Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 05/03/2007
Autor: Jornal do Commércio

Empresárias garantem seu espaço

Dificuldades para comandar os negócios existem, mas muitas vezes servem de estímulo para seguir em frente

No Brasil, o sexo feminino, que comemora seu dia na quinta-feira, apresenta sua força de trabalho ao criar e administrar pequenas empresas em diversos segmentos.

As dificuldades existem, mas ser empreendedora e cuidar da casa ao mesmo tempo, sofrer o preconceito por estar em posição de comando e enfrentar a competição dos homens dentro e fora do lar são fatores que muitas vezes servem de estímulo para seguir adiante. Seis empresárias de sucesso garantem que os exemplos delas e de mulheres assumindo posições de destaque em áreas distintas deixam claro que o sexo feminino é capaz de desenvolver a maioria das tarefas masculinas com o mesmo êxito. As empreendedoras comandam negócios que exigem investimento inicial de R$ 50 mil a R$ 250 mil.

De acordo com última pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), encomendada pelo Sebrae nacional e publicada em 2006, o empreendedorismo feminino do Brasil é o sexto mais atuante do mundo, com taxa de 10,8%. Fica abaixo apenas dos índices da Venezuela (23,86%), Tailândia (19,33 %), Jamaica (15,69 %), Nova Zelândia (13,75 %) e China (11,6%).

As brasileiras que lideram empreendimentos em estágio inicial (com até três anos e meio de existência) ocupam o terceiro lugar (estimado em 6,3 milhões de mulheres) no ranking. Ficam atrás apenas das americanas (8,9 milhões) e das chinesas (44,8 milhões). Aprofundando a análise de gênero, percebe-se que o empreendedorismo masculino no Brasil fica bem abaixo, ocupando a 13ª posição do ranking mundial, com taxa de 11,8%. O relatório do GEM ressalta que a atuação feminina é fundamental para a posição de destaque do Brasil no ranking mundial.

HISTÓRIAS DE SUCESSO. Entre as dez histórias bem-sucedidas de empreendedoras de todo o País, reconhecidas na final nacional do Prêmio Sebrae Mulher Empreendedora 2006, o Distrito Federal garantiu seu prêmio. A capital do Brasil foi representada pela presidente da empresa Flor do Cerrado, Design e Artesanato, Rozélia dos Santos Silva Mendes, que foi vencedora da região Centro-Oeste, na categoria "Empresária de Micro e Pequena Empresa".

Foram necessários 22 anos para que a brasiliense construísse uma empresa de sucesso, que foi desenvolvida com a força de trabalho de pelo menos 20 artesãs ao longo da sua trajetória. "Minha história começou com o meu marido desempregado. Precisava ajudá-lo de alguma forma no sustento da casa e encontrei no artesanato, a partir de um curso do Sesi, o caminho de empreendedora", recorda.

A empresária, que desenvolveu técnica para transformar a flor do serrado em acessórios de decoração e moda, diz que se não fosse o apoio do marido provavelmente o sonho não iria se concretizar. "Desde o início do ateliê, meu marido foi a pessoa que mais me incentivou a colocar a empresa em prática. Hoje, a família toda participa das atividades da empresa. Conseguimos criar dois filhos, que se formaram em administração de empresas e hoje trabalham conosco", complementa.

ESCALA. Rozélia explica que, desde o início, uma empresa de artesanato precisa se estruturar de tal forma que consiga produzir em escala e atender o maior número possível de compradores. Caso contrário, dificilmente a empresa vai evoluir. Os artigos feitos com folhas do cerrado, sisal e crochê fazem sucesso por onde passam e já foram apresentados em eventos nacionais importantes, como o Fashion Business, bolsa de negócios da semana de moda carioca, onde foram realizadas vendas para Holanda, Portugal, França, Estados Unidos e Itália. A empreendedora hoje exporta 30% da sua produção para o exterior.

Diferentemente da proprietária da Flor do Serrado, outra empresária de Brasília, Fátima Hamú não teve a força de um braço masculino para montar, há 20 anos, o Lagash, um dos restaurantes especializados em comida árabe mais antigos daquela região. Neta de sírios e libaneses, a empresária lembra que pouco antes de iniciar o negócio se separou do marido, mas o apoio da mãe foi o chão que ela precisava para investir no empreendedorismo e cuidar ao mesmo tempo de três filhos.

