Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 28/01/2002
Autor: Jornal do Commércio

Ganhos de gente grande

Bom desempenho em 2001 incentiva investimentos no setor de brinquedos

Investir no setor de brinquedos pode ser um bom negócio. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) apontam faturamento de mais R$ 920 milhões da indústria nacional do setor em 2001, 8% a mais do que no ano anterior. As exportações atingiram US$ 28 milhões no ano passado, superando os US$ 20 milhões de 2000. Para quem quer aproveitar o bom momento da indústria, principalmente no Rio, segundo maior mercado varejista do País, com 14,2% das vendas nacionais, atrás apenas de São Paulo, dono de 43,9%, há diversas opções para atuar no ramo, desde a fabricação de brinquedos educativos a franquias virtuais de artigos industrializados.

Aos interessados, vale lembrar que nem só de grandes fábricas e marcas famosas vive o mercado de brinquedos. Ainda há espaço para os chamados brinquedos educativos, confeccionados de maneira artesanal e com preços mais acessíveis. "Em 2001, somente o mercado paulista de lojas de brinquedos educativos teve crescimento de mais de 100%. Havia cerca de 40 lojas do ramo e hoje há mais de 100, em todo o Estado", afirma o proprietário das lojas Nacional Brinquedos e Voltar a Criar, de São Paulo, Gustavo Costábile di Biasi, que está reunindo empresários do setor para fundar uma associação nacional de fabricantes e comerciantes de brinquedos educativos.

Para Roberto Kipper, gerente nacional de vendas da fábrica catarinense Saxonia, maior produtora de brinquedos educativos do País, o momento é ideal para investir. "Os brinquedos de madeira são uma tendência mundial a curtíssimo prazo, porque auxiliam no desenvolvimento da criança e são, ainda por cima, ecologicamente corretos. A madeira é orgânica, não polui, enquanto o plástico leva até 400 anos para ser consumido pela natureza", afirma.

Divergência

As opiniões, no entanto, não são unânimes. O proprietário da loja Etc e Tal, de Niterói, Márcio Esposel, concorda que o mercado está mais receptivo, mas acredita que o segmento ainda não é economicamente viável. "Está havendo um processo de saturação do brinquedo de plástico, barulhento e violento, e um resgate de brincadeiras mais antigas e saudáveis. No entanto, é preciso paciência para prosperar neste negócio", avisa. Esposel conta que quando abriu sua loja, há três anos, seu lucro pessoal era de apenas R$ 100 por mês. "Hoje, lucro apenas R$ 800", afirma. Por isso, a Etc e tal não tem empregados.

Segundo Kipper, o pior momento do setor de brinquedos foi a década de 90, quando aconteceu a abertura do mercado às importações. "Até a indústria de brinquedos de plástico foi abalada. Começamos a enfrentar a concorrência de brinquedos coreanos e japoneses, com preços competitivos e tecnologia para fabricar jogos eletrônicos e coisas do tipo. Foi um período de cerca de quatro anos extremamente difícil", lembra.

Consciência ambiental

Hoje, as coisas melhoraram bastante para a Saxonia. Maior e mais antiga empresa do País no segmento, com pouco mais de 50 anos, a empresa tem faturamento médio mensal de US$ 150 mil, um terço dos quais proveniente de exportações para a Alemanha e Inglaterra, iniciadas em 2001. "Nos países mais ricos da Europa existe forte consciência ambiental e nossa fábrica utiliza madeira de reflorestamento e tintas atóxicas para pintura, além de termos certificação do Inmetro", explica Kipper.

Montar uma fábrica de brinquedos educativos requer mão-de-obra qualificada. Di Biasi diz que não é difícil encontrar funcionários, mas é preciso treiná-los. "Em geral, são marceneiros, que recebem treinamento para realizar um trabalho mais cuidadoso, mais caprichado, em termos de pintura e acabamento", explica. Segundo di Biasi, para uma fábrica funcionar são necessários pelo menos R$ 25 mil de investimento e dez funcionários, trabalhando em uma área de pelo menos 200 metros quadrados. Quanto aos equipamentos, di Biasi afirma que não são caros.

Matéria-prima

- São equipamentos de marcenaria, como lixadeira, furadeira, torno, serra de fita, serrote, enfim, fáceis de se encontrar. A matéria-prima principal, que é a madeira, pode ser adquirida a um custo de R$ 5 mil mensais, de forma a manter um bom estoque - garante di Biasi, que presta consultoria para interessados em produzir brinquedos.

Para Kipper, uma fábrica de pequeno porte, com o objetivo de atender apenas ao mercado regional, pode dispor de apenas cinco funcionários. O gerente da Saxonia calcula que um fabricante que quisesse atender ao mercado nacional teria de investir R$ 2 milhões para iniciar seu negócio, manter um capital de giro de R$ 250 mil e contratar de 120 a 150 funcionários. "É uma diferença muito grande. Quem tiver interesse em se lançar nessa área deve definir seus objetivos, antes, para não cometer erros", aconselha.

Serviço:

Etc e Tal, 2610-5724
Nacional Brinquedos, 0xx-11-5686-2282
Saxonia, 0xx-47-357-2011

Raio X

Loja própria de brinquedos educativos

Investimento inicial: mínimo de R$ 25 mil
Capital de giro: R$ 10 mil
Área mínima: 80 metros quadrados
Número de funcionários: três
Faturamento médio mensal: R$ 15 mil
Risco: alto, segundo o consultor de varejo Abrahão Saffer
Fonte: Gustavo Contabile di Biasi, proprietário da Nacional brinquedos

Fábrica de pequeno porte de brinquedos educativos

Investimento inicial: R$ 20 mil a R$ 25 mil
Equipamentos: R$ 10 mil a R$ 15 mil (material de carpintaria)
Capital de giro: R$ 10 mil a R$ 20 mil
Área mínima: 200 metros quadrados
Número de funcionários: 5 a 10
Risco: alto, segundo a consultora Thais Helena de Lima Nunes, do Sebrae-RJ
Fonte: Roberto Kipper, gerente nacional de vendas da brinquedos Saxonia.

