Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 16/09/2001
Autor: Guia Empreendedor Rural

10 Negócios rentáveis

1- Softwares de gestão rural

Softwares específicos facilitam o gerenciamento de propriedades rurais, com agilidade, eficácia e facilidade.

Livro-caixa, calculadora, caderno de anotações e caneta na mão. Esses instrumentos necessários para gerenciar a propriedade rural estão sendo substituídos, com mais eficácia e maior benefício, pelos softwares de gestão de agronegócios produzidos por empresas especializadas. Tudo pode ser analisado, contabilizado e gerenciado melhor por computador, seja a administração do maquinário, da colheita; ou o transporte da produção, os passos da montagem e manutenção de uma granja; ou como cuidar de um pomar.

É uma tendência inevitável para o empreendedor rural que quer viver da sua propriedade, do ponto de vista econômico”, enfatiza Paulo Villela, engenheiro agrônomo e coordenador do Softex/Agrosoft, núcleo responsável por promover o desenvolvimento de softwares rurais, que abriga atualmente, no seu portal, 160 softwares diferentes, nas mais diversas áreas da agricultura. O portal www.agrosoft.com.br foi criado em Juiz de Fora, em meio ao rol de mais de 280 especialistas e doutores em agronomia dos centros de excelência de Minas Gerais.

Considerando que em torno de um terço das propriedades rurais dos Estados Unidos são informatizadas e que no Brasil 19% das 300 mil maiores propriedades rurais têm acesso a computadores (3% deste total possuem o micro e Internet em suas fazendas), conforme uma pesquisa feita em 2000 pela empresa mineira Listen – Local Information System, o uso dos softwares de gestão de empresas rurais está cada vez mais difundido. Em sete meses online, o portal teve quase 57 mil consultas. A maioria em busca de softwares. “Um software permite controlar receitas e despesas com maior rigor e facilidade”, lembra Villela, que ressalta também o grande custo/benefício dos programas. “O gasto com computador e software não chega a 3% do custo de um trator”, compara. Não basta, contudo, ter computador e programas. É preciso, antes, reconhecer a importância da prática gerencial. “Muitos não têm o hábito de registrar o que ocorre na fazenda. Tem que virar uma rotina alimentar os dados do seu computador”, diz.

O site da agrosoft tem o auxílio de um instrumento de busca de palavras que leva diretamente ao software de interesse. Há desde um programa abrangente de administração da propriedade, que custa R$ 350,00, até um programa que permite o manejo de uma granja, da escolha das matrizes ao controle de nascimentos e mortalidade, pesagem e venda, pelo preço de R$ 100,00. Por R$ 50,00 o software de administração do clima permite registrar dados climáticos, fazer gráficos e relatórios e um histórico da média de chuvas, temperatura e umidade. Outro programa específico permite analisar solos e orienta sobre calagem e adubação de plantas, por R$ 400,00. Para informatizar um apiário, o custo é de R$ 1.800,00.

Gratuitamente, o portal oferece o software GVFarm Prata, que permite o manejo de uma propriedade com até 100 cabeças de gado, o que corresponde a 3 milhões de propriedades brasileiras, segundo Villela. O programa pode ser obtido por download ou em CD-ROM, ao custo de R$ 9,00 para pagar as despesas de envio pelo correio.


Aprendizado virtual

Além de usar softwares de gestão do agronegócio, o produtor que quiser se especializar em Gestão da Informação no Agronegócio pode fazer o curso, reconhecido pelo Ministério da Educação e promovido pelo Softex-Agrosoft, à distância. Com 400 horas, o curso é destinado a profissionais do agronegócio em geral, que tenham ensino superior: administradores de fazendas, cooperativas e agroindústrias; profissionais liberais (veterinários, engenheiros agrônomos, florestais, etc.) e profissionais com outras graduações, com interesse e atuação em qualquer elo das cadeias produtivas agroindustriais. Informações e inscrições podem ser conseguidas no endereço virtual da Agrosoft. O curso custa R$ 1.500,00 e será ministrado à distância, através da Internet, com meio de comunicação entre alunos e professores, e-mail, chat e lista de discussão. Maiores informações também pelo fone (32) 3229-3427.


Agricultura e informática

• 20% dos negócios de agribusiness em 2003 serão feitos virtualmente;

• 2002 é o ano de início da Internet via satélite;

• 19% das maiores propriedades rurais têm computador;

• 3% delas usam Internet;

• são160 os softwares cadastrados no portal;

• 5 anos é o prazo para crescimento expressivo no uso de softwares rurais.


2- Hidroponia

Plantas cultivadas na água, sem necessidade de solo, é a solução mais econômica e com safras quase sem perdas

A tendência de agricultura limpa, com menor necessidade do uso de agrotóxicos, encontra outras vantagens no processo de cultivo por hidroponia. As plantas são cultivadas na água, não há necessidade de solo. A economia de água é 10 vezes superior ao do cultivo convencional ou orgânico, e a produção é continuada, sem safras ou perdas com geadas e intempéries. A mão-de-obra também é reduzida, o que a torna uma excelente alternativa para a agricultura familiar.