Fátima diz não ter sentido nenhum tipo de preconceito, mesmo no início, ao comandar um empreendimento que trabalha com público diversificado. "Dei um grande impulso ao setor, que ainda é dominado pelos homens, e não me lembro de ter sofrido nenhum tipo de discriminação. Talvez um olhar de surpresa no começo pelo fato de os homens olharem uma mulher liderando vários funcionários naquela época", acredita.

A empresária destaca a importância de buscar no mercado cozinheiras que dominem o preparo de pratos árabes. Um bom profissional pode levar até oito meses para dominar as principais receitas. Para um restaurante do gênero com 100 metros quadrados e capacidade para 70 pessoas, é sugerido duas cozinheiras por turno.

AGRONEGÓCIO. Presidente da Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil do Carmo do Parnaíba, em Minas Gerais, Beatriz Zanella Fett é da opinião de que a mulher brasileira está cada vez mais saindo do casulo para procurar seu espaço no mundo dos negócios. "A partir da última década foi possível ver o sexo feminino em todos os setores, inclusive no agronegócio, área em que até pouco tempo era difícil encontrar uma figura feminina", analisa.

Muitas pessoas pensam em montar o próprio negócio pensando que vão ter mais tempo livre para executar outras atividades, mas, no início, esta opção nem sempre se torna viável. Heloísa Porto, proprietária da rede carioca Torta & Cia, trocou a carreira de executiva do Citibank pela de empreendedora com objetivo de ter o próprio negócio e se dedicar mais à família. A mudança ocorreu quando era trainee do banco e estava de licença-maternidade do primeiro filho.

"Percebi que gostaria de investir em algo que me desse mais independência. Diferente do que eu imaginava, durante boa parte da minha trajetória como empreendedora, não tive o tempo que desejava para me dedicar ao lar", explica Heloísa, lembrando que hoje já é possível gerenciar melhor o seu tempo.

Com três lojas próprias e quatro franquias no Rio, a Torta & Cia, que completa 18 anos em 2007, dá continuidade ao seu processo de expansão na capital paulista ao lançar, em breve, a primeira unidade franqueada na região. "Levamos três anos amadurecendo a nossa loja em São Paulo. Hoje, depois de maturar a loja modelo, estamos transformando esta unidade em franquia. Como estamos modernizando a marca e não temos a intenção de expandir muito, só vamos buscar novos franqueados para o Rio e São Paulo em 2008", explica a empresária.

Também no período de gestação, Karina Kieffer, sócia da Tutto per la Casa, especializada em artigos para copa e cozinha, decidiu trocar a carreira de advogada para seguir no mundo dos negócios. "Comecei há 21 anos literalmente do zero. Logo no início, observei que ser empresária grávida não é uma tarefa nada fácil. Como eu e minha mãe estávamos começando no negócio, tínhamos que fazer tudo, desde administrar as finanças, passando pela gerência da loja, até realizar entregas na casa do cliente. Com isso, não sobrava tempo para quase nada. Mas valeu a pena todo esse esforço porque hoje posso me dar ao luxo de ficar um mês em casa, se houver essa necessidade", avalia Karina.

Franquias atraem jovens empreendedoras

Lídia Maria Boggiali foi uma das primeiras franqueadas do curso de idiomas Number One. A empresária abriu sua unidade em Ipatinga, no interior de Minas, em 1977, quando o conceito de franquia praticamente não existia no Brasil. Com 22 anos, ela dava aulas de inglês numa sala emprestada por uma escola. "Quando um representante da empresa me procurou explicando sobre a possibilidade de ter a escola no sistema de franquia, não levei muito a sério, mas o suporte dado por uma empresa que tinha experiência no mercado sem dúvida foi o incentivo que precisava para me tornar empresária", explica, lembrando que na ocasião não havia nenhuma escola de idiomas na cidade.

O sonho da casa própria fez Maria Eugênia Vieira Kudo, de 39 anos, deixar a profissão de secretária em São Paulo e seguir com o marido para o Japão, onde foram trabalhar numa fábrica de celulares, em 2000. Quase dois anos mais tarde, os dois voltaram para o interior de São Paulo com o objetivo de cumprir a promessa. "Mas na volta, observamos que o dinheiro era pouco para realizar o nosso sonho. Em contrapartida, descobri a minha vocação para empreendedora quando decidimos investir o dinheiro numa franquia da Microlins", garante.

