Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 11/01/2007
Autor: Jornal do Commércio

Produzir morangos é viável para pequenos

Investimento inicial gira em torno de R$ 30 mil para área de 2 mil metros quadrados

Em qualquer região do mundo, a produção de morangos não costuma ser tarefa fácil por apresentar muitas variações ao longo de seu ciclo. Mas a entrada de novas mudas, sobretudo do Chile, no mercado nacional, tem sido incentivo para agricultores experientes e novatos investirem na cultura dessa fruta. Apesar de a tecnologia estar mais avançada, a variedade Camino Real, produzida pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, por exemplo, se destaca principalmente por gerar frutos mais resistentes a pragas e ter vida útil maior do que a maioria das variedades brasileiras, consideradas mais frágeis. Em área de 2 mil metros quadrados, o aporte para a plantação de morango é de R$ 30 mil, incluído capital de giro para um ano.

Independentemente do tipo de muda, a terra recomendada para o cultivo do morango é arenosa e o clima temperado, com temperatura média de 20 graus Celsius anuais. O morangueiro pode ser cultivado de várias formas. No solo em condições normais, com o emprego de cobertura plástica, em túneis baixos e em estufas, além de outros sistemas de cultivo. Para começar o plantio é preciso adquirir uma matriz, comprada em laboratório, que gera cerca de 250 mudas.

No sítio Vargem Grande, em Nova Friburgo, Região Serrana Fluminense, uma das poucas cidades do estado do Rio a produzir morango, o agricultor José Luiz Brantes começa este ano a plantar a Camino Real. O agricultor explica que, pouco a pouco, deixa de utilizar a variedade Dover por causa de sua fragilidade.

"Já cheguei a plantar 200 mil pés desse tipo de morango, mas hoje planto apenas 30 mil por safra. Este ano, vou produzir a Camino Real porque, apesar de exigir tecnologia mais complexa para produção, essa fruta é mais resistente, encorpada e saborosa. Com isso, temos mais facilidade para vender o produto", avalia.

ENTRESSAFRA. O agricultor optou também em congelar o produto in natura para ganhar prazo maior com a validade da fruta. Em Nova Friburgo, na época da safra, de junho a novembro, Brantes, que há 13 anos produz morango, congela a fruta a 18 graus negativos numa câmara frigorífica. Com isso, consegue aumentar a periodicidade em até um ano. "Foi a maneira que encontrei, há seis anos, para ter o produto ao longo de todo ano e ganhar também um pouco mais na entressafra", diz o agricultor, que vende o produto direto para o varejo.

Em Datas, a 30 quilômetros de Diamantina, Minas Gerais, a plantação de morango chegou, há dois anos, no regime de agricultura familiar e hoje já é a principal atividade econômica do município. O fato de a região ser nova para o plantio evita a incidência de doenças e pragas, gerando grande potencial à produção. A atividade, que começou na cidade com dois hectares, atualmente já tem 18 e a expectativa é de que neste ano sejam 25 hectares plantados, gerando 150 empregos diretos.

Técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), Ewerton Giovanni dos Santos, responsável pela cultura morangueira em Datas, diz que o produtor não deve plantar o morango de forma amadora, porque, se assim for, o prejuízo é inevitável. "É importante que o agricultor seja bem orientado em todo o processo, principalmente a adubação, que é o segredo da atividade. É necessário que o plantio do morango seja adubado de duas a três vezes por semana por meio de água. A cultura dessa fruta exige até 10 tipos de adubos diferentes, que são usados de acordo com a deficiência que a planta apresenta", explica.

Por causa da exigência na irrigação, Santos diz que o custo da produção de morango se torna um pouco mais elevado se comparado com o plantio de outras frutas. Nos primeiros 30 dias, é feita a aspersão convencional. Depois, o sistema usado é o gotejamento, feito até o ciclo final, que leva em torno de 60 dias. A partir daí, a fruta já está pronta para colheita e para ser vendida no mercado.

"Uma das vantagens de plantar a fruta nesta região é que os agricultores conseguem produzir o morango também no período de entressafra. Isso ocorre por causa da altitude da cidade, que é em torno de 1,3 mil metros, o que deixa o Verão menos rigoroso. Com isso, conseguimos vender o quilo do morango por um preço melhor, em torno de até R$ 4", diz Abrantes.

ESTUFA. Cada vez mais, os produtores têm usado o túnel plástico para o cultivo de morango, que oferece melhoria de qualidade e disponibilidade do produto em condição mais controlada. José Altair de Faria, produtor e presidente da Cooperativa dos Morangueiros Pantanense, em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, região que está entre os maiores produtores do País, explica que o túnel evita excessos de chuva ou seca ou mesmo danos provocados por granizo. "Hoje é muito difícil produzir sem o túnel, tanto para as variedades de mudas exportadas quanto para as brasileiras. Com o túnel, é possível prolongar o período de safra devido a sua proteção com o plantio", explica Faria.

O controle das doenças e pragas poderá ser mais eficiente por meio da utilização de métodos biológicos, com efeito direto sobre os organismos. A utilização de controle mais natural torna-se necessária e vem despontando como opção o controle do espectro de radiação que chega até as plantas. Com este manejo, pode-se alterar o ambiente interno do túnel, além de afetar aspectos do crescimento, desenvolvimento, reprodução e comportamento de muitos fungos.

Um filme plástico tem eficiência na indução de resistência e no controle do desenvolvimento dos fungos; pode-se ter, além de tal ação duplamente protetora, importante componente para o programa de manejo ecológico de controle integrado de doenças. "É importante considerar, porém, que o mercado apresenta grande variedade de filmes, havendo necessidade de se fazer pesquisas para verificar quais apresentam maior eficácia na redução de incidência de doenças em cultivos de morango, seja controlando o fungo ou induzindo a resistência da planta", finaliza Faria.

Na avaliação da professora de engenharia de produção da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), Thais Helena de Lima Nunes, o risco é baixo diante do investimento inicial. A consultora alerta que é preciso buscar as formas de cultivo mais avançadas para evitar alta incidência de pragas e, em conseqüência disso, prejuízos.

Raio X

PRODUÇÃO DE MORANGO

Investimento inicial: R$ 30 mil
Capital de giro: R$ 10 mil (incluídos no investimento inicial)
Faturamento bruto: R$ 40 mil a R$ 50 mil (com produção de 10 mil quilos por safra)
Margem de lucro: 20%
Funcionários: 5
Tempo de retorno: 12 meses
Área: 2 mil metros quadrados
Risco: baixo diante do investimento inicial. É preciso buscar as formas de cultivo mais avançadas para evitar a incidência de pragas.

Fonte: produtores e Thais Helena de Lima Nunes, professora de engenharia de produção da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ)

Serviço
Cooperativa dos Morangueiros Pantanense, 0xx-35-3427-1073
Emater-MG, 0xx-38-3535-1138
Sítio Vargem Grande, 0xx-22-2522-0344
Thais Helena de Lima Nunes, 0xx-21-3527-1001

Fonte: Jornal do Commércio


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