Hidroponia deriva do grego e significa “trabalho com água” e também o “uso de soluções nutritivas”, feitas com sais minerais, para se produzir plantas longe da terra. O sistema usado é o NFT (Nutrient Flow Technics), método no qual a planta cresce e desenvolve seu sistema radicular parcialmente submerso em um fluxo de água controlado, onde estão dissolvidos micros e macros elementos que a planta necessita. As plantas produzidas dessa forma acabam com um maior valor nutricional.

A técnica é milenar, mas foi nos anos 60 que se transformou numa novidade mundial. A exploração comercial, no entanto, é nova e embarca na filosofia de produtos ambientalmente mais corretos. A água utilizada, necessariamente potável, é reciclada por períodos de 30 a 60 dias ou mais. Em países como Holanda, Bélgica e Alemanha, a solução nutritiva das estufas, depois de reutilizada, vai para estações de tratamento de água, para impedir a degradação do meio ambiente. No Brasil, pode ser usada na irrigação de outras culturas.

A menor aplicação de agrotóxicos evita problemas de poluição de mananciais causados pelo carreamento de solo e fertilizantes nos processos de erosão. Outra vantagem é a otimização do espaço. As estufas podem ser instaladas em áreas íngremes ou degradadas, que já estão impróprias para o cultivo convencional do solo.

Pode-se produzir tudo e de uma maneira contínua. “Se a programação for colher alface todo dia, se colhe”, diz o professor Jorge Barcelos, da Universidade Federal de Santa Catarina, que desenvolve substitutos dos agrotóxicos tradicionais, como aplicações de chá de marcela e calda bordalesa nas plantas na estufa. “Ainda se usa agrotóxico na hidroponia, mas não há tanta diversidade de bichos”, comenta.

Ele salienta que, no Brasil, o mais comum na hidroponia é a produção de hortaliças, como alface e rúcula, “mas podemos expandir para produção de flores, como na Holanda, e de frutas, como na Espanha, ou os tomates, como é o caso da Austrália”. Pepino e abóbora também podem ser cultivados com sucesso.

Para Barcelos, o empreendedor que quiser se iniciar nesse negócio deve conhecer a demanda e estar próximo a cidades maiores, para poder obter lucro que compense viver da atividade. Como é um mercado ainda no início, existe dificuldade em encontrar material e o próprio adubo. “Não se encontra em qualquer agropecuária, tem que procurar em casas especializadas”, esclarece.

O interior de São Paulo concentra o maior número de produtores e lojas. Ainda não há números consistentes da produção nacional, mas o estado paulista está formando a Associação de Hidropônicos do Brasil, que já tem 1.200 produtores. “Uma das iniciativas é a busca de uma certificação, como nos alimentos orgânicos”, diz o produtor hidropônico e consultor Roberto Giorgetti, da Gioplanta, de Monte Mor, cidade próxima a Campinas.


Quanto custa

Giorgetti explica que o maior investimento de uma produção hidropônica é a estufa. Uma estrutura de 350 metros quadrados pode ser adequada para o começo. A área pode ser com uma estufa de 7m x 50 m ou dividida em duas de 7m x 25m. O custo se aproxima a R$ 13 mil, dependendo também do material utilizado. Nesse espaço é possível colher 150 pés por dia de alface, por exemplo, vendidos a R$ 0,50 cada. A manutenção das plantas sai em torno de R$1.000,00 mensais.

“O investimento retorna em 10 meses, mais ou menos”, calcula. Supermercados, restaurantes, cadeias de fast-food e cozinhas industriais, além do consumidor que busca produtos ecologicamente corretos, são os principais clientes. “Outra alternativa é atender a condomínios fechados uma ou duas vezes por semana”, exemplifica.


- Carnes especiais

Carnes exóticas e menos tradicionais que a bovina ganham espaço no mercado consumidor

A desconfiança mundial com relação ao consumo de carne bovina estimula o mercado de outras variedades, mais exóticas e até mais nutritivas e produtivas do que o tradicional bife. Avestruz, rãs e coelhos são exemplos de negócios de futuro que têm tudo para expandir-se rapidamente, tanto para a venda diretamente a restaurantes, supermercados e casas especializadas quanto para exportação.

Entre esses animais, o avestruz tem atraído a atenção dos criadores pela alta produtividade e grande aproveitamento. Enquanto uma vaca produz, em média, um bezerro por ano, um avestruz fêmea tem de 20 a 30 filhotes, que representam, em média, 800 a 1.200 quilos de carne por fêmea/ano. O abate pode ser feito aos 24 meses, rendendo 45 quilos de carne limpa. Outra vantagem é o espaço reduzido para a criação. Para os bovinos são necessários 24 mil m2 por animal, e em mil m2 pode-se criar até três avestruzes adultos.

Com apenas quatro anos desde o início da criação no país, o abate ainda não começou. A fase é de formação de um plantel de 150 mil aves, segundo a Associação de Criadores de Avestruz do Brasil (ACAB), meta que pode ser atingida em três anos. O mercado, no entanto, é promissor. “A perspectiva é repetir o sucesso da Europa, Estados Unidos e Austrália”, diz o criador José Luís Morandim, do Sertãozinho do Avestruz, de Ribeirão Preto (SP). “Mas teremos que fazer uma grande campanha de propaganda para divulgar o consumo”, considera. A carne é parecida, em consistência, aparência e sabor, à de vaca e tem um conteúdo proteico aproximado, com baixos teores de gordura e colesterol.