Maria Eugênia diz que por ter um espírito mais empreendedor que o marido os papéis acabaram se invertendo. Hoje ele é quem cuida da maior parte das tarefas de casa, enquanto ela fica à frente do negócio. "Está provado do que a mulher tem capacidade para comandar um negócio sozinha."

Raio X
Ateliê de artesanato (próprio)

Investimento inicial: R$ 200 mil (matéria-prima, equipamentos, obras para espaço físico adequado)
Faturamento médio mensal: R$ 60 mil
Margem de lucro: 30%
Tempo de retorno: 5 anos
Funcionários: 30 pessoas com o grupo de produção
Área: 200 metros quadrados
Risco: alto, tendo em vista o valor do investimento inicial. Deve-se ter atenção especial à diversificação, ao marketing e à qualidade na prestação dos serviços, para atrair interessados.

Loja de artigos para copa e cozinha (própria)

Investimento inicial: R$ 250 mil
Faturamento médio mensal: R$ 40 mil
Margem de lucro: 20%
Tempo de retorno: 5 anos
Número de funcionários: 5
Área: 40 metros quadrados
Risco: alto, em função do investimento inicial, da concorrência e do tempo de retorno. Sendo o público-alvo de alto poder aquisitivo, apesar de haver menor impacto às crises econômicas, é necessário observar boa estrutura de suporte e de treinamento.

Microlins (franquia)

Investimento inicial: R$ 50 mil
Taxa de franquia: R$ 15 mil, incluídos no investimento inicial
Taxa de royalties: 8%
Taxa de publicidade: 2%
Tempo de retorno de investimento (ROI): 18 a 24 meses
Capital de giro: R$ 10 mil, incluídos no investimento inicial
Número de funcionários: 7 a 15
Área mínima: 300 metros quadrados
Risco: médio. Apesar do número expressivo de unidades no setor, espera-se um destaque justamente para os cursos profissinalizantes e para os que se utilizam de recursos tecnológicos. Existe mercado bastante extenso a ser explorado fora dos grandes centros e o setor de educação já mostra boa penetração em pequenos centros com potencial de crescimento.

Number One (franquia)

Investimento inicial: R$ 70 mil a R$ 120 mil
Taxa de franquia: R$ 15 mil a R$ 35 mil (incluída no investimento inicial)
Taxa de royalties: não cobra Taxa de publicidade: não cobra
Tempo de retorno de investimento: 24 a 36 meses
Capital de giro: R$ 15 mil a R$ 20 mil
Número de funcionários: 7
Área: 150 metros quadrados
Risco: médio, devido ao valor do investimento inicial, à grande quantidade de redes concorrentes - que conta com outras marcas fortes - e ao potencial de crescimento do setor, que tem se apresentado mais retraído. Entretanto, existe demanda nos pequenos municípios.

Restaurante árabe (próprio)

Investimento inicial: R$ 200 mil
Faturamento médio mensal: R$ 80 mil
Margem de lucro: 15%
Tempo de retorno do investimento: 36 meses
Número de funcionários: 17
Área: 100 metros quadrados
Risco: alto, devido à concorrência do setor, ao valor do investimento inicial e à necessidade de investimento em mão-de-obra qualificada.

Torta & Cia (franquia)
Negócio: loja de doces

Investimento inicial: R$ 175 mil
Taxa de franquia: R$ 50 mil (incluídos no investimento)
Faturamento médio mensal: R$ 50 mil a R$ 90 mil
Taxa de royalties: 6% sobre o faturamento bruto
Taxa de publicidade: 3% sobre o faturamento bruto
Margem de lucro: 20%
Tempo de retorno: 18 a 24 meses
Número de funcionários: 7a 12
Área mínima: 50 metros quadrados
Risco: médio, devido ao valor do investimento inicial e à concorrência do setor.

Fonte: empresas e Vera Pontes, consultora do Grupo Soares Pereira & Consultores (risco) Serviço BPW Brasil, www.bpw-brasil.org.br Flor do Serrado,

www.flordoserrado.net Microlins, www.microlins.com.br Number One, www.numberone.com.br Restaurante Lagash, 0xx-61-3358-5184 Sebrae, www.sebrae.com.br Torta & Cia, www.tortaecia.com.br Tutto per la Casa, 0xx-21-2287-6345 Vera Pontes, verapontessoarespereira.com.br

Fonte: Jornal do Commércio


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