SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 04/07/2005
Autor: Diário Catarinense
Fonte: Diário Catarinense

'Políticos passam, as empresas não'

Entrevista: Alcantaro Corrêa, presidente eleito da Fiesc

O empresário Alcantaro Corrêa foi eleito presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), na última quinta-feira, com uma votação que não dá margem a dúvidas: a entidade está mais unida do que nunca. Dos 122 sindicatos patronais com direito a voto, os 102 que participaram confirmaram o apoio ao industrial, que estará à frente da Federação nos próximos três anos. Ele vai substituir José Fernando Xavier Faraco a partir do dia 12 de agosto.

Atualmente, é presidente da Electro Aço Altona e diretor da Mineração Altona, da Werner Agricultura e da Bellevue Produtos em PVC. Na Fiesc, exerce o cargo de primeiro vice-presidente e também é o presidente da Câmara para Assuntos de Transporte e Logística. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Diário Catarinense logo após a confirmação do resultado da eleição. Ele mostrou-se preocupado com a crise política, juros e carga tributária, mas não escondeu o otimismo com o setor produtivo catarinense.

Diário Catarinense - Há quanto tempo o senhor participa do movimento sindical e está vinculado à Fiesc?

Alcantaro Corrêa - Na Fiesc já estou há seis anos, colaborando com a gestão do Faraco (José Fernando Xavier, atual presidente), mas antes da Fiesc tenho uma vivência sindical, na região de Blumenau, pelo Sindicato dos Metalúrgicos (patronal), seis ou sete anos antes da aproximação com a Fiesc. Ou seja, já são 12 anos que venho me envolvendo com a organização das indústrias catarinenses. Mas também sempre estive atento aos assuntos de interesse da comunidade, contribuindo com outros setores que não estão ligados às atividades profissionais, como a participação no conselho de administração do Hospital Santa Isabel. Sempre fui atento à questão social, ajudando informalmente outras pessoas ou até empresas.

DC - Na sua opinião, qual é o nível de responsabilidade social das empresas hoje, diante da deficiência dos programas disponibilizados pelo governo?

Corrêa - Sempre trabalhei voltado para a questão da responsabilidade social, tentando compreender o ser humano, buscando uma empatia para que a gente possa também conhecer o outro lado e contribuir com aquele que não teve as mesmas oportunidades como a educação e a saúde.

DC - Então o senhor acredita que a responsabilidade social pode ser a marca de sua gestão à frente da Fiesc?

Corrêa - Pode ser, mas primeiro vou dar continuidade aquilo que o Faraco implantou, porque também participei deste processo, e foi um trabalho correto e bem focado. Além disso, vou dar mais reforço à responsabilidade social junto às indústrias, oportunizar para que elas apliquem os vários produtos que o sistema Fiesc possui nesta área. Mas o importante é estar junto com o empresário no seu sindicato, na sua região, junto com o vice-presidente regional, ouvindo e trabalhando em função das necessidades que surgem. É preciso um trabalho em conjunto.

DC - E na área de capacitação dos profissionais, como o senhor pretende trabalhar?

Corrêa - O Senai é o braço voltado à qualificação de mão-de-obra e tem uma função importante no desenvolvimento da economia do Estado, preparando os profissionais para as áreas nas quais existe necessidade. Isso exige uma atenção para contribuir com as indústrias em tecnologia e conhecimento, mas o ponto forte é o elemento humano.

DC - O senhor acredita que a formação dos tecnólogos é a saída para atender a demanda mais específica?

Corrêa - O Senai só proporciona curso em função da demanda. Todo o final de ano é feito um encontro entre o Senai e as indústrias de cada região para ouvir as necessidades dos empresários. Em função disso, é que é montado o curso. Portanto, é focado e não há desperdício. O Senai hoje possui 59 mil alunos inscritos, enquanto todas as outras universidades catarinenses possuem 120 mil alunos. E há fila de matrícula.

DC - Tradicionalmente, a indústria de SC sofre com os gargalos na infra-estrutura. Como reverter isto?

Corrêa - Vou utilizar um processo implantado pelo Faraco, que é o Fórum Industrial Sul, unindo os empresários dos três estados do Sul. Com isso, teremos poder de barganha para negociar com as nossas bancadas na Câmara em Brasília, de forma ordenada, e conseguir recursos para investir em infra-estrutura. Com este trabalho, iniciado há cerca de dois anos, já começaram a aparecer resultados como o início das obras da BR-101 Sul e ampliação dos nossos portos. O importante é colocar todos na mesa e conversar.

DC - E os outros empecilhos como as taxas de juros, carga tributária e defasagem cambial, que tanto afetam a produção?

Corrêa - Nós vivemos em um mundo totalmente irreal de juros e acesso a financiamentos neste país. O empresário aqui não tem condições de fazer um financiamento pagando os juros que estão sendo cobrados. Não dá para destinar 40% de toda a riqueza produzida neste país para o pagamento de impostos.

DC - Como o senhor avalia a perspectiva de atrair novos investimentos?

Corrêa - Nós temos uma diretoria institucional que está voltada à atração de investimentos. Nós vamos manter missões empresariais para prospectar mercados em todos os cantos do planeta, mostrando a qualidade dos produtos catarinenses, mas também trazendo inovações de fora para cá. Mas não me apego à necessidade de trazer um único grande investimento em troca de benesses. Eu quero estas benesses, se existirem, para quem está aqui.

DC - Como o senhor vê o atual cenário político?

Corrêa - Este país tem uma força tão grande, que vai ser difícil parar. Mas isto ocorre porque os empresários estão preocupados com seus negócios e não deixam quebrar, não deixam a peteca cair. Mas tudo tem limites. E o governo pode chegar a prejudicar determinados setores pela sua incompetência. Políticos são passageiros, mas uma empresa é perene. O momento é triste. Mas após o conflito, surgem as soluções. Edição de 03/07/2005.


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