Além da carne, cotada entre R$ 40,00 e R$ 70,00, o produtor poderá garantir retorno do investimento com a venda de ovos frescos – de 30 a 100 por fêmea por ano – e da casca, usada por artistas plásticos. A pele é cobiçada na confecção de bolsas, carteiras e sapatos, sem falar na plumagem, usada na indústria automobilística e do espetáculo, cujo quilo vale US$ 150,00 no mercado internacional.

Para começar a criação, Morandim aconselha comprar animais jovens, de procedência garantida e que tenham boa qualidade genética. O investimento é alto e varia bastante, de acordo com o que o produtor está disposto a gastar. Um avestruz de 90 dias custa de R$ 1.200,00 a R$ 1.500,00 e um adulto em postura chega a custar R$ 10.000,00.


RANICULTURA

Ao contrário do avestruz, a rã, da qual o Brasil é o pioneiro na criação racional, requer alguns cuidados específicos. Clima quente ou estufas e coberturas de plástico para assegurar o calor são indispensáveis. A água, abundante, tem que ter boa qualidade e sem risco de contaminação, e a região onde fica a propriedade não deve apresentar restrições dos órgãos ambientais para a criação de rãs exóticas.

Para começar a criação, o produtor deve comprar girinos, cujo milheiro sai por R$ 100,00. Em instalações, ração e manutenção, o criador Adelson Feldhaus, de Garuva (SC), calcula um investimento de R$ 10.000,00. Aos nove meses, quando a rã atinge 250 gramas, pode ser feito o abate. O quilo da carne limpa custa de R$12,00 a R$ 15,00 no atacado e é vendido por até R$ 20,00 para o varejo.

Feldhaus, que administra um frigorífico e recebe a produção de diversos ranicultores, diz que, antes de tudo, o novo criador deve ter boas informações e conhecer de perto alguns ranários. “Existe muita informação errada no mercado, por isso muita gente pára e desiste. Mas se observar cuidados com calor e higiene, não tem erro”. A procura pela carne também está aumentando. “É uma carne sem colesterol, nutritiva. Os médicos recomendam e muitos hospitais estão servindo”, garante. Supermercados, restaurantes e casas especializadas são outros clientes dos produtores.

Outra criação que tem um mercado emergente, também pelo alto valor nutritivo, baixo colesterol e fácil digestão é a de coelho. A cunicultura ainda é pouco explorada em relação a seu potencial, “mas é grande a aceitação no mercado”, diz o produtor Mário Mendes, da Kaisen Coelhos, de Agudos do Sul, região de Curitiba (PR), cuja produção é de 8 mil “coelhos ecológicos” abatidos por semana – alimentados só com produtos naturais, como alfafa e confrei, sem uso de ração ou derivados de transgênicos.

Para iniciar uma criação, Mendes diz ser necessária a proporção de 100 fêmeas para 10 machos. “Com as instalações de gaiolas, bebedouros, aquisição de matrizes puras de origem, nessa proporção de 100 para 10, o custo é de R$ 10.176,00”, expõe. As fêmeas produzem oito filhotes em média. A fase gestação/lactação é de 60 dias, mais 45 a 60 dias de engorda. O prazo de retorno do investimento, segundo ele, é de um ano, com renda mensal garantida. Para a venda, o quilo alcança R$ 7,50.


4- Queijo light

Com as inovações do mercado alimentício, a produção de queijo light acompanha as tendências do mercado consumidor

O processo tradicional de fazer queijo modernizou-se e trouxe com ele um novo campo para o produtor: a produção light, para atender consumidores ávidos por alimentos mais saudáveis e menos calóricos. Essa inovação chegou a um dos queijos brasileiros mais tradicionais, o minas frescal, fabricado desde o século XVIII para alimentar os exploradores de ouro nas serras mineiras.

O minas é um queijo pouco curado, esbranquiçado, de consistência mole e sabor de suave a ligeiramente ácido. Bastante perecível, é feito para ser consumido entre 15 e 20 dias e não pode ser produzido em grande quantidade, pois isso diminui sensivelmente sua durabilidade.

Por essas características, o tipo minas frescal adapta-se bem ao processo de fabricação light e é produzido mais comumente. A principal diferença na produção é o uso do leite pasteurizado semidesnatado, que tem 28% menos gordura do que o integral. Ao final, o queijo fica com 60% dos lipídios de um tipo normal e com 40% menos calorias.

A descoberta do mundo light é recente, e algumas pequenas e médias empresas rurais estão lucrando com a idéia. Uma delas é a Cedrense, de São José do Cedro, em Santa Catarina. Além do minas light, produz também o prato e o mussarela na versão mais magra. “Não conseguimos produzir para atender a todos os pedidos”, diz Idair Terezinha Biasi, que não revela os números da produção.

A empresa, que tem seis unidades industriais, com uma área de atuação de 22 municípios do Oeste de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná, começou a produzir os tipos light há três anos. “O processo é quase normal, com a vantagem de aproveitar a gordura retirada para o creme de leite e a manteiga”, diz.

