SEBRAE/SC - Notícias para MPE's

 
  Data Inclusão: 02/03/2007
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Comércio

Financiamento é opção para franqueados

Empresários, no entanto, devem avaliar prós e contras de começar o negócio com dívidas

Das 971 redes filiadas à Associação Brasileira de Franchising (ABF), 93 mantêm convênio com o Banco do Brasil e 10 com a Caixa Econômica Federal para permitir que os candidatos a franquias possam tentar obter crédito com as instituições financeiras para ajudar na abertura da primeira unidade. De acordo com consultores, esse tipo de convênio facilita a vida de quem quer abrir uma franquia, no entanto, o futuro franqueado deve avaliar os prós e os contras de começar um negócio com dívidas.

Segundo informações da ABF, Bob"s, Kopenhagen, Chilli Beans, O Boticário e Wizard estão entre as empresas conveniadas com o BB. Já a Caixa escolheu como parceiros Embelleze, Microlins, Number One e Bit Company, entre outros. Para oferecer a facilidade para os futuros franqueados, os franqueadores apresentam seu plano de negócios ao banco, com itens como investimento inicial, prazo de retorno e faturamento médio mensal, e apresentam o candidato à franquia para pleitear o financiamento, desde que este tenha sua análise de crédito aprovada.

A vantagem de utilizar financiamento para abrir a franquia é mobilizar o menor capital próprio para compra de insumos e equipamentos, deixando que o investimento inicial disponível pelo franqueado seja usado como capital de giro. A quantia também pode ser direcionada para o treinamento de pessoal ou marketing da empresa, aponta o coordenador do Programa de Estudos Avançados em Pequenos Negócios, Empreendedorismo e Microfinanças (Small) da Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ), Francisco Barone. No entanto, analisa o consultor, o empresário deve sempre trabalhar com o risco de a unidade, inicialmente, não render o esperado.

"Se a rentabilidade for ruim, o empreendedor não vai ter recursos para pagar o empréstimo. Com isso, ele pode entrar numa bola de neve de endividamento", explica Barone, lembrando que o faturamento projetado pelo franqueador nem sempre corresponde à realidade do mercado.

Carência. Por isso, o especialista diz que quatro pontos devem ser observados com muita cautela antes de adquirir o financiamento. Prazo de pagamento, montante do capital inicial adquirido como empréstimo e, principalmente, taxa de juros e carência, porque são esses itens que darão mais segurança ao empresário para começar a quitar as parcelas do crédito. "Quanto maior a carência, mais tranqüilidade o empreendedor tem para amadurecer a unidade franqueada e gerar recursos para o pagamento da dívida. O ideal é que o empreendedor financie, no máximo, até 60% do capital inicial para comprometer o menor valor possível do faturamento em dívidas", destaca.

Há dois meses, Fábio Bonchristiano abriu a franquia Kopenhagen do Brooklin, em São Paulo, com 30% dos R$ 290 mil investidos financiados. O empréstimo foi tomado pela principal linha de crédito do Banco do Brasil para abertura de pequenas e microempresas, o Proger Urbano Empresarial. O programa concede crédito com TJLP de 6,40% mais juros de 5,15% ao ano, resultando em taxa mensal de 0,96% ao mês, com a carência de até 12 meses e prazo de pagamento de até 72 meses.

"Fiz estimativa do mínimo que poderia faturar baseada na formatação do franqueador e nas condições do empréstimo para saber se era válido começar o negócio dessa forma. No segundo mês, meu faturamento bruto confirmou o que tínhamos planejado. Se quisesse, hoje já poderia pagar a primeira parcela do empréstimo, mas, como os juros são muito baixos, prefiro investir o dinheiro, por exemplo, em marketing, e começar a pagar somente daqui a dez meses, quando termina o período de carência", explica Bonchristiano, que foi executivo do Bank Boston.

O consultor André Luís Soares Pereira, diretor do Grupo Soares Pereira, concorda com o franqueado. Para o especialista, pelo fato de os juros serem baixos, não vale a pena começar pagar a dívida antes da data estipulada pelo banco. Para o consultor, é a análise de rentabilidade do negócio que vai dizer se vale a pena ou não começar o novo empreendimento com dívidas, ainda que o número fornecido pelo franqueador não seja totalmente real.

Faturamento bruto. Barone, da FGV/RJ, explica que o ideal é que a parcela da dívida já esteja atrelada ao faturamento bruto do empreendimento, mesmo que este valor seja apenas uma estimativa. Com isso, o empresário já está ciente de que o parcelamento do financiamento é uma despesa do negócio. Ou seja, o próprio fluxo de caixa, em tese, ajudará o empresário a administrar o pagamento da dívida.

Cristián Carlos Çaró, sócio da franquia Wizard Maracanã, no Rio, adquiriu empréstimo de R$ 120 mil para complementar o investimento inicial de R$ 240 mil e abrir uma segunda unidade, em Vila Isabel, há quatro anos. O empresário diz que a linha de crédito, também do Banco do Brasil, tinha juros bem acima do que oferece o Proger. "Se o empresário optar por começar um negócio com dívida, o ideal é que ele use uma linha de crédito com as condições semelhantes ao Proger", sugere.

Mesmo com juros mais altos, Çaró diz que conseguiu quitar a dívida antes do prazo de três anos. A estratégia adotada pelo empresário foi usar parte do lucro da unidade Maracanã, que já existia há três anos, para pagar o empréstimo tomado para abrir a unidade Vila Isabel. "Independentemente do apoio do franqueador, é muito importante buscar uma consultoria antes de optar por investir no negócio por meio de linha de crédito", sugere.

Em fevereiro, Vanessa Alcici inaugurou uma unidade Microlins em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, com 50% do capital inicial adquirido em empréstimo da Caixa Econômica Federal. A empresária diz que pesou com um consultor as condições de pagamento do empréstimo e a rentabilidade oferecida pelo negócio. "Um amigo economista me mostrou que o faturamento apontado pela rede e a taxa de juros do banco favoreciam começar o negócio dessa forma", explica a empresária, que pegou R$ 67 mil para quitar em 36 meses, com carência de seis meses.

José Schwartz, da Schwartz Consultores, faz coro com os consultores. Para ele, se o plano de negócio mostrar condições satisfatórias para viabilidade da franquia e os números do empréstimo forem na linha do BB e da Caixa, o risco de começar o negócio por meio de empréstimo é reduzido. "Na França e em outros países europeus é comum começar uma franquia a partir de empréstimos", finaliza.

Serviço

ABF, www.abf.com.br

Banco do Brasil, www.bb.com.br

Caixa Econômica, www1.caixa.gov.br

FGV/RJ, baronefgv.gov.br

Schwartz Consultores, 0xx21-2544-3417

Soares Pereira Consultores, consultoriasoarespereira.com.br


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