SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 02/08/2005
Autor: Carolina Sanchez Miranda
Fonte: GAZETA MERCANTIL, 01/08/2005

A gestão de pessoas e a lucratividade

Os gerentes são os principais responsáveis pelo bom desempenho das equipes. A gestão de pessoas não é mais atribuição exclusiva do departamento de recursos humanos. "Gestor de pessoas é qualquer profissional que tenha uma equipe sob sua responsabilidade", diz Luiz Edmundo Prestes Rosa, presidente do CONARH 2005 - Congresso Nacional de Recursos Humanos, evento que começa hoje, em São Paulo. E é nesse sentindo que o desafio de selecionar, reter e renovar talentos dentro das organizações diz respeito à maior parte dos executivos hoje.

Mas nem sempre foi assim. Houve um momento, nos anos do pós-guerra, em que o sucesso das organizações dependia de sua capacidade de produzir e atender à demanda dos consumidores. Depois, nas décadas de 70 e 80, a qualidade era o diferencial necessário para atrair consumidores e clientes. Mas, a partir dos anos 90, a capacidade de produção e a qualidade dos produtos produzidos por indústrias de todos os setores praticamente se nivelou. Foi então que as pessoas e o conhecimento delas passaram a ser o diferencial competitivo das organizações. Conceitualmente, saímos da era industrial e entramos na era da informação.

Prestes Rosa considera que já atingimos a maturidade na gestão de pessoas no Brasil. Ele diz isso, levando em consideração um número significativo de organizações no País que tornaram o departamento de recursos humanos parte da diretoria e membro ativo do comitê consultivo. "Nós evoluímos muito, mas a visão estratégica da gestão de pessoas ainda está restrita a empresas de ponta, que possuem maior nível de maturidade nessa área", alerta um dos diretores da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Augusto da Costa Leite.

Segundo Costa Leite, é um desafio para os gestores de pessoas, sejam do departamento de recursos humanos ou não, fazer com que as empresas efetivamente reconheçam o capital humano como principal ativo da empresa. E é por isso que o maior evento da área no Brasil, o CONARH, tem como tema central este ano a "Hora de Agir e Realizar".

"Nem sempre as empresas têm as melhores práticas, mas é necessário trabalhar para que isso aconteça. E os responsáveis por fazer as mudanças são os gestores de cada equipe", ressalta Prestes Rosa. Já está comprovado que a capacidade dos gerentes influenciarem positivamente sua equipe tem papel determinante nos resultados financeiros de cada área. Assim, de acordo com estudos realizados durante 25 anos pela Gallup Organization com empresas do mundo todo, unidades diferentes da mesma empresa têm produtividade e lucratividade diferentes porque a percepção dos colaboradores muda de acordo com a gestão local de pessoas.

"Nossa pesquisa sugere que a relação imediata com o gerente é mais importante do que os benefícios oferecidos pelas empresas", afirma diz Gustavo Oliveira, managing partner da Gallup no Brasil. De acordo com as constatações registradas no livro "Primeiro Quebre Todas as Regras", escrito por Marcus Buckingham & Curt Coffman e publicado pela editora Campus/Elsevier, é o gerente quem define e permeia seu ambiente de trabalho. Se ele fixar expectativas claras, conhecer, confiar e investir na equipe, as pessoas poderão perdoar a empresa pela falta de um programa de participação nos lucros.

Mas se o relacionamento com o gerente for ruim, nenhuma massagem na cadeira de trabalho nem passeio do cachorro sob o patrocínio da empresa irá persuadi-lo a permanecer e ter um bom desempenho. É melhor trabalhar para um ótimo gerente numa empresa antiquada do que trabalhar para um gerente terrível numa empresa que ofereça uma cultura estabelecida e focalizada no empregado.

Na prática, muitas empresas já comprovaram isso. Oliveira conta que os projetos desenvolvidos pela Gallup no País reproduziram os resultados do estudo. "Ficou claro em uma instituição financeira, por exem-plo, que os bons resultados de algumas agências estavam diretamente relacionados à satisfação de seus funcionários". Prestes Rosa, que, além de presidir o CONARH, é diretor corporativo da rede hoteleira Accor, conta que a empresa acompanha o desempenho de cada hotel e percebe a mesma relação entre satisfação e resultados. "Por isso, procuramos incentivar cada gerente a trabalhar bem por meio de uma remuneração variável, que possibilita ganhos maiores."

Entre as organizações que já se conscientizaram da importância de motivar e incentivar funcionários para obter melhores resultados financeiros, figuram também empresas de pequeno porte, como a agência de publicidade QG. "Há seis meses implementamos um programa de qualidade de vida, como parte de um plano de negócios que pretende colocar a QG entre as maiores agências do País e já obtivemos resultados excelentes", diz Paulo Zoéga, sócio e vice-presidente de planejamento e atendimento da empresa. "Identificamos o talento e a atitude como as únicas ferramentas para atingir esse objetivo e conseguir superar a concorrência".

No primeiro semestre de 2005, a QG cresceu 104% em relação ao mesmo período do ano passado. De quebra, a agência subiu da 30º para 25º posição no ranking do setor. "Nesse ritmo, esperamos chegar ao 20º até o final do ano. Já premiamos o pessoal com a antecipação do 14º salário e caminhamos para premiá-los com o 15º", ressalta Zoéga, contando que os funcionários da QG estão bastante entusiasmados. "No primeiro mês não estávamos sentindo muito engajamento no programa, mas quando as pessoas perceberam que nossa iniciativa era verdadeira e não uma demagogia, tudo começou a mudar. Hoje somos chamados pelo pessoal para tomar café e discutir algum problema, quando ele existe.

O processo de elaboração do programa contribuiu para seu sucesso. "Juntamos grupos de trabalho para expor suas necessidades e montamos um programa que atende cinco áreas: saúde, lazer, engajamento social, recompensa e perspectiva de crescimento", explica Zoéga.

O programa de qualidade de vida começou esse ano, mas a tradição em valorizar seu capital humano acompanha a QG desde de sua criação, há 12 anos. "Sempre que existe uma vaga procuramos fazer uma seleção interna antes de buscar profissionais no mercado", diz Zoéga. Ele cita a história de duas funcionárias que cresceram junto com a empresa. Uma é a faxineira que hoje é assistente de produção e responsável pelo relacionamento com fornecedores e a outra é a recepcionista que passou a atuar na área de mídia. Elas, assim como todos os outros funcionários, cresceram com a ajuda do incentivo financeiro para não pararem de estudar.

kicker: CONARH 2005 começa hoje e coloca em discussão a importância da gestão de pessoas para o sucesso das empresas

kicker2: A agência QG investiu em um programa de qualidade de vida e cresceu 104% em seis meses, subindo cinco posições no ranking


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