Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 11/08/2006
Autor: Jornal do Commércio

Fábricas de lingerie têm sucesso maior quando o estilo é diferenciado

Segmentar é o primeiro passo DANIELLA BOTTINO

Proprietário da Canela Lingerie há um ano e três meses, Augusto Medeiros é um exemplo típico de pequeno empresário que vem dando certo. Outros exemplos semelhantes podem ser vistos na Feira Brasileira de Moda Íntima (Fevest), em Nova Friburgo, que será encerrada amanhã. Dono de uma confecção com apenas nove funcionários, Medeiros resolveu largar o mercado financeiro e partir para o seu próprio negócio, na área de lingerie. O empreendedor que quiser seguir os passos dele não deve só contar com o investimento inicial que beira a casa dos R$ 110 mil. Pesquisa de mercado, foco em um determinando tipo de público e de segmento e conhecimento da área são fatores determinantes para o sucesso.

Quem pensa em abrir uma confecção de lingerie também deve se preocupar com a escolha certa e o número adequado de equipamentos. Seis máquinas de costura, máquinas para montagem e acabamento e de corte são peças fundamentais dentro de uma pequena empresa. Ser filiado à Junta Comercial e a um sindicato local e saber escolher as profissionais com que trabalhar também. Depois, vem o mais difícil: correr atrás dos clientes. Os contatos podem ser feitos por telefone, mala-direta, pessoalmente e também em eventos de negócios, como a Fevest.

História que Medeiros viveu recentemente e que conhece muito bem. Fabricando peças íntimas com um toque fashion, ele hoje já tem clientes espalhados pelas mais diversas capitais do País, como Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Focar a produção em um tipo de público e em um estilo foi a solução encontrada para conseguir atrair lojistas de todo Brasil. "Resolvemos fazer lingeries mais sofisticadas, voltadas para as mulheres das classes A e B. Elas gostam de conforto e querem peças de qualidade e essa é a nossa principal característica", frisa.

Pesquisa prévia e plano de negócios são importantes
Para Renato Regazzi, gerente da área de desenvolvimento industrial do Sebrae/RJ, Medeiros seguiu os passos certos no processo de abertura da sua empresa. "É muito importante fazer uma pesquisa antes de abrir o negócio e também entender de lingerie. Depois, tem que estudar como é a fabricação e fazer um plano de negócios. Colocado tudo no papel, é a hora de começar a investir em capacitações e, finalmente, abrir o negócio", resume Regazzi. Dificuldades que Mahmoud Mazloum, proprietário da Máscara Moda Íntima, e Rita Tardin, da Tardene Lingerie, estão enfrentando há tempos, mas que não tiram seus ânimos.

"O mercado está oscilante. O dólar baixo afetou todas as exportações e o ano também foi bastante complicado, principalmente nos últimos três meses. A expectativa é que o segundo semestre seja bem melhor", conta Mazloum. A concorrência desleal é, segundo Rita, o principal obstáculo que as confecções de moda íntima têm que enfrentar.

"Os produtos da China chegam aqui com um preço muito mais baixo e acabam atraindo boa parte dos compradores. Lógico que, depois, eles percebem a baixa qualidade, o acabamento ruim e não compram mais, mas os produtos chineses tiram uma boa parcela da nossa clientela", revela Rita, há 15 anos no mercado. Já para Medeiros, da Canela, o principal obstáculo não são os produtos chineses, mas sim a busca pelos comerciantes, que reclamam dos preços e das dificuldades para a obtenção de financiamentos. "Tem muito lojista que poderia comprar mais, e não o faz por não ter dinheiro.

A nossa esperança é de que o segundo semestre seja melhor, que a proximidade do Natal faça com que as pessoas comprem mais", ressalta. Focar em design e oferecer produtos com acabamentos diferenciados são, para Medeiros, as melhores formas de combater os produtos chineses de baixo valor agregado. "Tem que ter um toque brasileiro, algo que mostre a nossa qualidade e a nossa criatividade. E é isso o que tentamos fazer com a nossa lingerie", explica.

Enquanto o mercado nacional parece mais lento que o habitual, Mazloum, da Máscara, vai apostando nas exportações para países como Angola, África do Sul, Estados Unidos, Canadá, Espanha e Portugal. "Esses locais recebem muito bem a nossa lingerie, mas ainda há um caminho grande para trilhar em termos de exportação. Temos outros países para conquistar e firmar, de vez, o nome internacional. Aos poucos, vamos conseguindo", conclui.


* A repórter viajou a convite da organização da Fevest Banco do Brasil dá suporte a pequenos empresários
Abrir uma pequena empresa não é fácil, mas com ajuda a chance de dar certo aumenta. É essa ajuda que o Banco do Brasil procura oferecer aos pequenos empreendedores. Financiamentos de até 80% podem ser adquiridos para a abertura do negócio, com taxas de juros de 1% ao mês. Segundo Alberto Stassen, gerente negocial na Superintendência Estadual do Banco do Brasil, que participa da Fevest, ajudar médias, pequenas e microempresas significa ajudar o País. "São eles os maiores empregadores e também uma das maiores fontes de renda do Brasil. Damos apoio na abertura, na compra de máquinas e equipamentos. É uma forma de fazer o País crescer também", frisa.

O empreendedor interessado em abrir o seu negócio deve procurar o Sebrae local ou fazer um cadastro no próprio banco com documentos como contrato social, o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e plano de negócios que inclua projeção de faturamento. Para Stassen, o período difícil dos negócios de menor porte é passageiro e deve melhorar daqui para a frente.

"Acredito em melhoria para o segundo semestre, com a queda das taxas de juros. A aprovação da Lei Geral das Pequenas e Microempresas também deve acontecer, o que vai representar um passo adiante para o setor, com benefícios na área fiscal, facilidades nos processos de abertura e fechamento de negócios e simplificação dos impostos", conclui o gerente negocial da Superintendência Estadual do Banco do Brasil.


Raio X

Confecção de moda íntima

Investimento inicial: R$ 110 mil
Faturamento médio mensal: R$ 20 mil
Margem de lucro: de 10% a 20% do faturamento bruto
Tempo de retorno do investimento: 24 meses
Número de funcionários: 10 funcionários
Área: 30 metros quadrados

Risco: alto. Na avaliação de Alain Guetta, da Guetta Franchising, o grande desafio do setor de confecção de moda íntima é comercializar, distribuir e criar uma marca que fique na mente do consumidor. Entrar no mercado e começar a produzir, segundo o consultor, é mais fácil do que distribuir o produto e construir sua marca. "A capacidade de produção é abundante e coadjuvante. O mais importante é conseguir canais de distribuição, comercialização e identificação com o cliente", avalia.

SERVIÇO
Canela, 0xx22-2526-4375
Máscara, 0xx22-2519-2519
Tardene Lingerie, 0xx-22-2523-2500
Fevest, www.fevest.com
Guetta Franchising, 0xx-21-2522-5430

Fonte: Jornal do Commércio


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