SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/07/2005
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Comércio

Atenção ao adquirir franquia de segunda mão

Saúde financeira e tributária da unidade deve ser analisada

Nem tudo são flores no dia-a-dia de uma unidade franqueada. Quando a rentabilidade está abaixo do esperado, ou existe dificuldade de administração, falta de capital de giro, ou simplesmente decepção com o ramo de atuação, é comum acontecer o repasse da unidade, em vez do fechamento puro e simples. Para quem está assumindo uma franquia de segunda mão, as vantagens são muitas. O fato de assumir uma loja com estrutura já montada e com uma carteira de clientes estabelecida é uma delas. Conhecer previamente os detalhes contábeis, como faturamento e lucro, é mais um ponto a favor. Mas é preciso tomar certos cuidados, principalmente no que diz respeito à saúde financeira e tributária da unidade que estiver sendo repassada.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo, quando uma pessoa assume uma franquia de segunda mão, a sucessão tributária é automática, mesmo com a mudança de CNPJ. Assim sendo, impostos como o INSS, ISS, ICMS, ICM e o IR passam a ser de responsabilidade de quem está assumindo os negócios. Se a franquia estiver inadimplente, o novo franqueado se tornará solidário à dívida, ainda que o estabelecimento tenha um novo registro. Por isso, é fundamental, antes de assumir uma unidade repassada, levantar certidões negativas em todos os órgãos (municipais, estaduais e federais), a fim de verificar se não há pendências.

negociar abatimento no valor total da franquia

- O fato de a empresa estar em débito não significa que o novo franqueado não possa se arriscar no negócio. Basta que ele negocie com o antigo dono um abatimento no valor da compra, compromentendo-se, assim, a quitar a dívida pendente - explica Camargo, acrescentando que, normalmente, a unidade é vendida por um valor maior do que o investido no começo do negócio. "Quanto maior o faturamento, mais alto será o valor de repasse", diz. Quem assume a unidade tem que pagar também a taxa de franquia. Segundo Camargo, é comum estabelecer em contratos de franchising a obrigatoriedade de que qualquer negociação de repasse seja feita com o conhecimento do franqueador. "Não pode ser qualquer um, o candidato tem que atender aos pré-requisitos."

O diretor presidente da Astral - especializada em eliminar pragas urbanas -, Beto Filho, afirma que, das 41 franquias da rede, quatro foram repassadas desde que o sistema de franchising teve início, há oito anos. O principal motivo para a desistência é a falta de tempo para cuidar da unidade. "Um dos franqueados, que já era do ramo farmacêutico, continuou abrindo farmácias e deixou de se dedicar ao negócio. Entramos em contato com ele e pedimos que pensasse na possibilidade de repassar. O mesmo ocorreu com um franqueado de Niterói que, por causa de sobrecarga na carreira de médico, tinha dificuldades em tocar as atividades da franquia mais de perto", conta o executivo.

- Quando a franquia é repassada, o valor de venda costuma ser maior que o montante investido na primeira transação - explica Filho. O investimento inicial - contando com a taxa de franquia de R$ 39 mil - chega a R$ 80 mil. No repasse, o valor é proporcional ao faturamento da loja. No caso da Astral o preço da unidade de segunda mão pode chegar a oito vezes o faturamento médio, atualmente em R$ 35 mil, ou seja, pode alcançar as cifras de R$ 280 mil. "Quem está comprando a franquia aceita pagar mais porque vai ter a vantagem de aproveitar todos os contratos já feitos pelo antecessor. Uma carteira que poderia levar quatro anos para ser montada fica disponível já no fechamento da compra da franquia", explica.

A consultora jurídica especializada em varejo e franchising, Melitha Novoa Prado, reforça: a cautela é a melhor aliada nessas horas. O empresário que resolve assumir uma franquia de segunda mão tem que verificar, além da rentabilidade do negócio, os balanços dos últimos anos. O ideal é que a unidade esteja livre de pendências trabalhistas ou tributárias. "As certidões negativas não dão garantia total porque pode haver pendências que ainda não constam nos cadastros, mas virão à tona um tempo depois". Para resolver o problema, a especialista sugere a contratação de uma auditoria. O preço do serviço, entretanto, é desanimador: pode chegar ao valor de R$ 30 mil. "Dá mais segurança, mas a maioria dos franqueados prefere se arriscar a pagar esse valor."

Franqueado do Giraffas, Dario Lira adquiriu duas unidades (Méier e Barra da Tijuca) das mãos de outra pessoa e não se arrepende do negócio. Contradizendo as tendências do mercado, o empresário pagou valores menores do que o que precisaria desembolsar se começasse do zero. "Paguei uma média de R$ 250 mil, com o ponto incluído, sem considerar a taxa de franquia, de R$ 40 mil. Se fosse abrir as lojas em um shopping, gastaria no mínimo R$ 400 mil", diz Lira, que checou todos os balancetes dos antigos donos antes de tomar a decisão. "O principal motivo alegado por eles foi a baixa lucratividade", resume. Ao assumir o negócio, Lira, que tem mais uma franquia, na Ilha do Governador, tomou medidas de saneamento, sendo a principal delas reduzir a folha de pagamento.

Na rede do Bob´s, com 407 unidades franqueadas, cerca de 2% foram repassadas, explica o diretor de marketing e expansão de franquia, Flávio Maia. Ele afirma que a transação ocorre, normalmente, quando o ponto dá bons resultados mas o ex-franqueado quer sair por motivos pessoais. "Nós ajudamos a escolher o novo franqueado", diz. Por outro lado, quando o ponto deixa de ser lucrativo, o repasse não aparece como solução. "Preferimos simplesmente fechar a loja, não vale a pena passar para outra pessoa."


Destaques da Loja Virtual
EMPRESA DE DOCES E SALGADOS

Este perfil tem como finalidade apresentar informações básicas a respeito da abertura de uma Empresa de Doces e Salgados. Serão abordados assuntos rel...

De R$8,00
Por R$6,00
Desconto de R$2,00 (25%)