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  Data Inclusão: 14/05/2001
Autor: SEBRAE/SC
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO
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Consignação é primeiro passo para quem está começando negócio

Colocar um produto no mercado é, sem dúvida, a maior dificuldade para quem está começando a vender artesanatos ou artigos de culinária de fabricação própria. É nessa hora que as vendas em consignação podem ajudar.

Como o capital ainda não é suficiente para montar um negócio próprio nem há clientes interessados em comprar os produtos, a saída pode ser deixá-los nos estabelecimentos comerciais e receber após a venda.

Parece simples, mas é preciso estar atento a alguns detalhes, como datas de pagamento, margem de lucro que a loja terá sobre o valor da mercadoria e responsabilidade por possíveis danos (leia no quadro abaixo).

Para a artesã Reila Salazar, 43, as vendas em consignação garantem 50% de seu lucro mensal, o que representa cerca de R$ 700 líquidos por mês, montante que recebe de duas lojas de decoração.

Lá ela deixa peças como bandejas, quadros e relicários, com desconto de 20% para o lojista. Um trabalho, por exemplo, que seria vendido a R$ 10 por encomenda, sai por R$ 8 no sistema de consignação. A margem que o estabelecimento comercial coloca sobre o produto fica a critério da loja.
Windson de Oliveira, 25, que vende trufas, diz que o sistema foi o primeiro passo para formar clientela. "Hoje sou fornecedor dos clientes com quem comecei trabalhando em consignação e chego a tirar R$ 500 por mês"

Margem de lucro
Na opinião de Francisco Guglielme, 44, da F. Guglielme Consultoria, recomenda-se, em alguns casos, discutir a margem de lucro para evitar encalhe de produtos. O mais comum é que a loja trabalhe com de 25% a 30%.

"Algumas vezes, a margem de lucro chega até a 100%, mas aí existe o risco de o produto encalhar. Por isso é recomendável firmar um contrato", afirma Gabriel Navarro Alonso, 68, advogado da área cível que cuida de alguns processos de consignação.

Segundo a juíza Mônica de Carvalho, 35, diretora do Juizado Especial Cível Central da capital paulista, das 120 causas que entram por dia no juizado, "uma ou talvez nenhuma" está relacionada com casos de consignação. "Isso porque geralmente são problemas com amigos ou parentes. Então, eles são relevados."

Obstáculos são crescimento do negócio e danos

Nem tudo são flores para quem vende no sistema de consignação. Segundo a artista plástica Sibely Lage Marques, 42, que vendia bijuterias e hoje trabalha com artigos infantis, o retorno é lento, e a dificuldade para encontrar uma loja que venda bem, grande.

Atualmente, ela deixa mostruários de seus artigos em algumas lojas e espera pelas encomendas, que representam 90% de suas vendas.

Em consignação, Marques trabalha somente com a loja de uma amiga, em Moema (zona sul de São Paulo). "Nas outras, costumo apenas deixar mostruários e cartões."

Já o artista plástico Wagner Novaes, 32, avalia que a falta de cuidado de alguns lojistas com as obras de arte ou mercadorias expostas pode prejudicar esse sistema de vendas.

"O lojista tem de ter cuidado e assumir a responsabilidade por eventuais danos", diz.

Cândida Diniz, 51, microempresária especializada em jóias, conta que o crescimento do negócio foi o que impossibilitou manter vendas em consignação. "Não dava mais para controlar o volume de peças. Abrimos uma loja própria." Para ela, a danificação de produtos é a principal dificuldade desse tipo de venda.


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