Quem já produz queijos não precisa de maiores investimentos para começar a fazer o minas light. É necessário só adaptar a receita para o uso do leite semidesnatado. O produtor terá despesas com a embalagem de plástico, necessária para manter o queijo umedecido. O mercado, no entanto, é promissor. “Quem quer manter o peso vira cliente”, lembra Idair.


FABRICAÇÃO

Os ingredientes são os mesmos do processo do minas frescal normal: ácido lático, cloreto de cálcio, coalho, sal, e o leite semidesnatado. É aconselhável utilizar ácido lático no lugar do fermento, porque, do contrário, o queijo dessora mais e, com isso, o rendimento diminui. Com a alta acidez que atinge após alguns dias de fabricação, o produto apresenta uma durabilidade menor. Uma dica é que para deixar o queijo ainda mais suave, pode-se deixar de adicionar ácido ou fermento.

Depois de misturados os ingredientes, Idair diz que um segredo é esperar 20 minutos para a primeira salga. As formas, que são próprias para minas frescal, devem ser bem cheias com a massa, pois, caso contrário, os queijos ficam com altura e peso inadequados. Depois de pronto, o queijo fica um dia na secagem. “O sabor é parecido ao do minas convencional, só que mais leve”, diz.

É bom lembrar que esse tipo de queijo não necessita de prensagem ou ser apertado com as mãos; o próprio peso do queijo e a gravidade são suficientes para deixar a massa compacta.

Os queijos prato e mussarela light produzidos pela Cedrense já têm uma preparação um pouco mais elaborada e ficam três meses em maturação. São comercializados fatiados. O tipo minas é comercializado com uma película plástica e deve ser estocado entre 2-4ºC.


5- Fruticultura para produzir sucos

Um dos maiores agronegócios do Brasil, a fruticultura, supera mercados concorrentes e exporta toneladas de frutas

O produtor rural que possui pelo menos um hectare de terra pode se transformar num empreendedor e participar de um dos maiores agronegócios que o Brasil tem: a fruticultura e a industrialização de sucos. A laranja é grande vedete da área. Desde os anos 80, o Brasil é o maior produtor mundial de laranjas, superando os Estados Unidos. In natura, a fruta encontra restrições no mercado externo, mas na forma de suco concentrado, o país responde pela metade do suco de laranja produzido no mundo e por 80% do suco concentrado que transita pelo mercado internacional. De junho a janeiro deste ano, foram exportadas 778.843 toneladas, preferencialmente para os blocos da União Européia e do Nafta.

A laranja é um bom exemplo de cultivo de fruta em que quase tudo se aproveita, o que é uma vantagem para o futuro empreendedor. Além do suco, as indústrias produzem como subprodutos óleos essenciais, d’limonene, terpenos e farelo de polpa cítrica. Esses subprodutos possuem diferentes aplicações no mercado interno e externo, que incluem alimentação animal, fabricação de produtos químicos e solventes, aplicação em indústrias de tintas e cosméticos, sem falar na produção de doces e geléias.

As indústrias de processamento funcionam em regime de parceria com os produtores. O Sul do país, que também começa a competir nesse mercado, faz o mesmo. É o caso da Aurora (Cooperativa Central do Oeste Catarinense), de Chapecó/SC. A indústria de sucos que a cooperativa instalou em Pinhalzinho reúne a produção de 3.200 pequenos citricultores de 168 municípios. Em 2000 a unidade processou 27 mil toneladas de matéria-prima e pretende chegar a 40 mil toneladas em 2001. “A assistência técnica vai desde a escolha da área, correção do solo, plantio, manejo e tratos culturais, até a colheita e o transporte para a fábrica”, informa Gilberto Barela, engenheiro agrônomo da Aurora. A cooperativa espera chegar a 4% do mercado nacional em poucos anos, com a venda do suco Dellis.

Antes de começar um pomar com vistas ao processamento de sucos, é necessário considerar que a fruticultura dá retorno a longo prazo. “Não é como uma cultura anual, e produzir uma tonelada de laranja com eficiência depende da competência de como é organizada e administrada cada uma das etapas”, lembra Barela. Vale pedir orientações para um produtor mais experiente, com relação à produtividade, clima e prevenção de doenças nas frutas. Como é usual em todas as variedades da fruticultura, deve-se escolher solos localizados em terreno bem ensolarado, com boa porosidade e profundidade, declividade suave para facilitar o escoamento lento do excesso de água, teores médios de areia e argila e rico em nutrientes e matéria orgânica. Observando essas características físicas do terreno, as condições químicas, pela aplicação de fertilizantes, são de correção mais fácil e barata.

Para cada hectare de terra, o cálculo utilizado pelos produtores que fazem parte da cooperativa é de 408 mudas ou pouco mais. As mudas podem ser conseguidas em regime de troca por quilo de frutas, como é no caso da Aurora. A vida útil de um pomar é de 20 anos na região. Do primeiro ao quarto ano, o produtor terá que investir. A receita negativa é de R$ 2.176,00 por hectare. A partir do quinto ano e até o vigésimo, a receita bruta positiva é de R$ 7.915,00 por hectare. Na vida útil, a receita líquida do pomar é de R$ 5.739,40. As perspectivas para os preços da tonelada no futuro são otimistas e podem passar dos atuais R$ 60,00 para R$ 90,00.


