Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 04/12/2006
Autor: Jornal do Commércio

Negócios tradicionais devem inovar para continuar no mercado

Inovar a tradição - Modernizados, negócios tradicionais, como açougue e padaria, exigem investimento de R$ 4 mil a R$ 600 mil

Açougue, armarinho, banca de jornal, padaria e sebo. São alguns dos negócios tradicionais que atraem atenção de poucos empreendedores diante dos percalços enfrentados para se manterem ativos diante de concorrentes de peso e das transformações do próprio mercado. Nova roupagem na gestão, no conceito e no aspecto físico de lojas tradicionais, no entanto, é capaz de permitir que estabelecimentos fadados à falência ganhem fôlego para permanecer e crescer no mercado. O tradicional ainda pode ser oportunidade de negócio, mas o olhar moderno é o tempero para quem quer obter sucesso seguindo esse caminho, apontam empresários e consultores. Nesse universo, é possível montar negócios com investimento inicial que varia de R$ 4 mil a R$ 600 mil.

Cláudia Pamplona, consultora de novos negócios, alerta que, para dar um novo formato a negócios tradicionais, é fundamental que a realidade esteja sustentada sob condições técnicas. Na opinião da especialista, os donos de estabelecimento do gênero são resistentes a estudos. "A mudança sem orientação técnica pode até resultar no sucesso do negócio, mas o tempo de retorno provavelmente será bem maior", diz.

Durante mais de 15 anos, um açougue insistiu em fazer parte da paisagem do Humaitá, bairro da Zona Sul carioca. Em 2002, com a aposentadoria do dono, o então balconista Carlos Henrique Macedo Caetano comprou o negócio e não pensou duas vezes antes de mudar. "Assim que assumi a loja, a primeira coisa que fiz foi diminuir a câmara frigorífica e no lugar dela montar uma mercearia. Se não fizesse isso, estava fadado ao insucesso", lembra.

O empresário revela que continua sem preço para competir com os grandes mercados, mas, ao associar dois segmentos que atendem bem ao bairro, criou um chamariz para cativar o consumidor local. "Mesmo com os produtos mais caros do que no supermercado, se não tivesse essa iniciativa, já teria fechado as portas, porque, na época, quase não vendia carne e o cliente pedia outros produtos", reforça.

No Açougue e Mercearia Lagoa, Caetano conta que o cliente exige o melhor quando o assunto é produto, além de mix variado. O atendimento é outro quesito que o dono destacou em relação à concorrência. "Se o cliente me pede para entregar dois bifes na casa dele, nós entregamos. Se pede uma cebola, entrego também", salienta. Assim, o cliente pode lembrar da loja quando precisar de uma quantidade maior de carne ou outro produto, mesmo sabendo que pode encontrar a mercadoria mais barata nos supermercados. "Logo no início da união do açougue com a mercearia, aumentei o faturamento em 50%", comemora.

PADARIA. Assim como o açougue do Humaitá, a padaria Gávea Shop também sentiu necessidade de ampliar o negócio para se manter forte no mercado. Alguns anos depois da sua inauguração, em 1986, o estabelecimento, instalado na Rua Marquês de São Vicente, também na Zona Sul do Rio, passou por algumas reformas físicas, mas sempre mantendo o conceito tradicional do segmento. Edson Pereira da Mota, um dos sócios da padaria, diz que há pelo menos dez anos os clientes cobravam uma série de produtos que não era possível oferecer diante da estrutura da loja. "Finalmente, há três meses, conseguimos comprar mais duas lojas e construir um minimercado, dando mais força ao negócio", complementa.

Com a nova estrutura, o estabelecimento passou a ter mil itens a mais do que no modelo antigo. Além da seção de alimentos, uma exigência dos consumidores, uma área foi destinada para produtos de limpeza. A pequena lanchonete também foi ampliada a fim de atender melhor o público e em breve serão servidas refeições no local. "Só vamos ter uma idéia do retorno dessa reforma daqui uns seis meses, mas independente dos resultados, sabemos que para crescer precisávamos modernizar a loja", diz Mota.

