Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 04/12/2001
Autor: Estado de São Paulo

Material para construção: loja que rende o ano todo

Setor deve faturar R$ 32 bilhões em 2001

A maioria das pessoas sonha em construir sua casa própria ou reformar o lugar onde mora. Com dinheiro no bolso, o cliente sai em busca de uma boa loja para fazer suas compras de materiais para construção. Essa história se repete milhares vezes, todas as épocas do ano, e é por isso que as lojas do setor não param de crescer. Atualmente são 105 mil estabelecimentos de vendas no Brasil, que devem terminar o ano de 2001 com um faturamento de R$ 32 bilhões, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção (Anamaco).

De acordo com a associação, 56% dessas lojas são consideradas pequenas, com até dez funcionários, 40% possuem entre 11 e cem empregados e apenas 4% possuem mais de cem. Para 2002, as expectativas da associação são favoráveis. Espera-se um crescimento de 4% no faturamento das lojas. Para o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Maquinismos, Ferragens, Tintas, Louças e Vidros da Grande São Paulo (Sincomavi), Reinaldo Pedro Correa, esse é um setor difícil de sofrer uma queda.

"Cresce de acordo com a população. Todos sonham em ter casa própria, por isso é um setor que está sempre em crescimento", afirma. Segundo ele, ainda há muito espaço para o pequeno lojista. "É um mercado que não precisa de um investimento muito alto. Com cerca de R$ 20 mil (em estoque) é possível começar uma loja com produtos básicos", diz.

Correa destaca que ainda há muita informalidade no setor, principalmente nas lojas de periferia. "Lutamos sempre para diminuir os encargos sociais, que para os pequenos acaba pesando muito no faturamento." Segundo Correa, apenas 30% das lojas abertas na Grande São Paulo sobrevivem ao quinto ano de funcionamento. "Ter experiência no setor é importante. Cada vez mais os clientes fazem suas próprias reformas, por isso procuram funcionários com qualidade técnica, que ofereçam informações precisas sobre os produtos a serem comprados."

Para o vice-presidente do sindicato, a grande vantagem que as pequenas lojas têm sobre as grandes redes está no atendimento ao cliente. "Os pequenos podem oferecer um atendimento diferenciado", afirma. Em relação aos preços, os estabelecimentos de pequeno porte podem se beneficiar de associações como o Clube de Compras do sindicato, que une os lojistas para fazerem compras conjuntas por um preço menor.

Anamaco, (0--11) 3151-5822. Sincomavi, (0--11) 3326-8255.

SEBRAE ESTUDOU O SETOR NA ZONA LESTE

Entre novembro de 2000 e fevereiro de 2001, Sergio Diniz, consultor de administração geral do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) fez um estudo para avaliar a situação dos empresários do setor de materiais de construção na zona leste de São Paulo. Esse levantamento proporcionou a criação de cursos e palestras específicas. "Esse conhecimento não está sendo aplicado apenas na zona leste, outras regiões e cidades estão ganhando com isso", afirma.

Segundo Diniz, o foco das aulas são as tendências do mercado. "Cada vez mais os grandes fabricantes procuram as pequenas lojas para reduzir seus riscos.

Assim os preços se tornam mais competitivos." Além disso, ele destaca que a escolha do ponto comercial é fundamental para o sucesso do negócio.


BOM ATENDIMENTO INFLUI NOS GASTOS DO CLIENTE

Que o vendedor está diretamente ligado ao cliente todo mundo sabe.

Mas, esse relacionamento é ainda mais importante no caso das lojas de materiais para construção. "Cada vez mais as pessoas buscam funcionários que conheçam bem os produtos a serem vendidos. O bom conhecimento do vendedor é fundamental", afirma o professor Claudio Felisoni de Angelo, coordenador do Programa de Administração de Varejo da Fundação de Administração da FEA/USP (Provar).

