Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 26/03/2002
Autor: Gabriela Gemignani

Máquinas que dão lucro

Setor aposta na ampliação do mercado

Falta de moedas e alta do dólar causaram inibição do aumento de máquinas no País

As máquinas de vendas automáticas - conhecidas como "vending machine" - chegaram ao Brasil em 1984, com uma atuação tímida da Coca-Cola, mais como estratégia de marketing do que a tentativa de explorar o potencial do setor. Aos poucos, outras marcas investiram nesse filão. Mas foi no fim de 94 que empresários começaram a encarar o segmento como uma fonte real para se investir - então houve um crescimento significativo na quantidade de máquinas no mercado.

"Depois desse 'boom', em que os equipamentos foram instalados em todos os tipos de estabelecimentos, houve uma mudança no mercado. Hoje, o segmento está focalizado em empresas, estabelecimentos de ensino e hospitais", afirma Gustavo Salomão, presidente da Associação Brasileira de Vendas Automáticas (ABVA) - que está lançando a Vending Magazine, revista voltada ao público do setor.

Atualmente são cerca de 35 mil máquinas no País, das quais metade ainda está concentrada nos refrigerantes da Coca-Cola Company. O crescimento registrado pelo setor é de 27% ao ano. O Brasil ainda está muito longe de países como Estados Unidos e Japão, que já em 94 possuíam mais de 2 milhões de máquinas cada um.

"Um dos grandes inibidores desse crescimento é a falta de moedas no mercado. Além disso, a alta do dólar prejudicou a importação das máquinas", diz Salomão. Por outro lado, as perspectivas são boas, já que algumas indústrias estão investindo na fabricação de equipamentos nacionais.

A representante brasileira da divisão de "vending machine" da LG está comercializando equipamentos 80% nacionais há oito meses. Nesse período, foram vendidas 50 máquinas de conveniência (aquelas que comportam salgadinhos e doces). "Ainda é uma produção pequena. O racionamento de energia também foi responsável pela lentidão nas vendas", diz o diretor Paulo Roberto Njaim.

Segundo ele, as máquinas nacionais custam a metade do preço das importadas. "Isso deve alavancar esse mercado em breve", acredita. A LG também está disponibilizando máquinas para a venda automática de jornais, e prevê para o segundo semestre a produção de equipamentos para armazenar refrigerantes.

Pequenos operadores garantem seu espaço

Há quem comece com uma máquina, mas o ideal é entrar para o ramo com investimento maior

Mesmo com um mercado dominado por grandes operadoras, muitos empreendedores estão descobrindo no setor de "vending machine" a chance de começar uma microempresa. Alguns são atraídos pelas propagandas de jornal - com anúncio de venda de máquinas -, como foi o caso da empresária Renata Pricoli Malamud, outros querem deixar de ser empregados para montar o próprio negócio, como aconteceu com o ex-projetista Carlos Alberto Moreira, ambos na capital paulista.

Na verdade, o marido de Renata é quem foi seduzido pela idéia de comprar os equipamentos, em 1994. "Ele decidiu comprar três máquinas - duas de salgadinhos e uma de refrigerante -, mas não para montar um negócio e, sim, aumentar o orçamento", afirma ela. Mas, segundo Renata, a tarefa não foi tão simples quanto parecia. "Há o trabalho para conseguir o ponto, a manutenção e a limpeza das máquinas."

Nesse momento, Renata mudou a finalidade de sua microempresa de importação de material para papelaria - que já era uma empresa aberta - e decidiu se dedicar ao novo ramo. "No começo eu mesma abastecia as máquinas", diz. Em 96, já com dez equipamentos, ela contratou um funcionário para fazer o abastecimento. Atualmente Renata tem 30 máquinas - sendo 15 de refrigerante, 5 de café e 10 de salgadinhos - e quatro funcionários, além dela.

Seus clientes são formados por empresas e hospitais e em um deles há 11 máquinas e um funcionário exclusivo. "Ter um ponto bom é fundamental para o sucesso do negócio", diz Renata. Segundo ela, o lucro bruto nas máquinas é de no mínimo 100%. Além das despesas gerais, há o pagamento de comissão para quem cede o ponto. "Alguns não cobram, mas a maioria varia entre 5% e 10%, dependendo do volume de vendas no local."

Para quem pretende entrar para o ramo, Renata dá a dica: "É melhor começar só com um tipo de máquina, já que fica mais fácil para fazer a manutenção." Ela afirma que com cerca de R$ 100 mil é possível começar um pequeno negócio, com umas dez máquinas.


Chefe - Cansado de trabalhar como funcionário, Moreira decidiu abandonar o emprego e montar uma empresa de eventos. Como o projeto não deu certo, ele criou a Oniyxcom, uma operadora de "vending machine". Com a venda de seu carro, em 96, comprou uma máquina de refrigerantes. "O carro valia menos do que a máquina. Ainda continuei pagando as prestações", diz.

Em seguida foi uma máquina de café, até chegar às 32 atuais. "O mais importante é oferecer um serviço de qualidade, assim, um cliente indica para outro." Seu alvo são empresas. "Há também um posto de gasolina, que é o único em que pago comissão", afirma. Uma das alternativas encontradas por Moreira para faturar mais é o aluguel das máquinas. "Para uma de café pequena cobro R$ 190 ao mês. A vantagem é que há menos gasto com manutenção e abastecimento", afirma.

Ele acredita que uma das vantagens de ser um pequeno operador é o contato direto com o cliente . "O mais importante nesse setor é a qualidade do serviço oferecido e depois o equipamento."

Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO


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