Data Inclusão: 14/07/2009
Autor: Beatrice Gonçalves
A era dos brechiques
Lojas de roupas usadas adaptam-se a novo perfil de consumo e investem em roupas de grife, sem perder o atrativo do preço baixo
Esqueça a ideia de encontrar só as roupas da vovó em brechós: as lojas se modernizaram e seguem as tendências da moda. As grandes marcas estão na vitrine dos brechós de grife e o catálogo das peças pode estar na internet. O que continua o mesmo é o preço baixo.
As proprietárias dos brechós explicam que a mudança é para melhor atender a uma demanda dos próprios clientes. "Eles estão cada vez mais exigentes e procuram peças diferentes daquelas encontradas em lojas de departamento", afirma Zair Rosa, dona do brechó Misteriosa Ilha, de Florianópolis. Outra novidade é que as roupas vendidas em brechó estão cada vez mais novas. "As pessoas se habituaram a tirar a roupa do armário mais cedo e vir vender aqui", diz. Entre as peças mais procuradas estão as de marca, produtos que estão associados à qualidade e à elegância.
O brechó Capricho à Toa, de São Paulo, se especializou em vender Kenzo, Diesel, Fórum e coleções de estilistas como André Lima e Reinaldo Lourenço. São mais de 30 mil peças a preços que variam de R$ 6 a R$ 149. O brechó tem 800 metros quadrados, são 20 salas com roupas e acessórios para homens e mulheres. No catálogo da loja há tanto roupas para o dia a dia quanto para festas e casamentos. A loja vende também móveis, aparelhos de som e televisão, quadros e peças de decoração. "Tudo o que entra aqui eu vendo em três ou quatro dias", explica a proprietária Denise Carvalho.
As crianças também podem se vestir com estilo e estar na moda usando roupas de brechó. A loja Bolota, de São Paulo, trabalha há sete anos com o segmento infantil e oferece roupas de grife como Gap, Ralf Lauren, Kenzo e Diesel. É possível encontrar um body por R$ 4 e um casaco de inverno por R$ 160. Roupas são até 70% mais baratas do que aquelas encontradas em shoppings. Sheiny Chermont, proprietária da Bolota, afirma que a loja não atrai somente clientes interessados em preço baixo, mas também quem se preocupa com o consumo consciente. "Não faz muito sentido você pagar R$ 200 em um vestido novo no shopping que você vai usar uma única vez, sendo que aqui você vai encontrar um em perfeito estado por bem menos", explica Sheiny. Durante a visita à Bolota, os pais costumam trocar peças que não servem mais por outras, deixam algumas sob consignação e vendem outras para a loja. "Isso é gastar o dinheiro de forma consciente", afirma a proprietária.
Sheiny é também frequentadora de brechós. "Até porque muitos pais que vêm aqui querem dicas." O que falta nas lojas, segundo ela, é bom atendimento, até porque os clientes costumam passar de duas a três horas escolhendo as roupas.
A proprietária conta que se conseguisse implantar o catálogo on-line e disponibilizar a compra das peças pela internet aumentaria as vendas, mas a dificuldade em fazer isso está em cadastrar as 7 mil peças da loja. "Eu recebo todos os dias, em média, sete cadastros na internet de pessoas que não moram em São Paulo e querem comprar na Bolota."
Brechós on-line
Loja Bolota, de São Paulo, trabalha há sete anos oferecendo roupas de grife ao segmento infantil
Os blogs popularizaram os brechós, e quem nunca tinha pensado em abrir um, vende agora peças pela internet. A bancária Nara Bittencourt, de Brasília, resolveu criar o blog Bonequinha de Luxo para vender algumas peças que não serviam mais. "Eram roupas e acessórios da minha mãe, irmãs e até da cunhada", afirma. Como conseguiu vender as peças e garantiu uma renda extra, passou a atualizar a página toda semana.
Nara posta fotos das roupas e acessórios, dá dicas de como combinar a peça e coloca foto de atrizes e cantoras famosas que já utilizaram modelos parecidos. "Eu anunciei um vestido e ele foi vendido no mesmo dia", comenta. Na página, a proprietária publica também uma lista de produtos que deseja adquirir ou mesmo trocar. Mas Nara conta que é difícil encontrar fornecedores para o brechó, porque quando alguém tem peças para vender acaba também montando o seu próprio blog. "O interessante é que a maior parte das pessoas que visitam e compram em brechós on-line é também dona de um", afirma.