Em pesquisas realizadas entre 1998 e 2000, o Provar identificou diversos problemas e as principais exigências do consumidor final desse setor. "Os gastos do cliente estão diretamente relacionados ao bom atendimento do vendedor. Dos entrevistados na pesquisa, a maioria que classificou o atendimento como ruim gastou, em média, R$ 18,50. Já os que responderam ótimo, gastaram R$ 125", afirma o coordenador.

Entre outros dados relevantes da pesquisa destaca-se a importância que o consumidor dá para fatores vitais de uma loja. No quesito 'muito importante' aparece em primeiro lugar os preços baixos (92,5%). Em seguida está o desconto para pagamento à vista (86,3%) e em terceiro está a variedade de produtos da loja de materiais para construção.

GRANDE PARTE DAS EMPRESAS SÃO FAMILIARES

A história do filho que herdou o comércio do pai ou que começou junto com ele não é coisa do passado no ramo de materias para construção.

Muitos ainda vivem essa realidade e também dividem com o resto da família as obrigações do negócio. Quanto maior a loja, mais espaço para trazer os familiares para perto.

É o que ocorre com o empresário José Mauro Trazzini, dono de duas lojas e cinco pontos de venda de materiais para construção, na zona leste de São Paulo e com Claudionor Leão, que tem uma loja na mesma região da cidade.

Trazzini é proprietário da Mauro Center, que emprega 30 de seus familiares.

"É preciso ter pessoas com vontade de trabalhar", afirma. O empresário começou no ramo em 1974, ao lado do pai, que possuia um depósito de materiais para construção. "Saímos do interior do Paraná para começar um negócio em São Paulo. No começo tínhamos apenas um caminhão para buscar areia durante a madrugada para abrir o depósito cedo", conta.

Depois de 27 anos, Trazzini continua supervisionando tudo. "É preciso estar perto do negócio, sempre em busca de bons preços. O dono tem de por a mão na massa, usar de criatividade para estar sempre melhorando", afirma.

Ele destaca que essa é uma das grandes vantagens das pequenas lojas sobre as grande redes. "Tem de saber os problemas dos clientes e oferecer um bom atendimento. O público quer atenção." Para atender melhor essa clientela, ele investe em treinamento e cursos para seus 150 funcionários, além de reuniões quinzenais para ficar a par de tudo o que está ocorrendo. "Todo dia há coisas novas para aprender", afirma. Ele acredita que ainda há espaço para quem quer entrar no ramo, mas faz questão de repetir: "Tem de estar preparado para trabalhar muito e estar sempre junto ao negócio", afirma.


Infância - Claudionor Leão, proprietário da Casa Leão há dez anos, também se inspirou no pai para definir que tipo de negócio iria trabalhar. "Desde criança, meu pai trabalhava no ramo, aí, quando tive a oportunidade de comprar a loja de um primo, não perdi a chance", diz.

Hoje ele conta com cinco funcionários, além do filho Raphael, de 17 anos que ajuda o pai no dia a dia da loja. Leão também avisa que o atendimento personalizado é essencial para o bom andamento da loja de materiais para construção. "É preciso atender bem, inclusive os profissionais, como pedreiros e pintores", diz.

Quanto ao mercado de construção, Leão afirma que as vendas são boas durante o ano todo. "Estamos sempre bem abastecidos, as pessoas fazem reformas durante o ano todo. É claro que no fim do ano o movimento sempre aumenta, principalmente em relação à venda de tintas", conta. Mesmo com a concorrência da diversas redes de lojas grandiosas, Leão acredita que os pequenos lojistas sempre terão seu espaço garantido no mercado. "O atendimento personalizado será sempre uma vantagem dos menores", acredita.

Autor(a): Gabriela Gemignani

Fonte: Estado de São Paulo


Destaques da Loja Virtual
O FUTURO COMO UM BOM NEGÓCIO: COMO AS PERCEPÇÕES ...

Atualmente todos enfrentam desafios impossíveis. No entanto, o flash de antevisão transforma o impossível em possível revelando oportunidades ocultas ...

R$75,00