Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 26/09/2011
Autor: Alessandra Ogeda

Novos empreendedores: A procura pela próxima ideia milionária

Santa Catarina está no mapa da indústria de capital de risco, sempre em busca de projetos inovadores e com alto potencial de crescimento

A história já virou até filme. Em apenas quatro anos, a rede social criada no dormitório de Harvard fez de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, o bilionário mais jovem da história a construir fortuna a partir do zero - isso foi em 2008, quando ele tinha 23 anos.

A empresa iniciante (startup) de Zuckerberg é a junção de uma boa ideia, empreendedorismo e gente disposta a virar sócia de um projeto com alta chance de naufragar. Uma fórmula que já gerou sucessos como Apple, Google, Twitter e Skype, para citar alguns nomes, e que, guardadas as devidas proporções, tenta-se replicar em SC e vários cantos do mundo.

Na busca pela próxima ideia matadora para um serviço ou produto está a indústria de capital de risco, representada por fundos de investimento e as redes de investidores individuais (conhecidos como investidores-anjo). Além de dinheiro, eles oferecem ajuda na gestão do negócio.

Não importa se essa ideia foi forjada em uma garagem, uma incubadora tecnológica ou numa sala de aula. O importante é que ela tenha potencial para revolucionar um setor ou gerar um novo mercado, crescer rapidamente a taxas de dois dígitos e, de quebra, possuir apelo global.

Na outra ponta estão os empreendedores digitais catarinenses. A maioria com menos de 30 anos, um projeto ou um protótipo na mão e pouquíssima chance de convencer um gerente de banco a liberar um empréstimo tradicional.

O acerto entre investidores e empreendedores não é tarefa fácil. Exige muita persistência e um plano de negócios capaz de chamar a atenção rapidamente.

O DC ouviu quatro jovens que descobriram o caminho das pedras e contam as suas experiências nestas páginas.

-A proposta tem que convencer o investidor no tempo de uma viagem de elevador ou, algumas vezes, vendê-la na fração da queima de um fósforo - diz Tarqüínio Teles, fundador da Hoplon Infotainment.

Se não deu certo na tentativa inicial, o negócio é persistir: da primeira reunião à assinatura do contrato, o processo pode levar entre seis meses e um ano. Paciência vale ouro. Ou, neste caso, capital de risco.

Para ler onde quiser

O maior problema não é ter uma ótima ideia, mas conseguir definir um modelo de negócios sustentável. Agregue valor ao que você está oferecendo e mostre de que maneira a proposta trará dinheiro para quem acreditar nela.

O carioca Marcos Passos tinha 13 anos quando criou o site AnimeSchool, uma página colaborativa sobre animes (animações japonesas) que se tornou uma das 70 mais visitadas do país. Aos 17, foi a vez do Bookess, um site para a publicação e venda de livros, considerado, dois meses depois de seu lançamento, um dos 10 melhores sites de publicação e leitura online do mundo pela revista americana CeoWorld.

Com este currículo, não foi difícil para Marcos obter resposta dos cinco fundos de investimento para o qual mandou, por e-mail, o plano de negócios para o Bookess. Contrariando a regra da concisão, ele enviou 50 páginas de um plano bem detalhado.

Oito meses depois, ele fechou um contrato com a Floripa Angels, uma rede de investidores que começou com quatro pessoas, em 2008, e que hoje soma 15 executivos de grandes empresas. A grande sacada para o Bookess surgiu em 2008, em uma viagem do então universitário Marcos, que morava no Rio, para Vitória. Ele lembrou de colocar tudo na bagagem, menos o livro Fortaleza Digital, que estava devorando.

- A única maneira lícita de continuar lendo aquele livro seria comprando outro, na livraria. Daí eu pensei que seria ótimo ter uma cópia virtual que me permitisse ler o livro que eu comprei em qualquer parte - recorda.

Tecnologia no campo

Produza um resumo com dados da empresa (o que faz, mercado, produtos e projeção de crescimento) e do projeto de investimento que seja convincente, tentando conquistar uma primeira reunião de apresentação - onde entrará o plano de negócios.
Dois anos depois de ter se formado engenheiro de automação na UFSC, Bernardo de Castro, hoje com 31 anos, fundou a Arvus com um amigo dos tempos de faculdade. A ideia de aplicar tecnologia no campo nasceu por influência de um tio, que gerenciava uma fazenda em Goiás.

E o dono desta fazenda foi o primeiro a investir dinheiro na startup. Por quase três anos, a Arvus focou no desenvolvimento do produto. Depois da entrada de um novo sócio, em 2007, vieram as primeiros frutos. Naquele ano, a Arvus conseguiu conquistar um cliente importante: a Votorantim Celulose e Papel.

- Ter como cliente uma empresa grande de um mercado como o florestal é um atrativo importante para os investidores. Naquele mesmo ano, começamos a buscar fontes de financiamento - conta Castro.

A crise de 2008 secou as fontes de capital de risco. No ano seguinte, a Arvus conseguiu os recursos que necessitava para investir em pesquisa e desenvolvimento com o fundo Criatec, depois de aproximadamente oito meses de negociações.

- Passamos por uma due diligence (investigação de todos os detalhes da empresa) por três meses. Qualquer empresa que pense nesse tipo de investimento deve estar preparada para enfrentar fases cada vez mais difíceis, como em um videogame.

US$ 15 mi em jogo

Não perca a oportunidade de vender o seu negócio como uma boa ideia para um investidor. Como nos vestibulares, a chance aumenta depois de algumas tentativas. Por isso busque, primeiro, fundos em sua região para treinar.

