Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 03/04/2002
Autor: José Maria Tomazela

Cultura do milho verde profissonaliza-se

A produção de milho verde, que já foi uma atividade artesanal, restrita aos períodos da safra do milho seco, está se especializando e não pára de crescer no interior de São Paulo. Os agricultores obtêm produção o ano todo usando técnicas como o plantio direto e a irrigação. Na região de Sorocaba, uma das maiores produtoras, o cultivo anual passa de 20 mil hectares. A produção chega a 200 mil toneladas, o que representa, pela cotação atual, um faturamento de R$ 24 milhões. Há uma década, o plantio das variedades próprias de milho verde não chegava a 3 mil hectares. O cereal, que o mercado trata como legume, é matéria-prima na fabricação de doces, como a pamonha e o curau, sucos e sorvetes. As espigas também podem ser consumidas cozidas ou assadas.

Muito suco – O milho verde tem cultivares próprios, desenvolvidos a partir de variedades do milho comum, também chamado seco, e do milho doce, usado para conservas. Como seu consumo dá-se na fase anterior ao amadurecimento, as variedades foram trabalhadas geneticamente para formarem grãos com muito suco e de endurecimento retardado. A produção é mais precoce que a do milho seco, cuja colheita se dá a partir de 120 dias. O milho verde pode ser colhido aos 90 dias no verão e aos 115 dias no inverno.

Depois da apanha, permanece bom para consumo durante uma semana. Se passar do tempo, o agricultor não perde: pode ser colhido e vendido como milho seco. O produtor Joaquim Salvador Quevedo, de 62 anos, cultiva 110 hectares de milho seco e 12 hectares de milho verde no Bairro Guararema, em Capela do Alto. Ele conta que já houve anos em que a pequena roça de milho verde deu mais lucro que o restante da lavoura. A produção é enviada para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), na capital.

Capela do Alto ficou conhecida como Capital do Milho Verde por ter sido o município pioneiro nessa lavoura. O produtor Luís Quevedo foi o primeiro a iniciar a atividade, em 1953. “Vendi a primeira safra no Mercado da Cantareira, em São Paulo”, recorda. Todo ano, no mês de março, produtores do município realizam a Festa do Milho Verde.

O município cultiva 800 hectares, com produtividade média de 500 sacas de 25 quilos – ou 1,25 tonelada – por hectare. O rendimento é de 10 mil toneladas por ano, cerca de R$ 1 milhão. O plantio ocorre em três períodos anuais, de agosto a outubro, entre dezembro e fevereiro e de março a julho. Nesse último, que coincide com o inverno, as culturas são irrigadas. Os produtores evitam o plantio em baixadas para não correrem o risco das geadas.

Lavoura empregadora – Segundo o agrônomo Antonio Roberto Vieira de Campos, a cultura emprega, em média, cerca de 500 pessoas por dia só no município. A área cultivada com milho verde superou a do milho seco, que na última safra foi de 700 hectares, com produção de 5 mil sacas de 60 quilos. A maior parte do milho verde produzido na região passa por Capela do Alto para ser embalada. O movimento anual no município, segundo Campos, chega a 50 mil toneladas.

O comerciante Donizete Menck passa o dia visitando propriedades rurais para comprar o milho verde. Ele cuida da colheita, embalagem e remessa da produção para os centros de comercialização. Sua equipe inclui apanhadores e embaladores, como José Walter Dias e Antônio Carlos Leonor. A colheita é feita com a quebra das espigas, uma a uma, e a colocação em sacos de fios de náilon. São colocadas de 55 a 60 espigas em cada saca. Menck compra e embala, em média, 600 sacas por dia. Outros produtores embalam o milho em bandejas de isopor, cobertas com polietileno, e abastecem os supermercados da região. Com o valor agregado, o ganho torna-se maior.

Além de produtores tradicionais de grãos, que reservam parte da área para o milho verde, a lavoura está presente na maioria das pequenas propriedades. “A colheita e a embalagem são manuais, empregando a mão de obra familiar.” O agrônomo conta que os tratos culturais são semelhantes ao do milho seco, mas deve-se dar espaçamento maior, de até 20 centímetros entre as plantas, para o milho verde.

“Obtêm-se, assim, espigas mais granadas.” Ele recomenda a análise do solo antes do plantio. Na região de Capela do Alto, há necessidade de aplicar calcário dolomítico (2 toneladas por hectare), além de 350 quilos de adubo. Aos 30 dias, é necessária uma adubação de cobertura com nitrato de cálcio, à base de 200 quilos por hectare.

