Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 19/06/2008
Autor: Elizabeth Oliveira

Reciclagem de garrafas PET: demanda maior do que a oferta

Impulsionada pelo crescimento da demanda de fabricantes de roupas, tintas, vassouras e acessórios automotivos, entre outros, a reciclagem de garrafas PET tem-se firmado como um negócio com perspectivas de expansão no Brasil, gerando oportunidades para micro, pequenos, médios e grandes empresários que buscam garantia de rentabilidade aliada à sustentabilidade socioambiental. A recente aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do uso desse tipo de material reciclado para produção de embalagens para alimentos abre o leque de possibilidades de aproveitamento e sinaliza com uma valorização ainda maior desse tipo de matéria-prima, cuja tonelada paga aos catadores já varia entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil.

Auri Marçon, diretor da Recipet, uma das quatro maiores recicladoras de PET do Brasil, considera que esse mercado está em franca expansão. A empresa que dirige é um exemplo do potencial de crescimento, já que começou com uma produção de quatro mil toneladas por ano e atualmente produz 20 mil toneladas. No entanto, a exemplo do que ocorre em toda a cadeia, a fabricante, mesmo atendendo a grandes multinacionais, trabalha aquém da sua capacidade. O motivo é a falta de políticas para a ampliação da coleta seletiva, processo que garantiria matéria-prima de qualidade em maior quantidade para as indústrias do setor.

Pioneiro nesse nicho de negócio, com doze anos de experiência, o executivo explicou que, apesar das dificuldades, as oportunidades estão abertas para empreendedores de todos os portes e capacidades de investimento. "Atualmente, mais de cem empresas no Brasil compram PET reciclado. E as aplicações pela indústria não param de crescer", explica.

Com ampla visão mercadológica, Marçon calcula que, para trabalhar na primeira etapa da cadeia de reciclagem, com atividades de coleta e prensagem das embalagens de PET, um investimento inicial de R$ 30 mil reais é suficiente para garantir o equipamento (prensa e balança) e um local adequado para armazenar o material. Nesse nicho de mercado se concentram os microempresários, segmento que segue se expandindo, principalmente pelo aumento da capacidade de organização de catadores em associações e cooperativas.

Na fase secundária, que já garante a transformação do material em flocos, após todo um trabalho de descontaminação das garrafas, o investimento necessário, segundo o executivo, varia entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

Já as empresas para transformação de flocos em resina, processo que demanda maior capacidade de automação e deixa o material reciclado semelhante à matéria-prima virgem, precisam desembolsar na sua instalação cerca de R$ 5 milhões.

Para os empresários que querem partir para o ramo de reciclagem de PET destinado especificamente às embalagens de alimentos, o nível de exigência em alta tecnologia é bem maior e demandará investimentos de mais de US$ 15 milhões, de acordo com estimativas de Marçon.

Segundo informou a Anvisa, quatro empresas (duas do Rio de Janeiro, uma de São Paulo e outra da Bahia), cujos nomes ainda não foram divulgados, já entraram com pedido de autorização junto à Agência para utilizar as tecnologias batizadas de Super Clean e Bottle to Bottle, embora nenhuma delas tenha, ainda, cumprido todos os trâmites burocráticos para iniciar as atividades.

Além de registro do produto, no rótulo das embalagens que contenham PET reciclado deverá constar o nome do produtor, o número de lote e a expressão PET-PCR.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Alfredo Sette, considera que a indústria de reciclagem tem capacidade de absorver um crescimento de demanda a partir da aprovação da Anvisa para o uso dessa matéria-prima em embalagens de alimentos. No entanto, para que esse mercado possa continuar gerando benefícios sociais, econômicos e ambientais, ele defende a ampliação dos programas de coleta seletiva.

Segundo Sette, a indústria de reciclagem de PET opera com cerca de 20% de capacidade ociosa em função da falta de matéria-prima no mercado. Apesar desse percalço, o presidente da Abipet assinalou que anualmente tem sido elevado o percentual de embalagens recicladas, em função das necessidades da indústria, sendo o setor têxtil o que mais absorve a produção.

De acordo com estimativas da Abipet, em 2007 foram recicladas 230 mil toneladas de PET, ante 194 mil toneladas registradas em 2006. Cerca de metade desse volume é absorvido pela indústria têxtil.

"Mesmo sem infra-estrutura a reciclagem de PET no Brasil já é uma experiência de sucesso. A versatilidade do PET que é 100% reciclável já faz com que a demanda seja maior do que a oferta. Poderiam surgir mais indústrias, gerando mais empregos e outros benefícios ", observou Sette.

Com a resolução da Anvisa, o presidente da Abipet prevê que a demanda pelo PET reciclado deverá aumentar e esse índice deverá crescer ainda mais. "Mas a população precisa ser informada sobre a destinação adequada do material e, principalmente, a infra-estrutura de coleta seletiva precisa ser ampliada e adaptada a esta nova realidade", defende Sette.

*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo as fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.

Fonte: Jornal do Commercio


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