SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 11/07/2005
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Demanda por design cresce, sofistica-se e exige organização

Somente o setor de embalagem movimenta R$ 48 milhões por ano e deve crescer 15% neste ano.

Pela primeira vez desde a criação da ExpoManagement, mega evento de negócios da HSM, um nome do design subirá ao palco do Transamérica Expo Center para falar aos empresários. Será Tom Kelley, diretor da IDEO - empresa americana que assina uma vasta linha de produtos interessantes, entre eles o mouse da Apple. Kelley é a estrela do painel "O Poder do Design" no dia 8 de novembro.

Sua participação pode ser considerada o sintoma de uma nova sensibilidade: a cada dia, homens de negócios começam a perceber que o design é um elemento que faz parte do seu universo, que pode auxiliar a empresa a descobrir seus próprios valores e é capaz de reposicionar a corporação em novos segmentos de consumo.

"O varejo brasileiro se sofisticou muito nos últimos anos e aumentou o grau de exigência em relação à apresentação dos produtos. As empresas têm se dado conta de que design tem um papel estratégico nos negócios", diz Manoel Muller, da Müller & Camacho Design e Comunicação.

O reconhecimento da importância do tema gerou não só o crescimento do número de escritórios de design como também propiciou uma segmentação. Hoje, se você mencionar "design", alguém pode perguntar: "design de quê?".

Tanto que Muller assumiu a presidência da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign), entidade criada em fevereiro para congregar empresas que atuam nas áreas de embalagem, design de moda, de produto, design gráfico, de jóias e web design. É uma iniciativa para unir o setor sobre o qual não se tem um censo.

Numa pesquisa feita em 2002, pela Associação dos Designers Gráficos (ADG), a estimativa de faturamento entre os associados era de R$ 110 milhões, sendo que cerca de 40% desse valor são provenientes de serviços prestados para o setor de embalagens.

Mas os próprios profissionais da área avaliam que esse valor está há muito ultrapassado. Segundo o Comitê de Design de Embalagem da ABRE, só o setor de design de embalagem movimenta R$ 48 milhões por ano e tem previsão de crescimento de 15% neste ano.

A explosão da oferta de escritórios de design acompanha a contínua necessidade de diferenciação das empresas e dos produtos em meio a um mercado de consumo saturado, e onde a identidade das mercadorias, sejam elas objetos ou corporações, não é claramente reconhecida.

E, hoje a criação dessa identidade está nas mãos dos designers que têm a missão de transformar os valores imateriais das empresas (suas crenças e suas metas), em algo concreto.

"O aumento do número de escritórios de design começou na década de 90 quando houve então uma especialização dos serviços de marketing". Foi quando começou-se a discutir o valor econômico das marcas", lembra Luciano Deos, diretor presidente, da Gad´Design.

Eleito Escritório de Design do ano pelo Festival Brasileiro de Promoção, Embalagem e Design, Deos tem clientes como o Shopping Iguatemi, a siderúrgica Gerdau e a operadora de celular Claro e um faturamento previsto para R$ 15 milhões em 2005.

Ele diz que, em mercados fechados, a marca de uma empresa somente serve para identifica-la. Num mercado globalizado, no entanto, a construção da marca é o centro da empresa, indo muito além de um símbolo estético, e estático.

"Até cerca de oito anos atrás, o design trabalhava a superfície. Era a cereja em cima do bolo. Hoje, as empresas de design participam de toda a concepção do projeto", diz Fredi Gelli um dos sócios da carioca Tátil Design, empresa que atende clientes como a operadora de celulares TIM junto às agências McCann Erickson e a Lew, Lara.

Para Gelli, é a relação entre as várias expressões da marca - como a sua concepção, embalagem, e veiculação - e das várias empresas, as agencias de design e as de publicidade - que garante a coerência entre todos os pontos de contato da marca com o cliente.

"É esse alinhamento que cria uma experiência de marca mais intensa no cotidiano do consumidor", pondera o empresário. Nesse alinhamento parece haver cada vez mais agentes. Além dos próprios designers e publicitários há cada vez mais sociólogos e antropólogos do consumo. O resultado é uma comunicação mais ampla da marca ou, para usar o termo muito em voga, define a "arquitetura do negócio".

Designer: de criador de logo a piloto de divã escondido

Em maio do ano passado, a gestora de recursos Hedging-Griffo Asset Management bateu na porta da Oz Design perguntando como aperfeiçoar sua "auto-imagem". Foi o início de um processo que demonstra que, se antes o designer era "o cara que fez o logo", hoje pode esconder um divã de psicólogo embaixo da mesa.

"As empresas nos procuram dizendo que querem mudar a marca. Todas avisam que querem ser "mais jovens, mais bonitas e mais modernas". Muitas vezes, no entanto, elas não têm clareza sobre os seus próprios valores", diz Ronald Kapaz, diretor estratégico da Oz Design, empresa cuja faturamento está entre os R$ 3 milhões e R$ 4 milhões ao ano.

Em vez de pautar seus designers para apresentar suas propostas de nova imagem da Hedging em 24 horas, Kapaz mergulhou em entrevistas com os sócios da empresa. Nelas, descobriu que os diretores da Hedging passavam 80% do tempo com seus clientes conversando sobre as delícias e as intempéries da vida, sobre seus desejos e sobre seus planos futuros.

"Apenas 10% do tempo era dedicado às opções de investimento propriamente ditas". Essa constatação por parte da Oz determinou a proposta de posicionamento da Hedging. "Num mercado voltado para resultados, redesenhamos a marca pensando nos seus valores humanistas", diz Kapaz. Hoje a gestora de recursos assina sua comunicação com a imagem de uma moeda e com a chamada: "Os dois lados da moeda: enriquecer na vida é enriquecer a vida".

Se Kapaz atuou como psicólogo nesse "job" (trabalho), em outro solicitou o trabalho do economista Eduardo Giannetti da Fonseca. Isso demonstra que designers estão cada vez mais preocupados em estudar a marca em todas as suas dimensões para, então, criar sua imagem.

Com o grande número de mensagens a que as pessoas recebem todos os dias, a comunicação busca novos caminhos - noutras profundidades - para ser percebida e os escritórios de design estão lutando para criar esses diferenciais.

É o caso do trabalho executado pela equipe da 100% Design que tem se especializado num design mais sensorial e não só visual. A equipe - que desenhou a nova embalagem do azeite Maria e criou a garrafa da água mineral Via Natural - criou um projeto para a megastore das drogarias Onofre integrando luz, cores e formas. O uso de mensagens como "paz", "beleza", "sintonia" e "equilíbrio" nos vidros da megastore e no interior da loja poderia ser considerado apenas uma medida cosmética, mas todo o projeto da Onofre foi inspirado em formas orgânicas, desde os balcões até as luminárias - um conceito alinhado com a idéia de bem-estar e não de doença que a Onofre queria evitar.

O design do projeto, que além da 100% teve a arquitetura de João Armentano, auxiliou a aumentar o tempo de permanência do cliente na loja da Onofre.

Por seus trabalhos nessa linha é que a 100% Design foi a única agência brasileira citada no livro TouchThis, editado pela Rockport Publishers - publicação que deve chegar às livrarias brasileiras ainda neste mês.

No livro de Scott Witham, diretor de criação da Traffic Design Consultant, agência com sede em Glasgow, estão os melhores cases de design cuja criação utilizou material diferenciado e com um toque sensorial. Lá está o portfólio da 100% além do portfólio desenvolvido para o florista Vic Meirelles. Para Meirelles, a 100% fez um portfólio confeccionado em tecido usado para fabricar sacolas de feiras livres.


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