A laranja brasileira

Atualmente, a maior parte da produção brasileira de laranja destina-se à indústria do suco, que está concentrada em São Paulo. Na safra 1999/00, o estado produziu 388 milhões de caixas de 40,8 quilos e processou 280 milhões delas, de acordo com a Associação Brasileira de Exportadores de Cítricos (Abecitrus). Calcula-se que outros estados juntos produzam 50 milhões de caixas, voltadas para o consumo interno. O setor emprega diretamente cerca de 400 mil pessoas, é atividade econômica essencial para 204 municípios paulistas e alguns do Triângulo Mineiro e gera divisas da ordem de US$ 1,5 bilhão por ano.

A brecha para ganhar o mercado internacional da laranja veio com uma grande geada que atingiu os pomares da Flórida, em 1962, chegando a destruir 13 milhões de árvores adultas e deixando os americanos sem matéria-prima para abastecer o seu mercado interno e os mercados europeus. De lá até aqui, são quase 40 anos de crescimento nas exportações.


6- Cultivo de moluscos

Difundido pela UFSC, a idéia do negócio seria de renda alternativa aos pescadores da região

O mercado consumidor é certo. O investimento inicial, para pequenos empreendimentos, é acessível. A matéria-prima tem preço baixo, fazendo com que o retorno financeiro seja rápido. Esse é o panorama geral do negócio de cultivo de moluscos, em especial, de ostras. Não é à toa que a produção vem crescendo significativamente em todo o país e, aos pulos, em Santa Catarina. De 81 toneladas em 1996, a produção saltou para 908 toneladas em 1999, segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado (Epagri/SC).

O negócio começou a ser difundido em terras, ou melhor, em águas catarinenses depois que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) iniciou pesquisas na área e acertou um convênio com o Canadá. A idéia da criação do Laboratório de Cultivo de Moluscos Marinhos (LCMM) surgiu para ser uma fonte de renda alternativa aos pescadores da região de Florianópolis, capital do Estado. Tipicamente extrativistas, muitos pescadores artesanais estavam com dificuldades, procurando empregos na cidade ou tirando do mar apenas o suficiente para o sustento da família.

Depois de montar um laboratório de cultivo de sementes de ostras, através do assentamento de larvas vindas do Oceano Pacífico, e de iniciar a produção com uma fazenda marinha experimental, o trabalho dos pesquisadores da Universidade foi repassar as técnicas aos pescadores e mostrar que valia a pena o retorno. Durante as experiências também foi sendo testada a produção de mariscos (ou mexilhões), cujas sementes são mais resistentes e se multiplicam fácil. Hoje, o LCMM já estuda a produção de moluscos cozidos, defumados e congelados. Uma inovação que deve ganhar ainda outros mercados consumidores.


EXTRAVAGÂNCIA

Consumidores como os asiáticos, que importam alimentos de diversos países para suprir as necessidades da população são clientes potenciais, mas para isso é preciso que a empresa produtora tenha o Selo de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura. E essa certificação deve ser o próximo passo da Ostravagante, uma das maiores produtoras de ostras de Santa Catarina. Fundada em 1995 com o “plantio” de 200 mil sementes – o normal na região tem sido 20 mil, o negócio de Paulo Constantino, ex-proprietário de fazenda de rosas no interior paulista, e do engenheiro civil Milton Brasil Pinto vem crescendo em produção e em tecnologia. Por ano são retiradas das águas do Ribeirão da Ilha, localidade ao sul de Florianópolis, cerca de 90 mil dúzias de ostras que vão parar nos restaurantes de São Paulo, além de quatro toneladas de mariscos.

O diferencial da Ostravagante, conta Constantino, que esteve no Chile, Canadá e outros países para conhecer as técnicas, são as quatro etapas por onde passam as ostras. “O mais comum é o produtor iniciar com o que chamamos de berçário, que é uma estrutura envolta numa rede fininha com no máximo 3mm de furo para entrada de alimentos (algas), e depois colocar em outra estrutura, com furos grandes para a engorda da ostra. Nós dividimos em quatro etapas, aumentando gradativamente os furos, fazendo com que a ostra alimente-se com mais vontade a cada nova fase”, diz ele.

Já a preparação para obter o SIF exigiu investimentos altos dos dois sócios. Além da construção de um ambiente propício para embalar o produto, foi preciso comprar novos equipamentos – como máquina de fazer gelo – e treinar os funcionários. “Poderemos, em breve, retirar as ostras da água, embalar e levar até o aeroporto numa operação que vai durar menos de três horas”, conta Milton.

Para manter uma boa produção é preciso cuidar do mar, evitando o derrame de óleo das embarcações que trabalham na colocação e coleta do produto, assim como tratar todos os possíveis efluentes que despejam no mar. As áreas delimitadas para cada criador dependem de uma liberação da Marinha do Brasil, da Epagri, da Prefeitura de Florianópolis e da Colônia de Pescadores do local. “O ideal são as águas que possuem correntes, para trazer alimentos renovados às ostras, e temperatura que não seja menor que 19º ou maior que 23º centígrados”, ressalta Constantino.