Os sonhos de Tarqüínio Teles, 40 anos, não teriam se concretizado se ele não tivesse convencido um fundo de capital de risco a investir no universo do jogo Taikodom. Logo que criou a Hoplon Infotainment, em maio de 2000, na empolgação das empresas de tecnologia na internet, ele sabia que precisaria de financiamento para fazer o negócio decolar.

Com um plano de negócios detalhado de 20 páginas e outras 20 de apêndice, Tarqüínio procurou os poucos fundos de investimento com capital de risco existentes no país no início dos anos 2000. Conseguiu assinar o contrato com a Idee Tecnologia, de São Paulo, em janeiro de 2004.

- Isso foi fundamental, porque pela quantidade de pessoas que precisávamos para desenvolver o produto e o tempo para produzi-lo, só mesmo com investimento de uma fonte externa.

Até a injeção de dinheiro, o projeto do Taikodom ficou na gaveta. A equipe da Hoplon trabalhava em jogos simples, projetos de automação e simulação científica. O projeto ambicioso de desenvolver, pela primeira vez no país, um jogo virtual de uso massivo conquistou os investidores. Não apenas pelo argumento de que no país existem 35 milhões de jogadores ativos de games, mas também pelo plano de negócios detalhado de Teles, que serviu, posteriormente, para nortear os passos da empresa.

Compra personalizada

Procure se aperfeiçoar buscando, além das informações técnicas, conhecer um pouco mais de outras áreas, como Administração e Direito, que podem auxiliar muito no desenvolvimento da nova empresa.

A Chaordic partiu em busca de dinheiro para crescer logo que foi fundada, em 2008. A fonte inicial veio de editais públicos.

- Com aquele dinheiro, conseguimos montar a nossa equipe. Mas os recursos dos órgãos de fomento não podem ser utilizados para qualquer coisa. Eles têm um uso limitado. Por isso começamos a buscar recursos nos fundos de investimento - conta João Bosco, 29 anos, sócio-proprietário da Chaordic.

Após oito meses de negociação, Bosco e João Bernartt venderam 20% da empresa para o fundo DLM Invista. Com o recurso, eles dobraram o número de funcionários e aceleraram o desenvolvimento das soluções criadas para comércio eletrônico.

- Conseguimos fazer isso porque eles acreditaram no potencial do que estávamos fazendo. Quando conquistamos o investimento, não tínhamos finalizado o nosso primeiro produto e nem tínhamos clientes ainda.

A aposta do DLM Invista, concretizada em 2010, logo comprovou estar correta: em setembro do ano passado, a Chaordic conquistou o seu primeiro grande cliente, a Livraria Saraiva. Além do aporte financeiro, a chegada da DLM como sócia da Chaordic auxiliou a startup com a experiência dos sócios do fundo.

"Eles contribuem muito nos auxiliando com networking (rede de contatos) e com dicas valiosas" avalia Bosco.

A cabeça do investidor

Os recursos do capital de risco são praticamente ilimitados - ainda que cada fundo e investidor-anjo costume trabalhar com um teto de investimento. Mas a lógica desta fonte de capital é sempre a mesma: entrar em um negócio promissor e inovador, ajudar ele a crescer e depois vendê-lo.

Por causa dessa lógica, empreendedores e investidores recomendam que aqueles que buscarem esse tipo de aporte de capital não tenham muito apego ao próprio negócio. Isso porque a empresa poderá ser totalmente vendida no final do ciclo de injeção de capital, se essa for a vontade de quem se interessar pelo negócio.

Os investidores estão de olho nas startups porque elas têm um potencial gigantesco, como explica Reinaldo Coelho, gestor para a região Sul do fundo Criatec.

- Elas podem chegar, após receberem um investimento e se desenvolverem, a faturamentos de muitos milhões, com atuação nacional ou até mundial.

O Criatec, que conta com R$ 70 milhões do BNDES e Banco do Nordeste para o investimento em startups inovadoras e de base tecnológica, tem como meta multiplicar o capital investido entre seis e 12 vezes em 10 anos. Neste prazo, prevê gastar outros R$ 30 milhões na gestão do fundo.

Coelho diz que cinco empresas receberam R$ 12 milhões do fundo ¿ quatro delas de Florianópolis. Desde o início de 2008, quando o Criatec começou a operar, tem dobrado de valor a cada ano, na média.

- Nem todas as startups vão multiplicar o que investimos até 12 vezes. Mas queremos e precisamos fazer uma média muito superior à americana, onde uma em cada 10 empresas realmente se dá bem.

Floripa Angels recebe 15 planos por semana

Outra opção para levantar dinheiro são os investidores-anjo. Um grupo deles, o Floripa Angels, recebe cerca de 15 planos de negócio por semana.

- Quando aparece um investimento interessante, formamos um subgrupo, normalmente de três ou quatro investidores, para aplicar recursos no projeto ¿ explica o gestor da Floripa Angels, Marcelo Cazado.

Cada investidor tem capacidade média de aplicar de R$ 500 mil em empresas inovadoras. O ciclo para a entrada e a saída das redes de investidores de um negócio varia muito. Pode demorar um, três ou até cinco anos. O ideal, de acordo com o gestor, é que o patrimônio investido dobre a cada ano.

-Quanto mais rápido pudermos entrar e sair de um negócio, mais rapidamente poderemos investir em outras empresas.

*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo às fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.

Fonte: Diário Catarinense


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