Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 30/01/2006
Autor: Jornal do Commércio

No mundo das crianças

Conquistar os pais é primeiro passo para fabricar e vender brinquedos

Brinquedos não são só assunto de criança. Fabricar, vender, montar escola e casa de festas com parque são negócios que envolvem muito dinheiro e concorrência. Para entrar no mundo infantil não basta apenas agradar aos pequenos: tem que saber conquistar os pais, aqueles que, no final, vão pagar a conta e ter sensibilidade para saber lidar com a criançada ansiosa por diversão. O investimento inicial para abrir uma fábrica de brinquedos educativos vai de R$ 50 mil a R$ 100 mil. Já uma loja de brinquedos educativos exige um capital de R$ 80 mil, enquanto que em uma de brinquedos comuns o valor cai para R$ 50 mil, mesma quantia de um ateliê de brinquedos artesanais. Para abrir uma pré-escola e classe de alfabetização com parque ou uma casa de festas com brinquedos, o empreendedor deve desembolsar, respectivamente, R$ 150 mil e R$ 250 mil.

Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), entre produção e vendas, o setor faturou no ano passado R$ 754 milhões. As bonecas continuam liderando a preferência, com 48% das vendas. São Paulo é o estado que mais gera lucros para a indústria de brinquedos com, aproximadamente, 35% de todas as vendas do País. Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná representam 18% cada um. Só no ano passado, 1 mil novos tipos de brinquedos foram lançados para a garotada, uma produção estimada em 110 milhões de peças. Dia das Crianças (com 40% de toda a venda do ano) e Natal (com 30%) ainda continuam sendo as melhores datas para o setor.

Apesar de números grandiosos, uma preocupação atinge quem vive de fabricar e vender brinquedos: a pirataria. "O mercado está mais restrito devido às importações ilegais que são prejudiciais para quem vive disso", afirma Synésio Batista, presidente da Abrinq. Para entrar legalmente no mercado, Batista dá algumas dicas. "Lidar com crianças é difícil. Elas são sinceras e falam tudo o que têm na cabeça. É importante estar de bem com a vida e fazer tudo com o coração", atesta o presidente da Abrinq que também faz uma ressalva: "todo brinquedo deve ter a certificação do Instituto Brasileiro de Certificação e Qualidade (IBCQ), órgão autorizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)".

Usar o coração já faz parte da rotina do dono da Dicá, fabricante de brinquedos educativos localizada em São Paulo. "Nossa prioridade é estimular o desenvolvimento da criança com nosso produto. Queremos resgatar o valor do brinquedo de madeira, da matéria simples que pode acalmar e dar um prazer imenso à garotada", diz Jorge Dantas, proprietário. Jogos de encaixe e psicomotricidade e quebra-cabeças fazem parte da linha de produtos que atende escolas da rede municipal e estadual de São Paulo e lojas especializadas.

A Dumbo, de Henrique Heinrich, vende exclusivamente brinquedos educativos. "Os produtos educativos ainda não são muito divulgados. Nossos principais clientes são escolas e pais da classe média alta, que têm o costume de trazer seus filhos para cá e estimular neles a vontade de manusear e de passar o tempo com um brinquedo diferente do tradicional", analisa Heinrich. Com dominós de R$ 15 e quebra-cabeças de R$ 20, o dono da Dumbo é um dos defensores da bagunça em sua loja. Deixar a criança mexer em tudo e descobrir ali o prazer do novo brinquedo são apenas algumas das armas de conquista. "Nossa sala fica uma confusão. Os pequenos tocam em todos os produtos e ficam deslumbrados com tanta novidade. Depois que compram a primeira vez, passam a freqüentar a loja e comprar sempre". Otimismo que também tem Jorge Dantas, da Dicá Brinquedos Educativos. "Os pais já estão reconhecendo mais o valor do brinquedo educativo e as crianças estão mais seduzidas por esses produtos. Acho que a era dos jogos eletrônicos e do computador 24 horas por dia está acabando", acredita.

Vender brinquedos tradicionais é o ofício de Flávia Oliveira e Flávia Klinger, sócias do ateliê Enfim Enfant, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Pião, marionete e fantoches são algumas das atrações da loja, que trabalha, basicamente, com produtos importados. "Sempre sonhei em trabalhar para crianças e queria fazer algo diferente: foi aí que surgiu a idéia do nosso ateliê", revela Flávia Oliveira. Explorar a capacidade de raciocínio da criança também é outro objetivo da Enfim Enfant. "Fazemos oficinas com nossos brinquedos e já até fizemos um festival de cinema infantil. Queremos tirar o melhor de cada criança e fazer com elas descubram o prazer em pequenas coisas", informam.