Como começar

• O primeiro passo para iniciar um negócio de cultivo de moluscos é associar-se a alguma entidade do setor (no caso da Ostravagante é a Associação de Maricultores do Sul da Ilha). Quem já está no negócio é que fornece o primeiro aval para o futuro empreendedor.
• Em seguida é preciso conseguir uma área de frente para o mar que não seja local de pesca e obter licença da Marinha para exploração.
• Depois, então, tem-se que comprar as sementes. Tarefa fácil quando há um fornecedor garantido, como o caso da UFSC em Santa Catarina.


Custos e dados do negócio

• sementes de ostras: R$ 27,00 o milheiro (conta-se com uma quebra de 10 a 20% na produção);
• ciclo total para crescimento da ostra: de 6 a 9 meses;
• preço de venda da ostra: R$ 3,00 a dúzia no atacado e R$ 4,50 a dúzia no varejo;
• preço de venda do marisco: R$ 1,20 o quilo no atacado e R$ 1,50 o quilo no varejo;
• retorno financeiro: em média em 5 anos, quando a produção é grande, e de 2 a 3 anos em pequenos empreendimentos.


7- Leite ecológico

Produção de laticínios naturais, sem aditivos químicos, é a mais nova demanda do mercado consumidor

Devagar e sem muito alarde, alguns pecuaristas brasileiros estão transformando a produção de leite convencional em uma produção chamada orgânica. Assim como na agricultura, o manejo do gado leiteiro voltado para uma alimentação natural requer atenção especial, mas promete gerar grande lucro. Os dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) revelam que os produtos orgânicos movimentaram, no ano passado, no Brasil, cerca de 150 milhões de dólares. Agora é a pecuária que entra na esteira do mercado “ecológico”, que cresce a cada ano, respaldado na resistência cada vez maior do consumidor em adquirir alimentos modificados geneticamente ou à base de insumos químicos. Quem escolhe os orgânicos não se importa em ter que pagar mais caro por isso. O segmento é promissor para os produtores e o mercado ainda tem muito espaço para crescer.

Eduardo Ribeiro Machado, proprietário da Fazenda São José, no município de Santo Antônio de Posse, interior paulista, confirma essa perspectiva. O queijo fresco e o iogurte produzidos tem comprador certo da feira da cidade e dos municípios vizinhos, em conjunto com outros produtores que criaram uma associação com o objetivo de viabilizar a pasteurização e a distribuição dos derivados.

As grandes diferenças entre o sistema convencional de criação do gado leiteiro e a maneira orgânica está no pasto, ou seja, é fundamental oferecer uma alimentação natural ao rebanho, diversificando as pastagens e evitando todo e qualquer tipo de ração comercial ou vitaminas sintéticas. O rebanho é criado solto, com limitação de cerca elétrica, e os bezerros, geralmente, são criados juntos. “Aqui na fazenda cuidamos da condição do pasto e armazenamos para o inverno”, explica Eduardo, que lembra também que a medicação é outro ponto importante que diferencia bem os dois sistemas: “em casos muito extremos utilizamos remédios alopáticos (antibióticos, cortisona ou anestésico). Eles são substituídos por plantas medicinais, homeopatia e fitoterápicos. Vermífugos e carrapaticidas estão abolidos, ao invés disso, os animais tomam banho de 15 em 15 dias”, diz.

Para o produtor que está iniciando na pecuária orgânica, o principal entrave está relacionado à dificuldade em cumprir todas as normas exigidas pela certificadora. Os ganhos de quem investe na pecuária leiteira orgânica estão, especialmente, na valorização do produto na hora da venda – o leite orgânico chega a custar quatro vezes mais caro que o normal – e nas condições mais saudáveis para quem faz o manejo do gado, além de evitar a degradação da natureza ao usar o mínimo de insumos químicos. Já a produtividade não difere muito da convencional. Na Fazenda São José, onde a escolha pela agropecuária orgânica ocorreu há dez anos, a produção é de 10 litros/dia por vaca, mas a expectativa é ainda aumentar esse número a longo prazo.

Isso porque até mesmo as pesquisas nesse campo ainda estão incipientes. Se comparada ao sistema convencional, há quase nada de recomendações técnicas para a produção do leite orgânico. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está tentando solucionar o problema e inicia, ainda esse ano, os investimentos nessa área. Para o chefe geral da divisão Embrapa Gado de Leite, Duarte Vilela, essa pecuária é uma forma de agregar renda às pequenas propriedades, e a instituição deve desenvolver trabalhos, principalmente sobre manejo sanitário dos animais, com ênfase na prevenção e controle de doenças.


Certificação é exigência legal

Para chegar até o consumidor com o status de orgânico, é preciso que o leite seja certificado por alguma empresa que verifique e garanta que sejam seguidas as normas do Ministério da Agricultura e Abastecimento a respeito dos produtos orgânicos. Essas empresas certificadoras são entidades sem fins lucrativos, como a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), com sede em São Paulo, que certificou os produtos da Fazenda São José. “Com o selo de certificação, a vantagem maior é para o consumidor, que saberá que está levando para casa um produto sem contaminações químicas, nutritivo e resultante do manejo que valoriza o meio ambiente”, destaca Eduardo. As certificadoras analisam três pontos fundamentais: a rastreabilidade e qualidade do produto (isto é, histórico da produção), a sustentabilidade ambiental e a justiça social. Depois de cumprir um prazo mínimo de 12 meses de manejo especializado de acordo com as normas, o sistema será considerado orgânico, mas o produtor precisa tomar cuidado com a reposição dos animais.

