Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 07/08/2006
Autor: Diário Catarinense

Fibra da banana gera renda no Sul

Produtores aproveitam o tronco da árvore para fazer artesanato

Os bananais de Jacinto Machado, Extremo-Sul do Estado, têm produzido muito mais do que frutas, como principal atividade do município. A fibra, proveniente do tronco da planta, significa, para cinco comunidades, a manutenção do homem no campo, desenvolvimento auto-sustentável e a perspectiva de uma nova fonte de renda com a produção de artesanato.

A cada colheita de banana, os troncos da planta, que serviam de adubo ou eram descartados, agora são recolhidos e beneficiados por mais de 50 artesãos, das comunidades de Serra da Pedra, Último Rio, Centro, Rio de Dentro e Areia Branca. Semanalmente, são recolhidos em média 10 troncos, ricos em fibra, que rendem aproximadamente 18,5 quilos de material. A matéria-prima é secada ao sol durante quatro dias e passa por um processo para retirar odores. Nos últimos meses, explica a extencionista rural social da Epagri, Aline Fernandes, os artesão têm feito testes de secagem da fibra nas estufas de fumo, atividade exercida também na região, o que atribui melhor coloração e rapidez na secagem: apenas quatro horas para o beneficiamento.

- Não podemos depender das condições climáticas, já que a intenção é conseguir espaços maiores para maximizar a produção, futuramente - explica o técnico em turismo, Dilton Pacheco.

A mobilização dos 50 artesãos integra a SC Arte Catarina desde 2003. Nos últimos meses, a atividade passou a tomar força tanto no aperfeiçoamento das técnicas quanto da qualidade do produto. A gama de objetos vai até onde a criatividade permitir: cestas, jogos americanos, bolsas, almofadas, porta-revistas, tapetes, chapéus e as derlas, que deram nome à marca. A derlas são cestos com alças, típicas do município para uso rural.

Designers aperfeiçoam os estilos rústicos

Antes de iniciar a produção, uma pesquisa sobre a cultura e a história do município foi realizada para que os produtos tivessem uma identidade. Luminárias, poltronas e porta guarda-chuva estão sendo desenvolvidos com designers do Sebrae, a fim de dar sofisticação à peças e assim ganhar mercado. A atividade foi viabilizada pelo Sebrae, Secretaria Municipal de Turismo e Epagri.

A atividade

- A extração da fibra não causa danos à natureza; o tronco de onde é retirada seria descartado, o que não causa desequilíbrio
- As fibras não recebem tratamento químico. O artesanato apenas precisa de sol, com certa regularidade, para evitar fungos, por se tratar de um produto natural
- As peças produzidas são comercializadas em Criciúma, Araranguá e Jacinto Machado
- A intenção em divulgar o artesanato local a partir da fibra da bananeira é uma maneira de divulgar o produto, além do turismo rural e ecoturismo no entorno de Jacinto Machado, como os cânions
- De acordo com o técnico de turismo da Secretaria de Turismo de Jacinto Machado, Dilton Pacheco, a Escola Superior de Agricultura da USP tem realizado estudos, junto a prefeitura do município, sobre o emprego da fibra em outras atividades, além do artesanato, para garantir mais renda aos produtores.

Peça vira objeto de decoração

Os produtos são simples, mas trabalhosos. As mãos habilidosas, afirma a presidente da Derla Arte, Cristina Bardini, confeccionam tecidos de fibra no tear, trançam as tiras em crochê e trabalham manualmente todas as peças.

O preço final é calculado a partir da extração do tronco até a finalização das peças - cada hora de trabalho tem um custo de R$ 1,50. O lucro, tido antes com a venda restrita ao município, já abrange a região. Toda verba de venda tem sido empregada em máquinas de costura, material, equipamento e cursos de aperfeiçoamento dos artesãos.

A artesã Maria Inês dos Santos José, 50 anos, é uma das primeiras integrantes do grupo. Empolgada com a produção e a beleza do material, é ela quem visita feiras e espaço, além de lojas, a fim de divulgar e oferecer o artesanato de fibra de bananeira.

- Sonhamos alto e por isso vislumbramos um futuro promissor para nosso trabalho. O retorno logo virá, já estamos em busca de um espaço maior para a produção e armazenamento das peças. Consegui inserir as peças em lojas de decoração de Criciúma - comemora Maria Inês.

Habilidade masculina descoberta em oficina

Entre os artesãos, estão agricultores, donas de casa e comerciantes. Entre as mulheres, está o funcionário público Vanio Prudêncio, 44 anos, único homem das comunidades. Ele, que se descobriu habilidoso como artesão, não se intimida diante do talento minucioso feminino.

- Tenho o mesmo capricho que as mulheres para o trançado, mas geralmente faço as vezes de carpinteiro, já que sou o único homem. Isso não me envergonha.

Fonte: Diário Catarinense


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