A tecnologia era outro ponto que deixava a desejar na padaria. O empresário acrescenta que, aos poucos, a loja começa a deixar a caneta e o papel de lado para entrar na era da informática. Com a reforma, o sistema de automação começa a substituir as antigas registradoras, dando mais agilidade no atendimento. "Além disso, vamos conseguir ter melhor controle do estoque. Sem dúvida, há espaço para os negócios tradicionais que têm se modernizado", avalia.

Até o fim da década de 70, a abundância dos armarinhos ilustrava parte do comércio nos grandes centros urbanos brasileiros. Com a chegada dos produtos de vestuário chineses no País e a queda, de uma forma geral, do preço das roupas ao longo dos anos, as lojas de aviamentos começaram a fechar as portas, pois as classes consumidoras desses produtos deixaram de dar valor à manutenção do guarda-roupa.

Porém, a escassez desse tipo de comércio chegou a tal ponto que, dependendo da região, é difícil encontrar uma loja que venda o básico para costurar, tornando o negócio promissor. Há mais de 40 anos à frente de uma rede de cinco armarinhos em Belo Horizonte, Manuel Matias Nogueira percebeu que era hora de se atualizar no final da década de 80. O empresário, dono da Alvorada das Rendas, começou a adicionar produtos íntimos e infantis, como calcinha e sutiãs. "O armarinho ainda é um bom negócio, mas é preciso inovar sempre", diz, sugerindo investimento de R$ 50 mil para uma loja, afora o ponto comercial.

Dona da Acontecendo Armarinho, na Tijuca, Zona Norte do Rio, Marta Veitune alerta que é preciso acompanhar sempre o viés da moda. A comerciante conta que oferece cursos de bordados para as faixas etárias que vão dos 10 aos 80 anos, para aumentar o consumo dos produtos. "O conserto de roupas pode ser um bom negócio também para atrair o cliente, mas é preciso ter uma costureira ágil e eficiente", sugere.

Fundada há 118 anos, a Guitarra de Prata, instalada na Rua da Carioca, uma das vias mais tradicionais do comércio do Centro do Rio, está entre os mais antigos pontos-de-venda de instrumentos musicais do Brasil. Fornecedora preferida do clarinetista Paulo Moura, a loja, que foi ponto de encontro de Pixinguinha, Noel Rosa e Dilermano Reis, já passou por altos e baixos.

Com a chegada dos equipamentos eletrônicos no País, no fim dos anos 80, a marca sentiu a necessidade de investir em softwares musicais. Esse foi o início de uma mudança que se estenderia ao longo da década de 90. "Sentimos que era a hora de mudar. Do contrário, perderíamos a clientela", avalia Cláudio Moraes Vargas, supervisor de vendas.

Além dos novos produtos, a tradicional loja de instrumento passou a oferecer cursos para operar os programas. Mas não parou por aí. No ano passado, o negócio foi ampliado com a abertura, na mesma rua, da Musician House, que se especializou na venda de equipamentos tecnológicos de última geração. "A loja hoje é o braço da Guitarra de Prata, que, ao longo da sua história, foi se modernizando para continuar na ativa. Temos na nova loja também uma equipe especializada para fornecer consultoria e o suporte necessário para ajudar na decisão do cliente", analisa.

Raio X

Açougue e mercearia

Investimento inicial: R$ 300 mil, sem o ponto comercial
Faturamento bruto mensal: R$ 15 mil
Margem de lucro: 30%
Tempo de retorno: 2 anos
Número de funcionários: de 2 a 4
Área: 80 metros quadrados
Risco: alto, diante do investimento inicial muito elevado para um negócio que ainda tem muita concorrência.

Armarinho

Investimento inicial: R$ 45 mil, sem o ponto comercial
Faturamento bruto mensal: de R$ 2 mil a R$ 8 mil
Margem de lucro: 50%
Tempo de retorno: 4 anos
Número de funcionários: 2
Área mínima: 20 metros quadrados
Risco: médio diante do investimento inicial e da pouca demanda que ainda existe para esse negócio.

Loja de instrumentos musicais

Investimento inicial: R$ 600 mil, sem o ponto comercial
Faturamento bruto mensal: R$ 250 mil
Margem de lucro: 5%
Tempo de retorno: 2 anos
Número de funcionários: de 5 a 6
Área: 40 metros quadrados
Risco: alto, diante do aporte e do know-how exigido para a operação do negócio.

