Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 17/05/2011
Autor: Darlan Alvarenga

Fabricantes investem no mercado de 'sacos de lixo ecológicos'

Fim de distribuição de sacolas em supermercados tende a elevar vendas.
Sacos 'mais verdes' chegam a custar até seis vezes mais que o tradicional.

Reciclado, 100% renovável, biodegradável, compostável e hidrossolúvel. Estas são algumas das opções de "sacos de lixo ecológicos" que já estão sendo oferecidas no mercado pelos fabricantes, que tentam se adaptar às mudanças que programas de eliminação das sacolinhas plásticas em supermercados começam a provocar nos hábitos de consumo em estados como São Paulo e Minas Gerais.

As principais empresas de embalagens plásticas do país apostam que o fim das sacolinhas fará crescer as vendas de sacos de lixo e estão incluindo produtos mais sustentáveis em seus portifólios. O fenômeno já é observado em cidades que baniram as sacolas descartáveis, como Belo Horizonte (MG) e Jundiaí (SP).

Fabricantes lançam no mercado sacos de lixo alternativos

Durante a Apas 2011, feira da Associação Paulista de Supermercados, as linhas ecológicas foram o destaque entre os lançamentos dos fabricantes de sacos plásticos. A Embalixo começou a distribuir no país um saco de lixo feito a partir de etanol de cana-de-açúcar no lugar de petróleo, resultado de uma parceria com a Braskem, que desenvolveu o 'plástico verde'. "Utilizamos matéria-prima 100% renovável, de origem vegetal e é um produto 100% reciclável", afirma o diretor industrial Ronaldo Costa.

O produto custa o dobro do saco de lixo convencional, mas a empresa aposta que até 2012 ele passará a ser o mais vendido do seu portifólio. "Por enquanto, esse produto representa menos de 20% da nossa produção, mas a tendência é crescer exponencialmente, principalmente nas cidades que estão abolindo as sacolas de supermercado", diz Costa.

Saiba mais

Supermercados de SP vão banir sacolas plásticas até janeiro, diz Apas Votação do projeto de lei das sacolinhas é adiada em SP Substituição de sacolas em supermercados não será obrigatória, diz Alckmin Supermercados de SP oferecem alternativas para sacolas plásticas A Extrusa-pack está colocando nas prateleiras dos supermercados sacos biodegradáveis e compostáveis (que podem virar adubo). A tecnologia desenvolvida pela Basf leva amido de milho na composição. Segundo a fabricante, o produto se decompõe em poucos meses sem deixar substâncias tóxicas no solo. O saco feito a partir dessa matéria-prima é cerca de 30% mais pesado. Já o preço chega a ser até seis vezes maior que o do plástico comum.

A nova tecnologia foi a alternativa encontrada pela empresa para compensar as perdas de receita em cidades que já baniram das sacolinhas plásticas. Nestes locais, os supermercados passaram a vender sacolas biodegradáveis e compostáveis por R$ 0,19 cada unidade.

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) assinou um acordo com o governo do estado de SP prevendo o fim da distribuição de sacolinhas descartáveis até 25 janeiro de 2012.

"Com o fim das sacolinhas vai crescer a procura por materiais mais sustentáveis e estamos vendo os biodegradáveis e compostáveis como uma alternativa para salvar um pouco o nosso negócio", afirma Gisele Barbin, gerente comercial da Extrusa-pack, que passou a fabricar também sacolas plásticas retornáveis.

Na fábrica da empresa em Guarulhos, a linha de plásticos biodegradáveis e compostáveis representa hoje 10% da produção. "Com o estado de São Paulo aderindo ao programa de eliminação das sacolinhas, a fatia dessa produção deve subir para 50%", prevê a gerente.

João Paulo Mignot, diretor-executivo da Eco Vetures também vê como "altamente promissor" o mercado de plásticos compostáveis. A empresa representa no Brasil a tecnologia desenvolvida pela australiana Cardia, que também usa amido de milho na composição. "Queremos num futuro breve montar uma fábrica para fazer a resina aqui no Brasil e não precisar importar", afirma.

