Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 23/06/2008
Autor: Renata Leite

Negócio virtual, lucro real

Combinar um negócio virtual com faturamento real não é tão fácil quanto parece. Apesar da democratização crescente da internet no país, muitos negócios naufragam na rede, um meio no qual logística, visibilidade e formas de pagamento ganham complexidade e funcionam com mecanismos específicos.

Por outro lado, os investimentos em um negócio da rede podem ser consideravelmente menores do que em uma empresa física. Segundo consultores, as palavras fundamentais nesse mercado - especialmente depois da explosão da bolha da internet, em 2001, que mostrou não ser a grande rede uma fábrica de dinheiro para todo e qualquer negócio, bem ou mal planejado - são segurança nas transações, preços competitivos e respeito a prazos de entrega.

Dominic de Souza, country manager da DQ&A, multinacional holandesa especializada em ad operations (publicidade digital), explica que negócios virtuais têm grande potencial de rentabilidade, mas isso não significa que resultem em alto faturamento no final do mês.

"Por terem custo muito baixo para abertura e manutenção, resultados financeiros são facilmente revertidos em lucro. No entanto, existem poucos modelos de negócios no mercado que realmente movimentam volume de dinheiro considerável", analisa o consultor.

O grande problema é que, mesmo sites com grande visitação e aceitação, como o Orkut, sofrem alta evasão a partir do momento que passam a cobrar taxas. Nesses casos, o desafio principal é descobrir meios alternativos de se viabilizar o negócio. Alguns modelos de sucesso são o MercadoLivre e o !ObaOba, duas empresas que tiveram aceitação quando passaram a cobrar taxas de parte dos usuários.

O MercadoLivre atua como uma plataforma de negociação (marketplace) para que pessoas e empresas possam comprar e vender de forma fácil e segura. Segundo Marcos Bueno, gerente comercial da empresa, os investimentos em publicidade, para se atrair compradores e vendedores, são altos. A viabilização do serviço é feita por meio da venda de espaços publicitários e da cobrança de taxas nas ofertas e nas transações.

"Começamos com o modelo tradicional: lançamos a ferramenta na internet e depois de um tempo passamos a cobrar a taxa de quem disponibiliza as ofertas. Houve sim uma pequena evasão, mas já havíamos criado a necessidade de uso da plataforma no mercado e chegamos a um novo equilíbrio", diz Bueno.

Em 2007, dois milhões de vendedores únicos foram responsáveis pela venda de 17,5 milhões de itens através do site. A soma das negociações atingiu US$ 1,5 bilhões. O MercadoLivre está presente em 12 países da América Latina, atendendo cerca de 26 milhões de usuários. Segundo pesquisa da AC Nielsen, 40 mil pessoas obtém total ou parcialmente seus rendimentos por meio da plataforma.

Já o site !ObaOba nasceu como um canal para disponibilização de atrações de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo e, ao longo do tempo, se revelou uma eficiente plataforma para venda de ingressos. Para isso, foi criado um site específico para as transações. Hoje, o ObaObaIngressos tem parceria com as empresas promotoras dos eventos e recebe uma percentual sobre os ingressos comercializados. A transação comercial é suportada por uma plataforma de e-commerce desenvolvida pelo próprio !ObaOba.

O formato descontraído e a segmentação de público do portal !ObaOba, acesssado sobretudo por jovens, já permitiram à empresa atrair cerca de 50 patrocinadoras e clientes, entre eles Banco Itaú, Banco Real, Coca-Cola, Pepsi, Johnson & Johnson, Nokia, GM, NET, Levis, dentre outros. O crescimento do número de anunciantes se deve ainda à atual estratégia de negócios do portal, que oferece aos clientes projetos diferenciados de patrocínios em que seus produtos interagem com o conteúdo.

"Nosso público é preparado para comprar e freqüentar eventos de uma forma geral; por isso o!ObaOba se torna um grande suporte de mídia para marcas que desejam se relacionar diretamente com o jovem, por meio da internet, ambiente em que se sentem muito à vontade", explica Cristiano Nobrega, diretor executivo da empresa virtual.

De fato, os banners de propaganda passaram a ser um meio interessante de viabilizar um negócio online. Mas o consultor Dominic de Souza explica que a ferramenta só se torna atrativa após uma projeção considerável do site no mercado. "É preciso atingir um nicho bastante específico e um público fiel, além de apresentar volumes de visualização bastante altos", revela. Por isso, rentabilizar blogs e sites de relacionamento não é tarefa fácil.

E-commerce cresceu 49% no 10 trimestre

O e-commerce apresenta perspectivas mais atraentes em relação ao volume financeiro movimentado, já que as compras pela internet no país crescem a passos largos. Segundo levantamento da e-bit, só no primeiro trimestre de 2008, de janeiro a março, o comércio eletrônico obteve um faturamento de R$ 1,84 milhão, o que significou um crescimento de 49% nas vendas em relação ao ano passado. Na nova divulgação do ranking do e-readiness, que avalia a predisposição de 70 países a exercerem negócios pela internet, o Brasil avançou uma posição e ocupa o 42º lugar.

