SEBRAE/SC - Notícias para MPE's

 
  Data Inclusão: 07/03/2001
Autor: SEBRAE/SC
Fonte: Gazeta Mercantil

Internet é a nova aposta dos supermercados

Movimento é pequeno, mas empresas investem na imagem de modernidade conferida por lojas virtuais

Embora esteja ainda dando os primeiros passos em Santa Catarina, o comércio eletrônico já tem algumas experiências que podem ser consideradas bem sucedidas. As iniciativas mais consistentes, o portal Via Sebrae e os sites dos supermercados Angeloni e Hippo, ganham mais um adepto, com o ingresso na internet até o final deste mês da rede varejista Breithaupt. As vendas virtuais ainda são muito pequenas, mas as empresas apostam principalmente na questão da imagem, ligada à modernidade da internet, e à prestação de um serviço especializado, que conquista o cliente.

“A realização de negócios efetivos ainda é muito pequena, mas é uma opção que tem crescido, mostrando mais potencial na área do comércio entre empresas, o business-to-business, o B2B”, avalia o consultor de marketing Joel Fernandes, gestor do Via Sebrae (www.viasebrae.com.br). Segundo ele, a partir do segundo semestre de 1999 até o começo do ano passado houve muita euforia em torno dos negócios virtuais, que não se concretizaram em bons resultados. “Hoje percebemos o quanto é radical a inovação da internet, observando, por exemplo, que muitas das nossas pequenas e microempresas não têm sequer computador no seu dia-a-dia”, compara.

O Via Sebrae tem hoje 172 empresas em seu shopping virtual, das quais 22 se dedicam ao comércio direto com o consumidor, o business-to-consumer, o B2C. A maioria, 147, estão voltadas ao B2C – 20 são fornecedores e 127 compradores. Há ainda três “empresas virtuais”, que apresentam soluções automáticas de venda. “Hoje temos uma equipe vendendo o serviço que atua diretamente nos núcleos setoriais montados em todo o estado por meio do Projeto Empreender”, explica Joel.

Como o Empreender está organizado em núcleos de segmentos empresariais de pequenos e microempresários, como automecânicos, por exemplo, o Via Sebrae tem atuado no sentido de convencê-los das vantagens comerciais de atuarem em conjunto também na internet. “Temos conseguido bons negócios em compras conjuntas, que já chegaram a ter uma redução de até 16% em alguns casos”, conta o gestor. Um dos próximos objetivos do portal é promover leilões virtuais, reunindo vários fornecedores que oferecerão seus produtos a um conjunto de compradores que, obviamente, vai optar pelo menor preço.
A rede varejista Breithaupt, empresa com sede em Jaraguá do Sul, está terminando a fase de testes de sua loja virtual que estará no ar até o final deste mês com cerca de 3 mil itens nas linhas de máquinas, ferramentas e artigos para construção civil.

O site www.hiperb.com.br, ainda em fase de construção, no qual estão sendo investidos R$ 500 mil, estará vinculado ao portal www.viasebrae.com.br e fará vendas em todo o estado de Santa Catarina. “Este será mais um canal de distribuição dos nossos produtos”, anuncia o diretor comercial Roberto Breithaupt.

O sistema de logística, segundo ele, será fundamental para o sucesso e a conseqüente expansão do serviço. Além de ter no sistema a sua rede de filiais – em Guaramirim, Joinville, São Bento do Sul, Mafra e Brusque – a partir da sede, em Jaraguá, será acionada a frota própria de caminhões da empresa, que hoje cobre 40 municípios do estado, e uma transportadora, que entregará as mercadorias fora da área de alcance da distribuição própria.
“Cerca de 95% a 96% dos pedidos vão sair da matriz no mesmo dia em que forem feitos, porque é lá que se concentra o nosso estoque, que deverá ser entregue com rapidez, conforme a distância do clientes”, explica o diretor. Breithaupt diz que os Correios não fazem parte da logística por não se enquadrarem no perfil dos produtos que serão comercializados. “Fica estranho mandar uma betoneira pelo Correio”, compara, em tom bem-humorado.
O modelo que está sendo adotado no comércio eletrônico é o mesmo que a empresa colocou em ação há cerca de dois anos no seu sistema de televendas. O objetivo da loja virtual, segundo o diretor, é o mesmo: estar presente em todas as cidades de Santa Catarina onde a rede não tem loja física. “Com o televendas aprendemos a superar os principais problemas, que são de logística, de como fazer a mercadoria chegar ao cliente”, conta.

Ele prefere não falar em expectativa de faturamento, já que encara o negócio virtual como uma nova empreitada, da qual está partindo do zero. “Vamos experimentar”, define. “Se fosse fácil teríamos um monte de lojas virtuais funcionando, mas sabemos que muitas não conseguiram atender a demanda”, conta, ao falar das pesquisas sobre o assunto e de casos de sites semelhantes que conheceu.

Há oito meses uma equipe de 10 pessoas está trabalhando na loja virtual HiperB, principalmente avaliando vantagens e desvantagens de vários modelos. Quando estiver em funcionamento, o site terá apenas uma equipe própria para o gerenciamento do negócios. As demais etapas do trabalho serão feitas pelas equipe que a rede Breithaupt já tem. “Ainda não podemos falar em prazo, mas assim que a situação permitir vamos estender nossa área de vendas também para o Paraná e para o Rio Grande do Sul”, prevê Roberto Breithaupt.

