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  Data Inclusão: 14/11/2006
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI
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Visa negocia parceria e busca atingir mercado de pequenas

Objetivo é incentivar o uso dos meios eletrônicos de pagamentos pelas micro e pequenas empresas

De olho em um mercado potencial estimado em R$ 120 bilhões, a Visa do Brasil, em conjunto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), está estudando uma nova maneira de conceder crédito para empresas de pequeno porte: utilizar o histórico de gastos com cartões de débito para estabelecer um limite de crédito para fins específicos.

"De acordo com a movimentação financeira de uma pequena empresa, o banco estabelece um valor para a compra de algum bem como eletrodomésticos de linha branca, por exemplo, a um prazo de 18 meses", explica Eduardo Chedid, vice-presidente de produtos da Visa Brasil.

Outro dado apresentado por Chedid mostra que poucas empresas que já possuem conta em banco conseguem crédito junto aos bancos. "Cerca de 80% das micro e pequenas empresas têm conta em banco no Brasil. Mas somente 28% têm acesso a alguma linha de crédito", conta. A Visa possui em sua base cerca de 650 mil cartões de débito, com um volume de operações de cerca de US$ 350 milhões por ano somente neste segmento. "Hoje, nós atingimos um faturamento total de R$ 4,8 bilhões por ano, com 900 mil clientes em carteira entre cartões de débito e crédito. Além disso, fizemos um estudo que mostra que o potencial deste mercado é de aproximadamente R$ 120 bilhões em gastos que poderiam ser pagos com cartões de crédito ou débito. Há um espaço enorme para crescimento", conta Chedid. O objetivo também é incentivar o uso dos meios eletrônicos de pagamentos pelas micro e pequenas empresas. Muitas delas ainda resistem a usar cartões de crédito e débito, por conta dos receios com a segurança das operações.

O vice-presidente da Visa afirma que a forma de se analisar o risco de crédito também deve ser modificado no Brasil. "Aqui, nós olhamos muito para o passado de uma empresa ou de uma pessoa para estabelecer um limite. Mas talvez o melhor seja olhar para o futuro. Se uma empresa de autopeças tem um contrato de fornecimento para uma grande montadora, por exemplo, não há porque deixar de financiá-la. Torna-se até mais interessante para os bancos". Segundo Chedid, este instrumento de análise pode ser um passo para que esta mudança ocorra dentro das instituições financeiras brasileiras.

O modelo já funciona nos Estados Unidos, Europa e também em alguns países da América Latina, como o México. "Mesmo havendo, em muitos deles, a análise através do cadastro positivo, este é um instrumento fundamental para inclusão bancária para as empresas que estão nascendo. Afinal, elas não possuem nenhum tipo de histórico".

Chedid conta que Visa e Sebrae estão estudando a importação do modelo para o Brasil há cerca de um ano, e que agora começa uma nova fase: convencer os bancos a viabilizarem as operações. "Nós sabemos das dificuldades que as pequenas empresas têm para ter acesso ao crédito. E também sabemos que há algumas barreiras em relação a informações, que atrapalham os bancos neste processo. E é neste ponto que o Sebrae é importante para fazer esta ponte entre as duas partes".

O vice-presidente da Visa espera que o novo modelo seja implementado no Brasil em dois anos. "A partir daí, queremos começar um projeto piloto para ver como este novo produto se comporta. Acreditamos que seja uma alternativa para a inclusão bancária de várias empresas que hoje estão fora do sistema".

A inclusão bancária é um dos temas mais discutidos atualmente pelas próprias instituições financeiras. No 40º Congresso da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban), que está sendo realizada no Rio de Janeiro, esta é uma das principais discussões. "Para os bancos, é muito interessante que haja cada vez mais clientes na base, pois assim nós conseguimos aumentar a receita de tarifas sem que o valor desta seja reajustado", afirma o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Bradesco, Márcio Cypriano.

O Bradesco possui, atualmente, 110 mil cartões emitidos para micro e pequenas empresas, com um faturamento anual de aproximadamente R$ 700 milhões.

Atualmente, existem cerca de 4,5 milhões de micro e pequenas empresas no País, de acordo com dados do Sebrae. E este número vem crescendo cerca de 7% ao ano, com o número de novas companhias superando as que são fechadas.

"Nós estamos há sete anos com o foco voltado às micro e pequenas empresas. Não diria que houve uma mudança de estratégia de nossa parte, mas um ajuste. Nós tivemos que dar mais atenção para outro segmento, sem deixar de lado as grandes companhias", explica Chedid.


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