Plásticos biodegradáveis
Outra tendência no mercado, principalmente entre as empresas que utilizam derivados de petróleo como matéria-prima principal, é produção de sacos de lixo oxibiodegradáveis, cuja decomposição é acelerada em razão de um aditivo adicionado à resina plástica durante a fabricação, que quebra a cadeia molecular do polímero plástico em cadeias moleculares menores. Estes plásticos custam em geral cerca de 10% a mais que o tradicional.

"O saco de lixo é feito de um material mais resistente do que as sacolinhas e pode ser feito a partir de outros plásticos. E como é pago, as pessoas tendem a fazer um uso mais racional", Sandro Donnini Mancini, professor da Unesp.

"O tempo de decomposição depende muito do ambiente em que ele é descartado, mas ele chega a se degradar 200 vezes mais rápido que o comum que chega a levar até 300 anos. E é um material que pode ser reciclado junto com outros plásticos", afirma Eduardo Van Roost, diretor da Res Brasil, empresa que oferece a matéria-prima com tecnologia inglesa para 300 fabricantes no país.

Além do plástico oxiobiodegradável, a empresa também distribui no Brasil embalagens compostáveis, feitas com uma tecnologia desenvolvida pela italana Novamont, que também usa amido de milho na composição. Rosst considera, porém, o oxibiodegradável a opção mais adequado às condições brasileiras.

"O compostável é caro e não pode ser reciclado junto com plástico convencional, nem feito a partir de plástico reciclado. Só faz sentido se existe coleta seletiva, destino adequado e usina de compostagem. Do contrário, é comida jogada no lixo porque usa amido que é fonte de alimento", afirma. "Nem nos países detentores da tecnologia e matéria prima, como Alemanha e Itália, utilizam este produto em locais onde não existe coleta separada e destino para compostagem".

Saco comum já é melhor do que sacolinha, diz professor

Para o professor de Engenharia Ambiental da Unesp, Sandro Donnini Mancini, a alternativa ecológica mais viável economicamente no momento são os sacos de lixos feitos a partir de plástico reciclado. Ele afirma, porém, que mesmo os sacos de lixo tradicionais já são menos danosos ao meio ambiente que as sacolinhas de supermercado.

"O saco de lixo é feito de um material mais resistente do que as sacolinhas e pode ser feito a partir de outros plásticos. E como é pago, as pessoas tendem a fazer um uso mais racional", afirma.

Aditivo da Res Brasil utilizado na produção de plásticos biodegradáveis

O especialista em resíduos sólidos ressalta, porém, que apóia as alternativas mais sustentáveis desenvolvidas pelo mercado. "Todas as inovações são interessantes, o que preocupa é capacidade de produção em escala e a propriedade e resistência destes materiais".

Ele também alerta para a necessidade de uma legislação mais rígida sobre o destino do lixo. "Metade do lixo domiciliar é compostável, mas são pouquíssimas as usinas de compostagem no Brasil", destaca. "Plástico biodegradável é, sem dúvida, melhor que o comum, mas num aterro sanitário não funcionam muito bem. A melhor opção é sempre a reciclagem", acrescenta.

Mancini afirma ainda que a eficácia dos plásticos oxiobiodegradáveis ainda é tema de controvérsia científica. "O plástico de fato vira um farelo, mas ainda falta comprovação científica defibitiva de que essas partículas são efetivamente consumíveis", diz.

Para o professor José Lázaro Ferraz, do Curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Sorocaba, os sacos plásticos biodegradáveis ainda são objeto de muita especulação.

"Os plásticos verdadeiramente biodegradáveis existem e são derivados de amido ou de cana de açúcar e são utilizados na área da medicina, mas pelo seu preço são inviáveis na aplicação de sacolas de lixo", afirma. "A alternativa realmente ecológica é o uso de sacolas retornáveis que podem ser de tecidos ou materiais similares que que a dona de casa leva para fazer compra. Essa é a alternativa que deve ser amplamente divulgada e incentivada para os consumidores".

*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo às fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.

Fonte: Site G1


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