Data Inclusão: 26/04/2006
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Franquias prevêem turbinar os negócios com Copa do Mundo
Copa do Mundo não é apenas esporte. Também significa lucros para investidores, que, teoricamente, não têm nada a ver com futebol. No setor de franquias, o evento representa um incremento nas vendas dos mais variados setores. Do vestuário, passando por lojas de decoração e presentes, alimentação a cursos de informática, as redes do setor, que movimentou R$ 35,8 bilhões em 2005, investiram, per capita, em média, R$ 300 mil em produtos, concursos culturais e brindes, com expectativas de retorno de até quatro vezes esse valor.
A marca de comida italiana Spoleto , em sua quinta campanha que presenteia os clientes com pratos de porcelana, aproveitou a Copa do Mundo para criar a única coleção temática desde o início da promoção: Nação de Craques, assinada pelo artista plástico carioca Alexandre Sherman. A cada oito refeições ou seis pagas com o sistema Visa , o cliente pode escolher um dos seis pratos, que fazem menção às Copas já conquistadas pelo Brasil e à da Alemanha. O investimento, de R$ 500 mil foi, segundo o diretor de marketing da rede, Henrique Pamplona, o maior em pontos de venda e tem a expectativa de um retorno de quatro vezes o investido, com a troca de 50 mil pratos. "Esses números representam um crescimento de 40% em relação à ultima campanha desse tipo, que ocorre todo o semestre", avalia o executivo. O Spoleto teve um crescimento em lojas de 30% em 2005 e pretende abrir mais 44 pontos de venda este ano, totalizando 150 lojas da rede em 17 estados brasileiros.
O apelo da copa do mundo atingiu outros ramos de atividades, como o de foto e revelação. A Fotoptica , rede com 75 lojas em quatro estados e faturamento de R$ 100 milhões em 2005, prevê o incremento de 30% na venda de pacotes de revelação com o cartão pré-pago eletrônico para impressão de fotografias digitais, lançado no final de 2005. O pacote principal, segundo o gerente de fotografia da Fotoptica, Dan Rabinovitz, dá direito à revelação de 1.9 mil fotos e mais o kit familiar, com quatro camisetas oficiais da seleção brasileira por até R$ 1.881.
Em outro segmento, a Bit Company investiu R$ 400 mil em ações para o campeonato e espera incremento de 25% em novas matrículas. Desde 17 de abril até o dia 26 de junho, a rede oferece aos alunos que se matricularem, uma camiseta do Brasil para torcida. Além disso, o novo aluno pode ganhar até 50% de desconto na primeira mensalidade, em um jogo de botão, videogame, pebolim, em que ele terá cinco chances de gol. A cada acerto tem 10% de desconto. Além disso, a Bit Company, que está investindo desde o ano passado R$ 5 milhões em ações filiadas à Organização das Nações Unidas (ONU) "Nós podemos, o objetivo do milênio", que pretende pegar carona na Copa do Mundo para incentivar ações sociais, como o bolão solidário. "Vamos aproveitar o ritmo de Copa e torcida para tentar fazer um Brasil melhor", afirma a gerente de operações da rede, Ângela Manzoni. A BIT Company, que tem 170 unidades, apresentou faturamento de R$ 58,9 milhões em 2005, incremento de 8% em relação ao ano de 2004. A expectativa é crescer 10% em faturamento, com mais 20 lojas em 2006.
Com objetivos diferentes, mas seguindo a mesma tendência, a rede de escolas de inglês e espanhol, Skill , iniciou, em dois de maio, as ações incentivadas pela Copa do Mundo, a princípio, voltadas para os alunos da rede: além de ganharem uma camiseta inspirada na seleção brasileira, na rematrícula, os alunos poderão participar de fóruns de discussões sobre futebol em inglês e espanhol. "A rede preza pela utilização da língua para relacionamento e vamos usar a Copa para desenvolver isso nas escolas. Vamos usar o futebol como mote para falar o inglês e o espanhol", analisa o gerente de marketing da Skill, Marcos Benutto. O investimento foi de R$ 300 mil, com a expectativa de fidelizar os 150 mil alunos distribuídos por 348 unidades no País, e expectativa de abrir 74, ainda este ano.
A S.O.S Computadores também vai oferecer camisetas diferenciadas para as torcidas dos jogos da seleção nas novas matrículas. O investimento chegou a R$ 300 mil, com meta de incremento de 10% em vendas, o que pode representar R$ 400 mil.
Apesar disso, segundo o gerente de marketing da rede, José Carlos de Souza, o primeiro benefício dessa ação é interno. "Há uma motivação de vendedores e funcionários, que terão uma razão para contatar os clientes e assim, o rendimento será melhor", explica o executivo. A rede tem hoje 126 lojas com faturamento de R$ 83 milhões em 2005, com previsão de 12% em 2006 e de abertura de 30 unidades.
A Imaginarium , empresa que produz e comercializa presentes, objetos de decoração e artigos de uso pessoal, já programou para a Copa do Mundo o lançamento de oito produtos, que vão de canecos de chopp, passando por lingerie e roupas de cama. Com o sucesso da campanha para o campeonato de 2002, a empresa resolveu investir nas 70 lojas espalhadas no Brasil, cada uma, cerca de R$ 100 mil no projeto.
Segundo o diretor executivo da Imaginarium, Carlos Zilli, o objetivo é fortalecer a imagem da rede. "A Copa é uma ótima oportunidade para alavancar as vendas e o resultado nos motivou a avançar este ano, utilizando a linguagem interativa e divertida da marca", completa. Em 2005, a rede faturou R$ 42 milhões e a meta para 2006 é crescer 20%, com faturamento de R$ 50 milhões.
Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada...