Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 05/04/2007
Autor: Jornal do Commércio

Natureza que dá lucro

Criação de animais silvestres exige investimento inicial a partir de R$ 15 mil

Capivaras, pacas, pintassilgos, serpentes e jacaré. Estes são alguns dos animais silvestres da fauna brasileira que podem ser criados em cativeiro segundo instrumentos legais que regulamentam o registro e funcionamento dos criadouros no País. O empreendedor que planeja abrir um negócio com animais silvestres em cativeiro deve estar atento às Leis federais e às exigências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que legaliza os criadouros no País. O investimento inicial é a partir de R$ 15 mil.

Em Batatais, no interior de São Paulo, Alexandra Sandrim é autorizada do Ibama desde 1997 para ter um criadouro de serpentes. Ela é bióloga e cria no serpentário comercial cerca de 1 mil cascavéis e jararacas venenosas. "Não tenho interesse em vender os animais. Comercializo o veneno das serpentes principalmente para fins de pesquisa. Meus clientes em potencial são universidades que já conhecem a procedência do veneno do serpentário. Todo o processo é feito com nota fiscal", conta.

Comércio ilegal. Segundo Alexandra, existe concorrência no setor, o negócio é bem fechado e há dificuldade em vender o veneno das serpentes porque há muitos atravessadores e comércio ilegal. Segundo a bióloga, o investimento inicial para um serpentário com aproximadamente 300 animais é de R$ 15 mil. "É difícil criar um animal que sai do seu habitat e vai para um lugar fechado. O empreendedor tem que conhecer bem a fisiologia do animal para fazer com que sobreviva", revela.

João Pessoa Moreira, da Coordenação de Gestão do Uso de Espécies da Fauna (Coefa), um dos órgãos do Ibama, revela que muitas vezes o instituto é criticado por estimular a comercialização destes animais. Entretanto, explica que o Ibama cumpre o que está na Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5197/67) que diz que o Poder Público estimulará a construção de criadouros destinados à criação de animais silvestres para fins econômicos e industriais. "Já que existe a cultura de compra de animais silvestres no Brasil, que o processo seja legal para preservar a natureza", frisa.

No Sítio dos Meninos, em Cachoeiras de Macacu, município do Rio de Janeiro, Alair Gonçalves Pernes cria pacas e capivaras. Em 2001, após fazer um curso de criação destes animais silvestres, preparou um projeto e comprou as primeiras capivaras de uma empresa paulista. No ano seguinte, comprou as primeiras pacas. Atualmente, possui cerca de 80 pacas e sete capivaras. "O empreendedor que pretende abrir um criadouro de pacas e capivaras deve investir inicialmente cerca de R$ 40 mil. São necessários cercas, telas especiais, o terreno, um técnico (veterinário especializado) e principalmente a autorização do Ibama", diz.

Ele revela que não vende os animais, assim como Alexandra, do serpentário em Batatais, mas o couro e a carne. Entretanto, revela que até hoje o negócio não é rentável. Seus principais clientes são mercados e restaurantes. Uma paca matriz, pronta para reprodução, custa aproximadamente R$ 600 e a capivara, R$ 500.

Em Valinhos, no interior de São Paulo, Edson Amorin de Castro cria há 16 anos pintassilgos, canários da terra, curiós, entre outros pássaros silvestres. Ele é veterinário e já tinha pássaros domésticos quando resolveu abrir o criadouro Mundo dos Pássaros. Atualmente, tem 350 pássaros silvestres e aproximadamente 2 mil domésticos. No investimento inicial de R$ 30 mil, estão incluídos gaiolas, o galpão e 25 matrizes dos pássaros para que nasçam 50 filhotes por ano.

Um pintassilgo adulto custa R$ 400 e um curió pode chegar a R$ 10 mil. "O empreendedor tem que ter know-how para abrir este negócio, além de contratar um biólogo ou veterinário especializado. A gaiola é barata, R$ 30, mas as instalações são caras porque é necessário um galpão para alojar os animais", conta.

A Cooperativa de Criadores de Jacaré do Pantanal (Coocrijapan) tem 35 mil animais. Além da pele e da carne, ainda são aproveitados a gordura, a cabeça e os pés dos animais. O gerente Gastão Medeiros informa que a espécie criada em cativeiro é a Caiman Crocodillus Yacare, a principal espécie do Pantanal. Os criadores associados têm seus projetos individuais, e a associação faz desde o manejo dos filhotes até o abate e a comercialização de pele e carne. A Coocrijapan foi fundada em 2001 por meio de um projeto do Ibama e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

"A criação do animal em cativeiro deve seguir algumas técnicas, como optar por ambiente similar ao habitat natural dos répteis, com o controle de temperatura e umidade favorável ao desenvolvimento do animal. Todo o processo de criação é fiscalizado pelo Ibama, que permite a retirada de até 80% dos ovos depositados na natureza. Depois de seis meses, 10% dos animais nascidos dos ovos coletados são devolvidos ao seu habitat", revela Medeiros.

Criadouros buscam evitar o tráfico

Para coibir o tráfico de animais silvestres, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a partir de 1993, publicou diversas portarias e instruções normativas, com o intuito de ordenar a criação de animais silvestres em cativeiro. A partir destes documentos nasceram os chamados criadouros. A existência deles é prevista na Lei de Proteção a Fauna (Lei nº 5197), de 1967, na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9605/98) e no Decreto que regulamentou essa Lei (Decreto nº 3179/99). Existem três tipos de criadouros no País legalizados pelo Ibama: os conservacionista, os comerciais e os científicos.

Os conservacionistas têm por objetivo apoiar as ações do Ibama e dos demais órgãos ambientais envolvidos na conservação das espécies, auxiliando a manutenção de animais silvestres em condições adequadas de cativeiro e dando subsídios no desenvolvimento de estudos sobre sua biologia e reprodução. Nesta categoria, os animais não podem ser vendidos ou doados, apenas intercambiados com outros criadouros e zoológicos para fins de reprodução. Já os comerciais têm por objetivo a produção das espécies para fins de comercio, seja do próprio animal ou de seus produtos e subprodutos.

Os científicos regulamentam as atividades de pesquisas científicas com animais silvestres. Só podem obter esse registro, órgãos ou Instituições devidamente reconhecidas pelo Poder Público.

Raio x

Criadouro de serpentes

Investimento inicial: R$ 15 mil
Capital de giro: R$ 10 mil
Faturamento médio mensal: R$ 10 mil
Número de funcionários: 3
Área: varia de acordo com a quantidade de serpentes
Tempo do retorno: 24 meses
Risco: alto. É preciso cautela porque o empreendimento é muito específico.

Criadouro de pacas e capivaras

Investimento inicial: R$ 40 mil
Capital de giro: R$ 15 mil
Faturamento médio mensal: R$ 15 mil
Número de funcionários: 4
Área: varia de acordo com a quantidade de animais
Tempo do retorno: 36 meses
Risco: alto. Embora o investimento não seja alto, o criadouro não é difundido suficientemente no País.

Criadouro de pássaros silvestres

Investimento inicial: R$ 30 mil
Capital de giro: R$ 10 mil
Faturamento médio mensal: R$ 15 mil
Número de funcionários: 3
Área: varia de acordo com a quantidade de gaiolas
Tempo do retorno: 36 meses
Risco: alto. Existe a concorrência do comércio ilegal de pássaros e dos atravessadores.

Criadouro de jacaré

Investimento inicial: R$ 50 mil
Capital de giro: R$ 20 mil
Faturamento médio mensal: R$ 15 mil
Número de funcionários: 3
Área: varia de acordo com a quantidade de jacarés
Tempo do retorno: 36 meses
Risco: alto. É uma atividade que só pode ser desenvolvida no habitat do animal, como no Pantanal. O empreendedor deve conhecer bastante a área.

Fonte: empresas e Thais Helena de Lima Nunes, consultora do Sebrae/RJ

SERVIÇO
Ibama, www.ibama.gov.br e 0xx-61-3321-7713

Fonte: Jornal do Commércio


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