O ideal é realizar a reprodução entre o próprio rebanho e, caso não seja possível, preferir a compra de bezerros com no máximo 28 dias depois do desmame.


8- Cavalos de raça

A valorização do cavalo de raça pelo mercado compensa os altos investimentos gastos na criação

Gostar de cavalos é fundamental para iniciar um negócio na área, mas quem quiser prosperar vai precisar saber dosar muito bem a paixão pelos animais e as funções de uma atividade econômica. O empresário Ubiraci Palestino do Ocidente, dono da Fazenda Meaípe, em Guarapari, no Espírito Santo, sabe bem disso. Criador que está no ranking dos melhores expositores da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador, Ubiraci tem cerca de 230 cabeças e mantém um haras muito bem estruturado, incluindo laboratório para transferência de embriões e seleção planejada de novas crias.

“Quando se monta um haras com função econômica, para obter lucro, é preciso ter cerca de 100 animais e investir até que venha o retorno, que pode demorar entre sete e oito anos”, explica o criador. O mercado consumidor é composto por fazendeiros que escolhem o cavalo para serviços no campo, por quem procura o animal para lazer ou hobby, por praticantes de hipismo rural ou de montaria na categoria pônei – pela característica de ser mais baixo que as outras raças – ou pelos próprios criadores.

Os dados da Associação Brasileira de Criadores revelam que essa raça de cavalo é uma das mais valorizadas atualmente no país e com maior presença em toda a América Latina. Minas Gerais é o estado com o maior número de criadores, seguido de São Paulo, de Mato Grosso e dos estados do Nordeste. A segunda raça mais negociada no Brasil é a Quarto-de-Milha, cuja média de preço por animal gira em torno de R$ 3 mil.

A boa aceitação do cavalo Mangalarga já o fez chegar aos países vizinhos – Argentina, Paraguai e Uruguai – e na Europa, especialmente na Alemanha. Os criadores preparam-se agora para entrar no mercado norte-americano. Suas características que mais agradam aos compradores são a comodidade da marcha e o fato de ser confortável na montaria. Mas, apesar da facilidade de encontrar clientes cativos, a criação de cavalos de raça, seja Mangalarga ou outra, requer especialização e paciência.

A rotina de um haras exige profissionais qualificados, como o adestrador e o veterinário, entre outros, ainda em maior número, caso o local seja aberto ao público.

Os investimentos para quem quer começar não são muito acessíveis, mas o lucro pode ser certo, caso o tratamento do animal seja adequado e o mercado esteja favorável para a compra e venda.

Como o criador do Espírito Santo ressaltou, são necessárias boas doses de paciência até chegar a hora do retorno do capital investido. E como gostar do ramo é essencial, a dica só vale para os iniciados na lida com cavalos. “Ter meia dúzia ou dez cavalos não vai render bons lucros e sim bons momentos de lazer. O ideal é profissionalizar a criação através da seleção das crias e da manutenção de um bom número de animais”, alerta Ubiraci, há treze anos atuando nesse mercado.


Quanto custa

A média de preço de um cavalo Mangalarga Marchador, de acordo com as vendas realizadas nos 30 maiores leilões de 2000, foi de R$ 9.153,80. O custo da construção de um haras depende muito do tipo de acabamento escolhido, da localização do terreno e do próprio porte do empreendimento, ou seja, do número de cavalos a serem comprados.

Resumindo, o investimento em cavalos de raça, para quem quiser retorno financeiro, demanda muitos recursos, podendo ser comparado a uma empresa de médio porte.


Dados sobre o Mangalarga Marchador no Brasil

• empregos diretos gerados: 40 mil;

• criadores: cerca de 6 mil;

• animais: cerca de 300 mil;

• altura média do animal: 1,57 m;

• principal característica: marcha ritmada, mais confortável;

• surgimento: há 250 anos, em Minas Gerais.


9- Reflorestamento

Reserva legal destinada a 20% da área da propriedade, por ser enriquecida com espécies de valor econômico

O Código Florestal, instituído no Brasil em 15 de setembro de 1965, é claro: 20% de qualquer área rural deve ser preservada, assim como as margens dos rios, lagos e nascentes. A chamada reserva legal, nem sempre respeitada, foi uma das formas encontradas na época para conter o desmatamento generalizado. Nas décadas de 80 e 90, o mundo todo volta-se para a manutenção dos recursos naturais, redobrando os cuidados com a sustentabilidade do planeta. Em meio à consciência ecológica, cresce o setor de reflorestamento, não só para suprir a indústria madeireira, mas também para manter os níveis de área verde em todas as regiões.

O incentivo ao reflorestamento ocorreu através de programas específicos dos governos estaduais e até da própria iniciativa privada. Mesmo assim, hoje, o Brasil produz apenas 2% da produção mundial de madeira serrada, percentual considerado baixíssimo devido à extensão territorial do país.

Apesar de apresentar-se como um mercado promissor, o reflorestamento de árvores renováveis exige investimentos elevados, incluindo áreas grandes e contando que o desgaste do solo é bastante significativo. Essa é a opinião do engenheiro agronômo Marcos Aurélio, proprietário da Agroconsultoria, em Barretos (SP). Ele explica que a manutenção não é tão simples como muitos produtores acreditam ser, já que o manejo de floresta, ou silvicultura, também exige cuidados com pragas e é necessário investir em sementes e mudas selecionadas.