AGROINDÚSTRIAS COMPRAM PRODUÇÃO O ANO TODO

Parte dos produtores já utiliza o plantio direto, reduzindo o custo de produção. A semente comercial do milho verde custa em média R$ 150,00 a saca de 20 quilos. O custo de produção por hectare é de R$ 700,00. Com o rendimento de 12,5 toneladas, o produtor obtém uma receita bruta de R$ 1.500,00 por hectare. O resto da lavoura é utilizado como silagem para o gado.

A cultura estimulou a formação de agroindústrias para o processamento do milho verde. O Castelinho da Pamonha, dos irmãos Genivaldo e Romualdo Fonseca, transforma o produto em pamonha, curau, bolos, sorvetes e sopas. A matéria-prima é a polpa obtida da moagem dos grãos de milho. Coada e batida com açúcar ou leite condensado, torna-se um suco muito apreciado. "É um dos produtos mais vendidos", diz a funcionária Flávia Pires.


Sopa de milho - A polpa bruta serve para fazer as pamonhas, quindins e bolos. Peneirada, é usada no preparo do curau, cremes e da tradicional sopa de milho verde com peito de frango desfiado. A empresa tem três lojas na Rodovia Castelo Branco. Será construída, ainda, na mesma rodovia uma quarta unidade. Segundo o gerente Esly Rocha, a empresa consome 1.500 quilos de milho verde por dia e produz 1.500 pamonhas.

O gerente de produção, Donizete Aparecido Ramos, mantém o cronograma de produção das lavouras para garantir o abastecimento da cozinha industrial, localizada em Quadra, o ano todo. Os produtores têm garantia da compra do milho pelo melhor preço do mercado, mas precisam assegurar a produção. Um dos parceiros, o agricultor Célio Valdrighi, possui 264 hectares de lavoura em Quadra. Plantando 1 hectare por semana, ele tem produção de milho verde todo dia. Toda a área é dotada de sistema de irrigação, só acionado quando falta umidade no solo. Cada hectare rende 13 toneladas de milho, vendidas ao Castelinho entre R$ 120,00 e R$ 130,00 a tonelada. Depois da colheita, os pés de milho são cortados e triturados para silagem. O gado é solto na soqueira da lavoura. Pecuaristas da região aproveitam sabugos, palhas e sobras do milho processado no Castelinho, doados para tratar gado. (J.M.T.)

Casa da Agricultura de Capela do Alto, (0--15) 267-1239; Castelinho da Pamonha, (0--15) 257-1245; Departamento de Sementes da Cati, (0--19) 3743-3825.



CATI DESENVOLVE MILHO VARIEDADE NÃO-HÍBRIDO

O aumento na procura por sementes levou a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) a investir no desenvolvimento de um cultivar de milho verde variedade. O cati verde 01 está disponível nas Casas da Agricultura e postos de sementes da Secretaria da Agricultura desde fevereiro. Segundo o agrônomo Armando Portas, do Departamento de Sementes da Cati, o milho variedade não é híbrido como os cultivares oferecidos pelas multinacionais de sementes, ou seja, ele pode ser reproduzido. "Nada impede o agricultor de guardar um pouco da produção para plantar na safra seguinte", explica. Ele não recomenda, porém, que isso seja feito de forma sucessiva porque esse produtor perderia as melhorias que a Cati busca introduzir ano a ano nos cultivares.

Outra vantagem do milho verde lançado pela Cati é o preço menor da semente.

A saca de 20 quilos do híbrido comercial está custando entre R$ 150,00 e R$ 200,00, três vezes mais caro que a mesma quantidade de sementes da Cati.

"Para beneficiar o pequeno produtor, estamos lançando também em sacos de 5 quilos", diz Portas. O cultivar foi testado a campo por produtores escolhidos em todo o Estado.

Uma das características, segundo o agrônomo, é a boa cobertura de palha sobre as espigas, proporcionando duas vantagens: o milho demora mais para secar, pois a palha protege contra a evaporação, e a palhada pode ser usada para fazer pamonha.

Em sabor, textura e quantidade de suco, o milho verde variedade é muito semelhante às duas marcas de híbridos existentes no mercado. Portas considera importante os produtores terem uma alternativa além dos cultivares híbridos.

Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO


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