SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 19/07/2005
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Padarias viram um alvo da atenção da grande indústria

Está ocorrendo uma forte aproximação da indústria com o pequeno varejo em geral e em especial com as padarias. As indústrias, muitas vezes, já preferem comercializar aos pequenos varejistas a negociar com as grandes redes. Empresas como Perdigão, Ceratti e Philip Morris Brasil tendem a aprimorar cada vez mais esse importante canal de vendas, através de ações de marketing e até oferecendo cursos a balconistas. No Brasil, existem 55 mil padarias. Em 2004, o setor faturou R$ 27 bilhões. A receita bruta deverá ser de R$ 28 bilhões em 2005, segundo informações do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan-SP).

"O que a gente percebe é que isso não é mais uma tendência, mas uma realidade. Com a economia estabilizada, a padaria acabou virando um pequeno varejo. Houve aumento de vendas para padarias e mercados de vizinhança: aumentou entre 10% e 12%, em média, ao ano, em 2003 e 2004", explica Cláudio Kliemann Silva, gerente de marketing do frigorífico Perdigão.

"O pequeno varejo virou novamente importante para a indústria. E as padarias têm destaque nesse cenário. Mas isto não significa que a indústria nos dá condições especiais. Estas condições, quem ainda as recebe é o grande varejo. O que aconteceu é que a indústria redescobriu as padarias. O principal motivo é o capital de giro das grandes fábricas, que é feito conosco. A padaria sempre paga à vista", diz Antero Pereira, dono de padaria na zona sul de São Paulo e também vice-presidente do Sindipan-SP.

Nascido em Portugal e há várias décadas no Brasil, Pereira diz que a padaria, hoje, já é uma "mistura de pequena indústria com pequeno varejo, capaz de concorrer. A padaria virou a loja de conveniência do bairro".

Segundo o gerente de marketing da Perdigão, esse aumento no volume de vendas às padarias se deve à profissionalização do setor. "Eu acredito que este mercado vá continuar crescendo em importância. Nós estamos percebendo um crescimento do pequeno varejo em detrimento do grande. As lojas de vizinhança estão se aprimorando na parte operacional e estão. conseguindo ser tão competitivas quanto o grande varejo". Ele ainda esclarece que muito disso se deve ao fato de o custo operacional de uma padaria ser infinitamente menor que o de um supermercado. "Nós observamos que, embora a padaria, muitas vezes, pague o produto mais caro comprando da indústria, o custo operacional dela é muito menor", afirma Silva.

Para José Roberto Augusto, gerente comercial do frigorífico Ceratti, esse aumento das vendas para padarias se deve ao novo perfil que foi adotado pelas panificadoras desde que começaram a ser pressionadas pelas redes de supermercados. "A briga com o supermercado foi muito forte, então a panificadora precisou de um tempo para se preparar e, agora, eu acho que nos dois últimos anos a padaria tem mostrado uma nova faceta, se profissionalizou, hoje ela está muito mais preocupada com seu lucro real e oferece os produtos de uma maneira diferente de como ela o fazia há cinco ou seis anos atrás", diz.

Ele também acredita que grande parte da competitividade que a padaria conseguiu ter com o grande varejo provém do modo como ela se organiza e opera. "A forma de pagamento das padarias muitas vezes é à vista, muito diferente do supermercado. Eu chego a visitar algumas padarias duas vezes por semana, e entrego os produtos no dia seguinte. Para o supermercado é muito complicado você fazer isso. Então acaba aumentando o seu custo de transporte, estocagem, são vários os fatores que fazem com que muitas vezes o produto para o supermercado seja comercializado com o preço diferenciado do da padaria", esclarece.

No caso dos frigoríficos Perdigão e Ceratti, a preocupação com as padarias. é ainda maior, uma vez que este tipo de comércio representa seus principais pontos-de-venda e a maior fatia de seu faturamento. "Na realidade, a Ceratti sempre deu uma atenção especial às panificadoras porque elas são nosso principal parceiro: 70% das nossas vendas são feitas às padarias", explica José Augusto.

Cursos

Para fidelizar e atrair seus clientes, as indústrias promovem. cursos de capacitação profissional, degustações em pontos-de-venda, programas de fidelidade, entre outras ações. A Perdigão possui um programa de fidelidade com as padarias e promove ações casadas atreladas ao volume de vendas, de descontos e bonificações. a degustações e abordagens. "Um ponto importante, que para nós é vital, é que a padaria é o ponto onde você tem a condição de fazer uma aproximação com o consumidor final. Assim, nós oferecemos treinamento para os balconistas da padaria: a influência que o balconista exerce sobre o consumidor é muito grande. Se você não disser a marca dos frios na hora em que vai comprar, quem decide é ele", explica Silva. O frigorífico Ceratti oferece como vantagens para seus clientes o curso "Atendimento 100%" voltado para a capacitação dos profissionais das padarias e com sessões de degustação nos pontos-de-venda. "Nós sempre vamos proteger o pequeno varejo; a nossa intenção é dar todo o suporte de que o pequeno varejo necessita para crescer", conclui José Augusto.

Com um percentual de vendas diretas a padarias de 12%, a Phillip Morris Brasil também destina uma atenção especial ao pequeno varejista. O enfoque da empresa não está só em aumentar seu percentual de vendas, mas também em ajudar a profissionalização. "Mais que vender, procuramos oferecer soluções que possam contribuir para atrair mais clientes e aumentar o giro de produtos e a rentabilidade dos estabelecimentos. Além disso, realizamos diversas ações, como concursos com premiações aos comerciantes, ofertas de bonificações e descontos. Também firmamos contratos de locação de espaço para comunicarmos nossas marcas a adultos fumantes" afirma Rui Rebeca, diretor de Marketing e Trade Marketing da Phillip Morris Brasil.

Outra iniciativa adotada pela Phillip Morris Brasil para cativar seus clientes do pequeno varejo é incentivar sua participação no Programa Varejo Socialmente Responsável, que a empresa desenvolve há mais de 5 anos em parceria com a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). Segundo ele, este programa busca conscientizar o varejista sobre o poder de transformação social de pequenas ações, tais como a qualificação dos empregados, a destinação de sobras para entidades assistenciais e sobre o seu papel em impedir que menores de idade tenham acesso ao cigarro.


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