passo inicial, mas muito importante para a expansão da empresa", orgulha-se o diretor de desenvolvimento da Sakura, Roberto Ohara.

No início da produção, na década de 40, o novo molho de Nakaya era vendido em tonéis de madeira, com 50 ou 100 litros. Na época, os principais consumidores eram armazéns, que engarrafavam o produto e colocavam no mercado individual.

Hoje, o shoyu da Sakura pode ser encontrado em qualquer loja de conveniência do Brasil. "Em cinco anos, poderemos encontrar produtos da Sakura em toda a América Latina", calcula Ohara.

Hoje, a empresa conta com mais de 300 funcionários, espalhados em suas quatro unidades. Três estão no Estado de São Paulo e a quarta, na cidade de Ouvidor, no extremo sul de Goiás.


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