Perto da Enfim Enfant, também na Zona Sul do Rio de Janeiro, a PB Kids, vende desde o brinquedo educativo até o eletrônico. Com lojas espalhadas pelos quatro cantos do Brasil, a rede também estimula que seus pequenos clientes mexam e descubram os produtos expostos na prateleira. "Temos materiais abertos para demonstração e nossos funcionários são treinados para ensinar aos clientes como funcionam. Muitas vezes são os pais que vêm aqui e compram um presente para seus filhos", comenta Maria José dos Santos, gerente da PB Kids, do Rio Design Leblon, no Rio. Para Maria José, os brinquedos comuns ainda têm mais saída que os educativos, principalmente quando um super-herói está em ação nas telas de cinema. "É impressionante ver como a garotada fica louca quando um filme como "Homem-Aranha" ou "Batman" chega aos cinemas", complementa. Uma gritaria que não atinge a Enfim Enfant nem a Dumbo, no Via Parque, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

"Muitas crianças que entram aqui estranham no início. É um universo diferente, longe da TV e de todo o eletrônico que os cerca", declara Flávia Oliveira, da Enfim Enfant. "Saber lidar com a criança e falar a língua dela são pontos fundamentais para o sucesso da loja voltada para o mundo infantil", completa Heinrich, da Dumbo.

Embora vendam produtos de padrões diferentes, os donos da Dumbo, da Enfim Enfant e a gerente da PB Kids têm um ponto em comum: a segurança dentro da loja ou do shopping em que o estabelecimento está localizado é fundamental. "Estar em um shopping já é um facilitador. Temos segurança e estacionamento, o que é um atrativo para os pais que querem paz e comodidade", garante Maria José dos Santos, da PB Kids. "Uma loja de brinquedos tem mais apelo quando está dentro de um shopping. Tem o cinema, as lanchonetes e o passeio, já tão comum, que acabam fazendo com que os pequenos entrem aqui. A vitrine também chama para dentro da loja", explica Henrique Heinrich. "Nosso brinquedo por fugir da mídia e do eletrônico, precisa estar em um local com uma clientela mais cativa, com segurança e bem localizado. O shopping tem todas essas características, além de atrair um público de classe média alta que valoriza muito o artesanal, o educacional", concluem as sócias da Enfim Enfant.

Casa de festas e escola são opções

Uma escola cheia de brinquedos por todos os lados e ao alcance das mãozinhas dos pequenos. Uma casa de festas com escorrega, gangorra e piscina de bolas. O mundo dos brinquedos não se restringe apenas às fábricas e lojas que produzem e vendem as peças preferidas da garotada. A Passo a Passo 2, com duas filiais na Zona Sul do Rio de Janeiro, veio ajudar no processo de revolução que a educação infantil vem passando nos últimos anos.

"Até algum tempo atrás, a pré-escola era um lugar onde a criança era cuidada. Agora, as pessoas já têm mais consciência da importância da socialização que a escola traz e também da sua necessidade para evitar a violência cotidiana das grandes capitais", afirma Andréa Bellingall, orientadora da Passo a Passo 2. Parque com brinquedos, sala de fantasias, sala de música e de computadores também são parte da realidade dos alunos da Passo a Passo 2. "Os brinquedos estão sempre à mão das crianças e podem ser usados em todos os momentos. Uma escola tem que ter parquinho, espaço de brincadeiras e de diversão. É isso que faz com que o aluno descubra o mundo em que está inserido e que faz dele uma criança mais feliz", explica Andréa.

Fazer a criança feliz, principalmente no dia do seu aniversário, é a especialidade de Maruza Helena de Souza, proprietária da casa de festas infantil Magia & Cia, na Zona Sul de São Paulo. "Temos uma área de recreação muito grande e também um parque com muitos brinquedos. São esses brinquedos que chamam a atenção da garotada e que conquistam pais e filhos a realizarem sua festa aqui", enfatiza Maruza.

A concorrência do mercado, já cheio de casa de festas, não assusta a proprietária da Magia & Cia. "Sei que tem muita casa de festa por aí, mas só sobrevive nesse mercado quem tem competência e oferece um produto de qualidade: desde os brinquedos até o bufê", frisa. Agradar aos pais também é tarefa importante. "Todos nossos brinquedos são adaptados para adultos. Muitas vezes eles brincam e se divertem mais que os próprios filhos", conclui.