Padaria com minimercado

Investimento inicial: R$ 400 mil, sem o ponto comercial
Faturamento bruto mensal: R$ 150 mil
Margem de lucro: 30%
Tempo de retorno: 3 anos
Número de funcionários: 15
Área: 200 metros quadrados
Risco: médio. Se o ponto for bem localizado e a concorrência, fraca, reduz-se o risco criado pelo alto investimento inicial.

Sebo virtual

Investimento Inicial: R$ 4 mil
Faturamento bruto mensal: R$ 2 mil a R$ 3 mil
Margem de lucro: 40%
Retorno: 6 meses
Número de funcionários: 1 (o próprio dono)
Área: 20 metros quadrados
Risco: baixo, diante do pequeno investimento inicial.

Space Box

Negócio: banca de jornais e revistas
Investimento Inicial: R$ 40 mil
Taxa de franquia: R$ 25 mil, incluído no investimento inicial
Taxa de publicidade: não cobra
Faturamento bruto mensal: R$ 28 mil a R$ 30 mil
Margem de lucro: 9% a 12%
Royatiels: 3% sobre o faturamento bruto
Tempo de retorno: 16 a 18 meses
Número de funcionários: 4 funcionários.
Área: de 6 a 8 metros quadrados.
Risco: médio, por causa da dificuldade de contratos nos grandes shoppings para quiosques.
Fonte: empresas e Cláudia Pamplona, consultora de negócios (risco)

SERVIÇO
Acontecendo Armarinho, 0xx-21-2284-1449
Alvorada das Rendas, 0xx-31-3201-8226
Açougue e Mercearia Lagoa, 0xx-21-2286-5046
Bazar das Palavras, www.bazardaspalavras.com.br
Guitarra de Prata, 0xx-21-2215-2231
Padaria Gávea Shop, 0xx-21-2511
Space Box, www.spacebox.com.br

Negócios antigos já nascem de roupa nova

Especializada em vendas de revistas e jornais, a rede de franquias Space Box já nasceu, em 1998, com um novo olhar mercadológico sobre as bancas de jornal. O primeiro passo foi iniciar o negócio dentro de shopping centers. "Não podíamos montar uma rede de franquia no comércio de rua porque há a necessidade de concessão pública. Quanto à parte física do ponto-de-venda, era fundamental criar um modelo adequado às características do shopping, ou seja, moderno e compacto", explica Adolfo Padilha, diretor executivo da Space Box.

A meta da rede para este ano é fechar com 30 pontos-de-vendas e, até o fim de 2007, dobrar o número de franquias. O investimento inicial, para um quiosque de 6 a 8 metros quadrados, é de R$ 40 mil. Além dessas inovações, a empresa fechou convênio com alguns bancos para receber pagamentos. Com isso, a marca encontrou uma forma de atrair mais ainda o consumidor para o quiosque. "Observamos que havia demanda para um novo conceito de banca de jornal", completa, apontando que São Paulo, Minas Gerais e Nordeste estão entre as regiões prioritárias para a expansão.

SEBO. O sebo é outro empreendimento antigo que tem deixado a poeira de lado. Há pelo menos quatro anos, é possível encontrar aquele monte de livros usados e espalhados pelas livrarias também na internet. Paulo Marcelo Rezzutti deixou a profissão de arquiteto, em 2002, para investir no Bazar das Palavras. O empresário diz que com R$ 4 mil e pelo menos 500 livros é possível iniciar um sebo virtual numa área de 20 metros quadrados, que pode ser o quarto de um imóvel residencial. "O diferencial nesse formato de sebo é trabalhar com livros que estejam esgotados no mercado. Do contrário, a loja virtual será mais uma", ensina.

Com um acervo de 20 mil livros, Rezzutti diz que, mesmo com a despesa do correio, é possível alcançar margem de lucro de até 40% sobre o valor bruto do livro. O empresário explica que pela característica do negócio virtual a credibilidade é a garantia para fidelizar o cliente. "A capa do livro precisa ser fotografada para entrar no site, pois é a partir daí que o internauta terá uma idéia da qualidade do produto. Mas o livro precisa estar em bom estado quando chegar na casa do cliente. Com isso, o consumidor se sente mais seguro para um novo pedido", explica.

Fonte: Jornal do Commércio


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