Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 22/08/2001
Autor: SEBRAE/SC

Veneno de cobra vale vinte vezes mais que ouro

Os venenos de cobra estão entre as commodities mais valiosas do mercado. A indústria farmacêutica chega a pagar até US$ 500 pelo grama do veneno cristalizado de jararaca, jararacuçu ou cascavel. Isso eqüivale a 22 vezes o preço do grama de ouro. Mas a atração do negócio é proporcional aos seus riscos. Os investimentos para erguer e manter um criadouro estável são altos, as cobras morrem com facilidade e o mercado é fechado. Os laboratórios exigem altos padrões de qualidade e não alardeiam seu interesse pela substância, cuja lista de utilizações vai muito além da produção de soros.

Entre os criadouros comerciais registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) constam 14 empreendimentos com serpentes. Vários deles nem entraram em operação comercial ou foram desativados. O maior criadouro do País funciona há 20 anos em Uberlândia (MG). É o Pentapharm, controlado por uma empresa suíça que fica com todo veneno produzido. O veneno é cristalizado e exportado. O preço do grama não é revelado.

São cerca de cinco mil cobras, todas da espécie jararacuçu (Bothrops moojeni). Cada uma delas produz, em média, cem miligramas de veneno por mês. O Pentapharm fatura, no Brasil, em uma estimativa modesta, pelo menos US$ 200 mil mensais. 'Até 1999, tínhamos 12 mil cobras no criadouro', afirma Juscelino Rodrigues, gerente técnico do Pentapharm. 'Mas era difícil manter a qualidade e a produtividade'. Rodrigues diz que o plantel diminuiu, mas não a produção. O Pentapharm chega a extrair 300 miligramas de veneno de algumas serpentes. Como a extração é um processo traumático para o animal é feita apenas uma coleta por mês.

Os venenos das serpentes brasileiras, sobretudo as jararacas, são misturas biológicas complexas de toxinas, enzimas e outras substâncias ativas. Muitos desses componentes têm funções essenciais na coagulação sangüínea, pressão arterial, agregação plaquetária, transmissão do impulso nervoso, funções analgésicas e anti-cancerígenas e outras ainda em fase experimental ou por serem descobertas. Por isso, os venenos são usados como ferramentas de diagnóstico e remédios. O veneno de cascavel é utilizado em uma eficaz cola cirúrgica.

Um dos mais ambiciosos projetos de produção de veneno de serpentes já desenvolvidos no Brasil está em fase adiantada de implantação na Bahia. O criadouro da Fazenda Santo Antonio da Vertente, em Jussari, na região cacaueira do Estado, tem por objetivo não só a comercialização do veneno bruto, mas também a venda dos componentes ativos fracionados: certas substâncias chegam a custar US$ 3 mil o grama no mercado farmacêutico internacional.

O empresário Paulo Adami Carletto já investiu US$ 455 mil no negócio. O início da operação está previsto para outubro, quando, segundo o empresário, já terá saído a licença de funcionamento do Ibama. Para assegurar o sucesso da empreitada, o empresário cercou-se de especialistas, entre eles o pesquisador Aníbal Melgarejo, chefe da divisão de animais peçonhentos do Instituto Vital Brazil (RJ).

No início, o criadouro contará com um plantel de 700 serpentes, das quais 300 cascavéis, 225 malhas de sapo, 50 jararacas e 25 jararacuçus. As instalações ocuparão uma área de 7,36 hectares. O projeto contará ainda com 60 jibóias e 40 salamantas, que serão comercializadas como animais de estimação.

A produção projetada para a primeira fase é de 500g de veneno liofilizado por ano. Mas a intenção de Carletto é ampliar o plantel para cinco mil cobras dentro de dois anos, o que deverá proporcionar uma produção anual de 1,5 Kg de veneno. O volume, calcula o empresário, é suficiente para gerar 150g de princípios ativos.

No Brasil, as jararacas habitam do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul e são catalogadas em quase 30 espécies. A população de serpentes é bastante alta na região cacaueira, já que os cacauais atraem ratos, alimento preferidos das serpentes. No Pentapharm há uma criação de 30 mil camundongos. Cada cobra adulta come três camundongos por mês. Em cativeiro, as jararacuçu vivem até oito anos. A idade produtiva começa aos dois anos e meio de vida.

A composição do veneno varia entre as espécies. Do veneno da Bothrops moojeni e de outras espécies de jararaca, por exemplo, é isolada a enzima Batroxobina, coagulante do fibrinogênio. A enzima foi utilizada pelo laboratório Pentapharm como agente tópico hemostático - com o nome registrado de Reptilase - e também de forma sistêmica, para prevenir a formação e a propagação de trombos e aumentar a circulação capilar, com o nome de Defibrase.

Até agora, o fracionamento do veneno no Brasil só é feito por laboratórios ligados a universidades e institutos de pesquisa. O projeto da Fazenda Santo Antonio da Vertente será o primeiro da iniciativa privada, com fins comerciais e com uma meta de longo prazo, que é a de vir a produzir medicamentos genéricos. Apesar de considerar o projeto da Fazenda Santo Antonio da Vertente "um empreendimento sério", o pesquisador Melgarejo o considera um negócio de alto risco. 'Muitas empresas de biotecnologia estão pesquisando derivados sintéticos e a qualquer momento os componentes do veneno de serpentes podem ser substituídos', adverte.



ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Parece que vender cobras com animais de estimação também é um bom negócio. O serpentário da Fazenda Santo Antonio contará com uma área de pets, dominada por jibóias. Paulo Adami Carletto, dono do projeto, diz que o mercado de cobras de estimação movimenta milhões de reais a cada ano. A cifra exata não é conhecida porque esse comércio é feito quase sempre clandestinamente.

O pesquisador Aníbal Melgarejo, do Instituto Vital Brazil, acredita mesmo que este pode ser um negócio bem mais atraente, em termos comerciais, do que a comercialização de veneno, já que se encontra em plena ascensão.

O negócio de pets é movimentado por filhotes de serpentes inofensivas, de espécies que se destacam pelo colorido, comportamento dócil e porte, caso da jibóia. Nos Estados Unidos e na Europa, sobretudo na Inglaterra, manter animais de estimação como esses já se tornou comum. Uma pesquisa realizada por Carletto, na Alemanha, mostrou que uma serpente adulta, de 6,5 metros de comprimento, de espécie brasileira, chega a ser vendida por US$ 250.


Autor(a): Vicente Vilardaga e Maria José Quadros

Fonte: Gazeta Mercantil


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