Angeloni

Enquanto a empresa de Jaraguá do Sul ganhou experiência em televendas e depois de experimentar técnicas de logística para a internet, o Angeloni, uma das principais redes de supermercados de Santa Catarina, faz o caminho inverso. Na web desde julho de 1996, embora as vendas online só tenham começado em setembro de 1999, o Angeloni estuda o lançamento de um sistema de vendas por telefone, a partir da experiência conseguida na internet.
“Ainda não temos data definida, mas o nosso próximo passo será estruturar também a venda por telefone”, revela o gerente do Clube Angeloni, Cyd Lucena. Segundo ele, o movimento no site não chega atualmente a 0,5% do volume total das vendas da rede, mas o investimento – de cerca de R$ 500 mil de agosto de 1999 a janeiro de 2001 – compensa porque é um serviço a mais prestado ao cliente, que de alguma forma tem um retorno de marketing.
Em janeiro o Angeloni terminou o processo de inclusão no sistema de vendas online de Criciúma, Tubarão, Laguna e Lages, as praças que ainda não tinham o serviço disponível. Em Joinville, Jaraguá do Sul e Brusque o serviço foi implantado em agosto do ano passado, enquanto em Blumenau ele funciona desde abril de 2000. Em Florianópolis o serviço está no ar desde setembro de 1999. “Pelo lado mercadológico, a presença do Angeloni na internet é uma conseqüência natural, já que foi o primeiro supermercado de Santa Catarina a ter um site, em julho de 1996”, conta Cyd.
Os clientes que fazem compras pela internet gastam, em média, três vezes mais que aqueles das lojas físicas. “Em cidades maiores, como Blumenau e Florianópolis, essa média chega a ser quatro vezes maior”, comenta o gerente do Clube Angeloni. O site tem disponível cerca de 12 mil itens – nas lojas físicas, como a de Capoeiras, em Florianópolis, pode chegar a 25 mil itens. Não há, segundo ele, um produto campeão de vendas, mas os mais requisitados são aqueles que trazem comodidade e praticidade, o mesmo perfil do usuário de internet. “Os alimentos congelados representam bem essa linha”, exemplifica.
Para comprar no site do Angeloni, o internauta deve ser sócio do Clube Angeloni, ou seja, ser cadastrado numa das lojas físicas da rede. Depois de aprovado o cadastro, paga uma taxa de manutenção de R$ 2,00 em cada compra e uma taxa de entrega em domicílio que varia, conforme a distância, de R$ 3,00 a R$ 10,00. Em Joinville, no entanto, não há cobrança de taxa de entrega, mas o cliente deve fazer uma compra de pelo menos R$ 70,00.

Hippo

O HippoNet, loja virtual do supermercado Hippo, que atende na região da Grande Florianópolis, acredita nos negócios virtuais. Tanto que, para este ano, está prevendo dobrar as vendas pelo site www.hippo.com.br. “De 2,5% do volume das vendas gerais da nossa loja, vamos dobrar em 2001 para 5,5%”, revela o gerente do Hippo Delivery, Giovano Marcos Engel. Segundo ele, uma compra média na internet varia de R$ 170 a R$ 180, quase oito vezes maior que a média da loja física, que varia de R$ 20 a R$ 25.
O Hippo Delivery já deu o passo que Breithaupt e Angeloni ainda estão ensaiando, unindo internet e televendas. “Hoje o telefone é muito mais acessível à maioria da população do que a internet”, constata Giovano. O atendimento pelo telefone 0800 48 03 04, segundo ele, tem um volume de 42% a 58% maior do que na web. Um serviço, no entanto, complementa o outro. “O atendimento ao cliente se completa, já que atendemos pessoas com realidades e necessidades diferentes.”

Na web desde novembro de 1999, o Hippo foi o primeiro a vender pela internet em Santa Catarina e o quarto do Brasil na área de supermercados virtuais, investindo R$ 100 mil no comércio eletrônico. “O resultado vale a pena se levarmos em conta o custo-benefício e também um valor intangível como a imagem de modernidade que o site dá à empresa”, avalia Giovano. “Florianópolis tem uma das mais altas taxas de pessoas conectadas per capita no Brasil, por isso o negócio é viável.” Já atuando em São José, o HippoNet deve atender também em breve Biguaçu e Palhoça.

Hoje a loja virtual tem cerca de 9 mil itens, aproximadamente 80% deles ilustrados com fotografias. O cliente paga uma taxa que varia de R$ 3,00 a R$ 10,00 conforme a distância da entrega, mas deve comprar no mínimo R$ 40,00. O banco de dados da empresa tem 7 mil clientes cadastrados para as compras pela internet ou pelo telefone que, dentro de 90 dias, passarão a receber o cartão de fidelidade Hippo. “Já definimos que o cartão será implementado ainda no primeiro semestre de 2001, só falta decidir os benefícios que vai dar ao cliente”, conta o gerente.

Autor(a):Adauri Antunes Barbosa


Destaques da Loja Virtual
EMPRESAS FEITAS PARA SERVIR

Empresas feitas para servir defende a necessidade de uma mudança profunda na filosofia e na prática dos negócios. Você irá entender que o que permite ...

R$23,00