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  Data Inclusão: 13/02/2001
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Brasil importa modelo italiano de comércio exterior

Oito pequenas e médias indústrias da região de Bolonha, na Itália, estão investindo cerca de US$ 1 milhão para criar, em São Paulo, uma empresa de importação e distribuição de peças, componentes e acessórios para máquinas operatrizes. "Teremos estoques para pronta entrega, uma grande vantagem em um mercado que só é atendido por encomendas. O diferencial é vender produtos italianos, cuja qualidade é reconhecida em todo o mundo", explica o ítalo-brasileiro Ruggero Sileci, sócio-diretor do Gruppo Cime.


O governo brasileiro quer fazer desse exemplo um modelo para atrair pequenas e médias empresas para o comércio exterior, dominada por poucas e grandes corporações. A Agência de Promoção de Exportações (Apex) e o Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) vão organizar, em março, um curso de formação para diretores de consórcios de exportação para mostrar a experiência dessas associações, tradicionais na Itália. "É preciso adaptar o modelo italiano às condições do país. O empresário brasileiro vê o concorrente como inimigo. Também é preciso investir boa parte dos lucros em tecnologia e pesquisa", diz Andrea Ambra, diretor-superintendente para o Brasil do ICE.


"Os consórcios italianos devem inspirar os empresários brasileiros, mas, para facilitar as exportações, o governo deve reduzir a burocracia e garantir financiamento", recomenda Sileci. As oito indústrias italianas que controlarão a Gruppo Cime integram o Consórcio de Exportação de Mecânica Especializada da Emilia-Romagna. Elas captaram US$ 1 milhão da Câmara de Comércio de Bolonha e terão oito anos para pagar, com juros de 1% ao ano. "O mercado brasileiro é interessante porque tem potencial, falta tecnologia e a concorrência é pulverizada", diz Sileci.


A Gruppo Cime tem apenas seis pessoas trabalhando no Brasil. A expectativa de faturamento é de R$ 700 mil para este ano, mas Sileci projeta vendas de R$ 3 milhões em 2003.


O ICE revela que está crescendo o interesse de pequenas e médias empresas italianas pelo potencial do mercado brasileiro, ampliado pelo Mercosul. "Além de encontrar mão-de-obra e custos competitivos, alguns projetos também farão do país uma base exportadora", diz seu dirigente.


A Pakerson, indústria de calçados masculinos da região de Florença, assinou em 17 de janeiro um acordo com a Democrata, de Franca. Metade da produção anual de 10 mil pares será exportada para os EUA. O custo de produção chega a ser 40% mais baixo que o da Europa. "Os empresários italianos não conseguem contratar mão-de-obra qualificada na Itália pagando salários inferiores a R$ 1,5 mil por mês. Mesmo assim, o custo dos encargos sociais para o empregador é equivalente a R$ 3 mil", explica Ambra.


Ambra afirma que a Natuzzi, líder mundial do segmento de móveis estofados em couro, também escolheu o Brasil como base exportadora para os EUA.


O diretor-geral da Natuzzi Bahia, Fernando Vitale, diz que o investimento é de R$ 15 milhões e serão criados 700 empregos. Toda a produção anual (160 mil assentos) será vendida no mercado da Costa Leste americana. A fábrica da Natuzzi em Shangai atende a Costa Oeste dos EUA. "A decisão de investir na Bahia foi tomada em janeiro de 2000. México, China e EUA também estavam nos planos, mas o Brasil foi escolhido por causa dos preços do couro, da madeira e da mão-de-obra", diz Vitale.


O Estado de São Paulo perdeu a fábrica da Natuzzi porque a Bahia ofereceu terreno, flexibilidade na transferência de créditos de ICMS e garantiu o apoio do Senai para o treinamento dos empregados. O município de Simões Filho deu isenção de dez anos no IPTU. Vitale afirma que a logística também foi importante porque, em 12 dias, os navios podem levar os estofados até Nova York. A fábrica está sendo construída no Centro Industrial de Aratu, região metropolitana de Salvador. São 76 mil metros quadrados que estão em fase de terraplenagem. A obra terá início em fevereiro e a inauguração será em julho, mas já começou a produção, em caráter experimental.


A Natuzzi italiana fica em Santaremo, região de Bari. 95% dos estofados que ela produz são em couro. Ela é líder mundial nesse segmento e tem 30 a 40% do mercado americano. Empregam 3,5 mil pessoas na Itália e produzem 11 mil assentos por dia.


A fabricante de armações para óculos Marcolin também decidiu recentemente que o mercado brasileiro tem potencial para evitar que a importação e a distribuição fiquem com intermediários. Marcello Reverzani, diretor-geral da Marcolin do Brasil, afirma que o segmento de óticas ainda é muito fracionado e isso exige que o fabricante esteja próximo do consumidor e do varejo. O objetivo é adaptar preço e produto ao mercado. "A associação do setor estima que o mercado de armações para óculos cresce 6% ao ano, mas em 2001, essa taxa será de 15%", diz Reverzani.


A Marcolin tem quatro fábricas de armações para óculos. A sede fica na região de Veneza, com 100 empregados. Além de outras duas unidades (na Itália e na França), a empresa iniciou a produção em Hong Kong. Por enquanto são 30 empregados. "O projeto é levar máquinas italianas e alemãs, matéria-prima (metal e plástico) francesa e alemã e cinco técnicos italianos que vão orientar a montagem dessa linha de armações mais econômicas, mas de primeira qualidade", explica Reverzani.


A estimativa "conservadora" que a Marcolin faz do provável faturamento em 2001 é de R$ 6 milhões na venda de 50 mil peças. Mas, Reverzani acredita ser possível vender algo entre 80 mil e 100 mil peças ou R$ 12 milhões. O investimento nessa modesta estrutura de comercialização no Brasil será de R$ 2,5 milhões, incluindo ações de marketing. Em 2000, a Marcolin fabricou 2,5 milhões de peças, faturando aproximadamente US$ 110 milhões.


Reverzani afirma que a decisão de montar uma estrutura no Brasil foi em setembro. Houve dificuldade para obter informações confiáveis do mercado. "O processo de abrir empresas no Brasil é demorado. Na Itália é muito mais fácil e isso ajuda a economia do país."


O Brasil é o segundo maior mercado mundial de recuperação de pneus - atrás dos EUA - e essa condição convenceu os dirigentes do grupo italiano Marangoni a investir R$ 40 milhões na instalação de uma fábrica de anéis pré-moldados. Serão criados 140 empregos no município de Lagoa Santa (MG), próximo do Aeroporto de Confins.


Dary Fernando Figueiredo, diretor comercial da empresa, revela que a expectativa de faturamento para este ano é de R$ 9 milhões. Um terço da produção será exportado para a América Latina. A sede do grupo é em Verona. Trabalham com todo o ciclo de produção da borracha. Produzem pneus, máquinas e equipamentos para recuperação sem emendas. Também atuam na geração de energia com o material descartado.


A Scala Máquinas, revendedora de Bento Gonçalves (RS), uniu-se à Lorenzoni Cavaliere Remo (LCR), indústria média de Castelo D'Argile (região de Bolonha), para criar uma pequena linha de produção de máquinas para embalagens destinadas ao setor moveleiro. "Foi usada uma linha de crédito da Comunidade Européia para investimentos fora da Europa.", diz Paulo Henrique Dytz, sócio da Scala.

Autor(a): Arnaldo Galvão


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