Apesar desse crescimento, o consultor Dominic de Souza ressalta que o aumento da demanda de compras ainda não é o ideal quando comparado ao uso da internet no país. Segundo o relatório TIC domicílios 2007, das pessoas que utilizam a internet, 45% pesquisam preços e produtos na rede, mas apenas 16% efetuam a compra. "Esses dados demonstram, de certo modo, a curiosidade que os internautas têm por esse novo mercado, mas revelam também uma certa desconfiança na hora da compra", analisa Souza.

O consultor recomenda aos empreendedores atraídos por esse mercado não descartar o investimento em um escritório físico com capacidade para efetuar trocas de produtos, atender telefonemas de dúvidas e viabilizar a estocagem de produtos. A Apetrexo.com, site de e-commerce que está há oito meses no ar, possui um depósito de 90 metros quadrados e um escritório administrativo de 45 metros quadrados. Em breve, a equipe de webdesigners, vendedores e profissionais do setor financeiro se mudará para um espaço de 80 metros quadrados.

GASTOS. José Eduardo Mendes, diretor comercial da Apetrexo.com, estima ter gasto apenas 10% do valor que seria necessário para a abertura e a manutenção de uma loja física. Com exceção do estoque, a estrutura do site lhe custou R$ 50 mil. A marca é especializada em tecnologia e oferece lançamentos de fornecedores internacionais que ainda não chegaram ao mercado convencional, como o iPhone. O site já alcança R$ 380 mil de faturamento com a venda de produtos que variam de R$ 200 a R$ 3 mil.

Mendes aponta a questão da segurança como um dos principais desafios. Para driblar fraudadores nas compras de cartão de crédito, o empresário contrata parceiros especializados, que possuem bancos de dados com o histórico de compradores virtuais. O fato de operações online não exigirem assinaturas de comprovantes, como acontece nas compras presenciais com cartão de crédito, obriga o varejista a ter cuidado dobrado. É preciso possuir mecanismos que garantam agilidade e confiabilidade à operação.

"No começo foi complicado. Não tínhamos experiência nesse mercado. Até o segundo mês, tomamos prejuízo de valores equivalentes a 10% do faturamento com fraudes em transações com cartão de crédito. Mas isso já caiu para 1%, um índice aceitável", afirma Mendes.

Outro desafio apontado pelo empresário diz respeito à divulgação. Ele elevou de 5% para 10% do faturamento os investimentos em publicidade na internet. Também otimizou os recursos. "Estou usando a listagem do site www.alexa.com, que mostra as páginas mais visitadas da internet. Muitos endereços têm acessos significativos, mas não são muito conhecidos e conseqüentemente cobram menos por publicidade. Nem eles sabem o potencial que têm", revela Mendes, que espera construir uma marca forte para atrair investidores.

BONS RESULTADOS. A Stopplay é mais uma empresa que vem alcançando bons resultados mesmo com a origem relativamente recente. Criada em 2005, a loja de e-commerce registrou alta de 300% em 2007. Especializada em eletrônicos, a empresa virtual enfrenta a concorrência de grandes nomes. "Temos concorrentes fortes, mas é um mercado que tem muito a crescer ainda e tem espaço para outras empresas", afirma Michel Pierre, diretor da Stopplay.

Na sua opinião, o grande desafio no mundo virtual é convencer o usuário a comprar baseado apenas em fotos. "A conversão é menor do que em uma loja física, mas a dimensão de pessoas que acessam a loja é maior. Na loja virtual conseguimos abranger um número grande de clientes inclusive simultaneamente", diz. A segurança com pagamento também é citada pelo empresário. Na Stopplay, a cobrança é feita por cartão de crédito, boleto de pagamento ou transferência online entre contas bancárias.

Souza recomenda ainda aos empreendendedores atenção ao perfil do negócio para análise da viabilidade de se apostar no mundo virtual. Segundo o consultor, esse meio já abrange os mais diversos públicos-alvo, independentemente da classe social ou idade, mas algumas atividades não têm boa resposta sem um contato físico, como venda de roupas, por exemplo. "Nesses casos, a internet funciona apenas como apoio às vendas da loja física", ressalta Souza.

No entanto, a Sack"s, multimarca de perfumaria, está aí para mostrar que toda regra tem sua exceção. A loja virtual recebe em média mil usuários simultâneos, sendo que em horários de pico até quatro mil usuários permanecem conectados. O sucesso do negócio foi um dos agentes motivadores para o fechamento dos três pontos comerciais antes localizados no Rio de Janeiro.

"No princípio, o mercado não acreditou que esse modelo de negócio pudesse dar certo, em função dos consumidores estarem impedidos de sentir o cheiro dos nossos perfumes", revela Patrick Scripilliti, gerente de comunicação da empresa. A estratégia da Sack"s para superar essa dificuldade é enviar amostras grátis de lançamentos com todas as compras feitasno site.

Por outro lado, a empresa tem a vantagem de poder disponibilizar variedade maior de produtos do que qualquer loja real. São 7,5 mil itens, o que não caberia nas estantes de nenhuma outra multimarca. A internet não é só o meio escolhido para as vendas, mas também para a divulgação, por ter resultados mensuráveis com mais facilidade. "Podemos saber quantos clicks e quantas vendas foram originadas de cada parceiro", justifica Scripilliti.

*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo as fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.

Fonte: Jornal do Commercio


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