Loja própria de brinquedos industrializados

Investimento inicial: R$ 100 mil a R$ 110 mil
Capital de giro: R$ 50 mil
Faturamento: não-fornecido
Área mínima: 70 metros quadrados
Funcionários: mínimo de três
Risco: médio, segundo o consultor de varejo Abrahão Saffer
Fonte: Emílio Farah, proprietário da Lila brinquedos

Franquia Mirex

Investimento inicial: R$ 235 mil
Taxa de franquia: R$ 15 mil
Capital de giro: R$ 35 mil
Área mínima: 220 metros quadrados
Funcionários: de 12 a 15
Taxa de royalties: 3%
Faturamento: não-fornecido
Risco: médio, segundo o consultor de varejo Abrahão Saffer
Fonte: Mirex

Esolha do ponto define o sucesso

A escolha do ponto comercial requer atenção especial de quem decide investir na comercialização de brinquedos. O conselho de comerciantes é optar por espaços destacados, próximo ao público-alvo, que são as crianças. A proprietária da loja Caverna Mágica, na Tijuca, Conceição Pereira, conta que sua loja, aberta há oito anos em uma galeria, sofre pela pouca exposição. "Quem trabalha em shoppings, por exemplo, recebe um público mais intelectualizado, mais consciente do valor dos brinquedos educativos", afirma. Uma loja em galeria é menor e mais barata, mas o retorno não é tão alto.

Conceição calcula que uma loja de 25 a 30 metros quadrados em uma galeria exija investimento de R$ 15 mil, um ou dois
funcionários e capital de giro de R$ 4 mil. O faturamento mensal é de R$ 6 mil a R$ 8 mil, e o retorno só vem em dois ou três anos. Charlotte Kaschner, proprietária da loja Phyla, na Barra da Tijuca, concorda. "O fundamental é o ponto, a loja deve ser localizada em uma área onde as pessoas tenham bom nível cultural, porque somente pessoas esclarecidas consomem esse tipo de produto. Por isso, o ponto é o que sai mais caro", diz.

O consultor de varejo Abrahão Saffer recomenda instalar a loja em locais onde haja concentração de crianças. "Crianças compram por impulso. Abrir um negócio próximo a uma escola conhecida, com alunos de famílias com bom nível econômico seria o ideal.

Mesmo assim, a competição com brinquedos industrializados, de empresas que investem em marketing, é um desafio. É preciso buscar outra fatia de mercado", afirma.

Quem preferir não arriscar muito e optar por atuar no segmento de brinquedos industrializados, pode abrir uma franquia. A rede paranaense Mirex, que conta com oito lojas próprias e três unidades franqueadas no Paraná e em Santa Catarina está expandindo sua área de atuação, e pretende chegar ao Rio até o próximo ano. "Somos uma loja de departamentos infantil, trabalhamos com brinquedos, roupas e móveis. São cerca de 20 mil itens, para crianças e adolescentes até 16 anos", afirma Fábio Guerra Pereira, proprietário da Mirex.

Franquia virtual. A rede paulista Ri Happy trabalha apenas com lojas próprias, mas adotou o sistema de franquia virtual. Qualquer pessoa jurídica que possua uma página na Internet com tema que guarde afinidade com a linha de produtos ou a faixa etária do público-alvo pode criar um banner com link para a página da Ri Happy. "Pagamos comissão de 3% sobre o valor de compra feita em nossa homepage por cliente trazido a nós por link no site de um parceiro", afirma o gerente de e-commerce da rede, Wilson Rocco. O pagamento é feito até 30 dias depois de efetuada a compra. A Ri Happy já conta com cerca de 30 parceiros, entre eles sites como Terra, UOL e a página da apresentadora infantil Eliana.

Lojas próprias requerem, além do investimento pesado, uma boa dose de paciência por parte do pequeno empresário. O
proprietário da loja Lila brinquedos, no Recreio shopping, Emílio Farah, teve de investir R$ 60 mil para abrir sua loja, há mais de três anos, e afirma que ainda não obteve o retorno do investimento. "A concorrência das grandes lojas de departamentos é desleal, pois eles compram uma quantidade enorme de mercadorias e vendem por preços menores, porque contam com o poder de atração dos brinquedos para fazer vendas adicionais, em outras seções. Nós, que só lidamos com brinquedos, não podemos fazer isso. Precisamos de um faturamento de R$ 14 mil somente para arcar com os custos e evitar prejuízos", reclama Farah. Para o comerciante, quem quiser abrir uma loja com estoque completo e diversificado, hoje em dia, vai gastar cerca de R$ 100 mil.

Para sobreviver à competição, os vendedores de brinquedos são obrigados a usar a criatividade. A loja paulista Voltar a Criar oferece oficinas de montagem e pintura de brinquedos para crianças a partir de dois anos, por preços que variam de R$ 8 a R$ 20.

"A criança escolhe um brinquedo e, monitorado por marceneiros e artesãos, o fabrica. Ao final, ela leva o brinquedo para casa. Se a família preferir, o visitante pode apenas brincar com os artigos da loja, sem participar da oficina ou levar algum pra casa", conta di Biasi.

Serviço:

Caverna Mágica, 2568-2529
Lila, 2490-0320
Mirex, 0xx-44-227-2355
Phyla, 2492-5494
Ri Happy, 0xx-11-3256-2666
Voltar a Criar, 0xx-11-3088-3359


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Fonte: Jornal do Comércio

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