Raio X
Ateliê de marcas e brinquedos infantis Investimento inicial: R$ 100 mil (sem o ponto comercial) Faturamento médio mensal: R$ 50 mil Margem de lucro sugerida: 10% sobre o faturamento bruto Capital de giro: não divulgado Tempo de retorno do investimento: 2 a 3 anos Área: 50 metros quadrados Número de funcionários: 4 Risco: médio. Segundo a consultora do Sebrae, Thaïs Helena de Lima Nunes, o empreendimento só tem validade em locais nobres, onde o nível de educação é mais elevado. "Só a população com alta renda valoriza um brinquedo artesanal", frisa.

Casa de festas com parque Investimento inicial: R$ 250 mil (com imóvel alugado) Faturamento médio mensal: R$ 60 mil Margem de lucro sugerida: 40% Capital de giro: R$ 30 mil Tempo de retorno do investimento: 2 anos Área: 500 metros quadrados Número de funcionários: 2 fixos. Em festas, o número já cresce para 15 ou 20 pessoas Risco: alto. De acordo com Thaïs Helena de Lima Nunes, o investimento inicial é alto e a concorrência é muito grande. "É importante tomar cuidado com a localização e também com as instalações. A concorrência também ajuda a espalhar muito a clientela", garante.

Fábrica de brinquedos educativos Investimento inicial: de R$ 50 mil a R$ 100 mil Faturamento médio mensal: R$ 180 mil Margem de lucro sugerida: 30% Capital de giro: não divulga Tempo de retorno do investimento: 2 anos Área: 500 metros quadrados Número de funcionários: 10 a 15 Risco: baixo. De acordo com Thaïs Helena de Lima Nunes, há espaço para os brinquedos educativos e até uma grande possibilidade de exportação. "Toda proposta com fundo pedagógico e educacional pode ter sucesso. Se quiser crescer mais, o empreendedor pode começar a explorar o mercado externo", conclui.

Loja de brinquedos Investimento inicial: R$ 50 mil Faturamento médio mensal: R$ 10 mil Margem de lucro sugerida: 20% Capital de giro: não divulgado Área: 100 metros quadrados Número de funcionários: 5 Risco: baixo. Para Thaïs Helena de Lima Nunes, o forte apelo e os baixos custos podem ajudar no sucesso do negócio. "Brinquedo tem sempre apelo", atesta.

Loja de brinquedos educativos Investimento inicial: R$ 80 mil Faturamento médio mensal: R$ 40 mil Margem de lucro sugerida: não divulgado Capital de giro: não divulgado Área: 24 metros quadrados Número de funcionários: 2 Risco: baixo. Segundo Thaïs Helena de Lima Nunes, se a loja for bem localizada, a chance do negócio dar certo é muito grande. "Um shopping ou uma rua em um bairro de classe média alta são os melhores lugares. Pessoas com nível de educação mais alto sempre vão dar brinquedos educativos para os seus filhos", avalia.

Pré-escola e classe de alfabetização com parquinho infantil Investimento inicial: R$ 150 mil (sem incluir o valor do imóvel) Faturamento médio mensal: R$ 25 mil Margem de lucro sugerida: 15% (mas só com o negócio já estabilizado e só depois de, no mínimo, cinco anos de funcionamento) Capital de giro: R$ 10 mil Tempo de retorno do investimento: 5 anos Área: 400 metros quadrados Número de funcionários: 20 Risco: baixo. Para Thaïs Helena de Lima Nunes, uma escola tem muito apelo. O único cuidado a ser tomado é com a localização. "Uma escola como a Passo a Passo 2 tem um público mais de classe média alta e só deve fazer sucesso em locais nobres", mostra.

Serviço Abrinq, 0xx-11-3045-3710 Dicá Brinquedos Educativos, 0xx-11-6681-7733 Dumbo Brinquedos Educativos, 0xx-21-2421-9177 Enfim Enfant, 0xx-21-9807-7000 Magia & Cia, 0xx-11-3168-3863 Passo a Passo 2, 0xx-21-2294-1068/2255-8736 PB Kids Brinquedos, 0xx-21-2431-5568 Sebrae/RJ, 0800-782020

Fonte: Jornal do Commércio


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