O blog faz parte de uma comunidade de brechós on-line e disponibiliza o link de outras lojas virtuais como o do Café Brechó, de Porto Alegre. A loja virtual, que está há um ano no ar, tem uma média de 10 mil visitas ao mês e vende cerca de oito peças por mês. "O blog é uma forma fácil de achar e otimizar o tempo para as pessoas que procuram algo específico, porque a pesquisa é fácil e pode ser feita pelas categorias ou pela caixa de pesquisa", explica Carolina Balsini, proprietária do Café Brechó.
Para evitar que o consumidor seja enganado, um controle de qualidade é feito entre os brechós, e aqueles que não atendem às exigências deixam de ser indicados em outros blogs. O Café Brechó convida todos os clientes a escreverem depoimentos sobre a compra, falando do que acharam da aquisição e se realmente era o produto que esperavam. "Eu nunca tive problemas com nenhuma venda, mas se tivesse, ofereceria o espaço do próprio brechó para o cliente tentar revender sua peça", explica Carolina.
Efeitos da crise
Mas é a crise mundial que, aos poucos, está mudando o dia-a-dia dos brechós e, quem sabe, a maneira de vestir do brasileiro. O brechó Capricho à Toa, por exemplo, registrou no primeiro trimestre um aumento de 30% nas vendas. "São pessoas que querem se vestir com roupas de qualidade, mas gastando menos", explica a proprietária Denise Carvalho.
O aumento na procura por peças mais baratas também foi sentido no brechó Bolota, mas não houve um aumento significativo nas vendas e elas se mantêm estáveis. "Quando começou a crise eu vibrei porque pensei: 'eu sou a saída, criança tem que se vestir', mas não foi o que aconteceu", explica Sheiny Chermont.
Houve um aumento no número de pessoas querendo vender peças para os dois brechós. "O que eu percebi desde novembro do ano passado é que meu telefone toca muito mais que antes. Com a crise, aumentou a procura de pessoas que querem vender para mim coisas para ter outra renda", comenta Sheiny.
No Capricho à Toa ficou mais difícil encontrar um horário na agenda de Denise para tentar vender as peças. "A cada dia eu recebo uma média de 15 fornecedores e a minha agenda está lotada para os próximos dois meses", diz a proprietária. Para se ter uma ideia, antes da crise, o fornecedor esperava no máximo 20 dias para agendar uma visita à loja. Bom para o consumidor, que encontra cada vez mais boas opções.
Dicas de compra
Neste inverno as peças da moda podem estar nos brechós. A dica da consultora Juliana Correa, da Persona na Moda, é passar algumas horas em um à procura de blazers, vestidos tubo, calças baggy, peças de um ombro só e leggings de couro. Quem procura peças clássicas também pode investir em cortes, cores ou estampas que marcaram época e que poderão ser utilizadas durante várias estações. Na hora da compra é bom prestar atenção em alguns detalhes:
- Escolha peças diferentes. - Pense no seu estilo. - Preste atenção se não está faltando algum botão ou se a peça apresenta algum defeito. - Se a roupa for muito antiga, veja se o tecido está em bom estado. - Verifique se não há manchas ou partes rasgadas. - Não compre nada sem provar antes, pois em geral as lojas não fazem trocas e nem aceitam devolução. - Se você gostar de alguma peça, compre, porque dificilmente ela permanecerá lá por muito tempo.
Compras on-line
A compra on-line deve ser feita com alguns cuidados, porque a maior parte dos brechós não aceita devoluções. Os blogs trazem fotos dos produtos, marca, dimensões e há até os que dão sugestões de como utilizar a peça. Em alguns casos é possível efetuar a compra usando o cartão de crédito, em outros só com a transferência bancária. Assim que o pagamento é feito, o brechó envia o pedido.
Este perfil tem como finalidade apresentar informações básicas a respeito da abertura de uma Empresa de Assessoria Doméstica e Pessoal. Serão abordado...