No entanto, em alguns lugares do país o setor tem crescido. É o caso da região Sul, que tem conseguido manter bons níveis de competitividade com os países vizinhos – Argentina e Uruguai – mesmo com o fim dos incentivos federais em 1986. Paraná e Rio Grande do Sul estão na frente de Santa Catarina, o estado campeão de exportações de móveis de madeira, onde os investimentos em reflorestamento foram retomados, aumentando em 3% o número de empregos gerados em 2000. O estado catarinense perdeu muito com a ausência dos incentivos, afinal, apenas as grandes empresas continuaram a reflorestar.

Mas alguns pequenos produtores que estão diversificando sua lavoura, com apoio da Epagri (Empresa de Pesquisa em Agropecuária), encontraram no reflorestamento a alternativa certa de ganhos a longo prazo. “É uma poupança que fazemos”, argumenta Floriano Ossowski, um dos 50 agricultores catarinenses que receberam mudas de eucalipto e pinus de uma empresa, e assim, com custos baixos para iniciar, cada um deverá receber, daqui a quinze anos, cerca de R$ 6 mil por hectare reflorestado.

Uma das vantagens desse plantio é que muitos dos lugares ruins para a lavoura servem para o crescimento das árvores renováveis, como as grotas, lugares de pedras e artes “dobradas” da terra. No entanto, é preciso ter paciência para atingir os resultados. Algumas mudas de pinus do agricultor Ossowski, por exemplo, foram atacadas por formigas e foi necessário um replantio na área.


Plantio e reposição

• a cada sete novos hectares plantados, um emprego é gerado, segundo estimativas de entidades do segmento de reflorestamento;

• de cada hectare destinado ao reflorestamento, cerca de 55% dele é realmente aproveitado para a atividade, devido às restrições previstas na legislação federal e às áreas impróprias para o plantio;

• em 09 de agosto de 1989, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) institui a seguinte Portaria: “As pessoas físicas ou jurídicas que explorem, utilizem ou consumam matéria-prima florestal, ficam obrigadas a reposição florestal como espécies florestais adequadas e técnicas silviculturais que garantam maior produtividade e ao objetivo do empreendimento e cuja produção seja no mínimo equivalente ao seu consumo”.


10- Defensivos orgânicos

Controle biológico ganha mercado e os pesquisadores oferecem cada vez mais defensivos ecologicamente corretos

O crescimento da agricultura orgânica fez aumentar também as pesquisas no setor e o consumo de defensivos que não são baseados em produtos químicos. Nesse mercado, está ganhando quem saiu na frente e está produzindo os chamados insumos orgânicos. Mas ainda há bastante espaço para quem quiser investir, afinal, no país, já é possível encontrar pelo menos 25 variedades de produtos orgânicos, desde café a morango, passando por gado de corte e de leite.

Como a agricultura orgânica dispensa o uso de fertilizantes e defensivos químicos, e no caso da criação animal, feita pelo mesmo princípio, é vetado o uso de herbicidas nos pastos e carrapaticidas, os pesquisadores vêm, há bastante tempo, procurando novas alternativas que sejam ecologicamente corretas. Aliás, o pesquisador nessa área, Hélcio de Abreu Júnior, também produtor no interior paulista (veja quadro), diz que os defensivos orgânicos diminuem os custos de produção, mas não chegam a aumentar a produtividade. “A ação desses produtos evita, na verdade, as perdas. Já a utilização de biofertilizantes, ou seja, a troca do tipo de adubação, faz com que aumente a produtividade”, diz ele.


REPELENTE E OUTROS

O engenheiro agrônomo Sergio Lobo Chaib, especialista em Agricultura Orgânica e em controle alternativo de pragas e membro da Associação de Agricultura Natural de Campinas (SP), vem desenvolvendo vários produtos naturais que estão sendo testados no combate natural de insetos nocivos. Um deles, denominado Repelir, é feito com essências de plantas, extratos e óleos, sendo atóxicos. Seu efeito principal é repelir os insetos, e tem sido observado bons resultados no controle em áreas rurais, com atuação sobre moscas de frutas, cochonilhas, pulgões e lagartas. Até mesmo em áreas urbanas, combate moscas e mosquitos, aranhas, traças e formigas. O produto pode ser aplicado, ainda, em animais domésticos, como cachorros e gatos, aves ou no gado, atuando sobre carrapatos, pulgas, bernes e mosca do chifre.

Outro produto, o Protet Gel, é um gel fitoprotetor com ação hidro-repelente para fungos e insetos. Composto de gel silica e essências de plantas, é atóxico, sem contra-indicações. É resistente à chuva e variações de temperatura. Nas pesquisas realizadas, o agrônomo verificou que pode ser empregado para proteger frutas, como a figueira, contra a mosca do figo, e também aplicado no enxerto e podas de árvores, protegendo as áreas de corte, contra a entrada de patógenos.

O terceiro produto desenvolvido por Chaib é o Entomoadesivo, um adesivo de utilização múltipla, para captura ou repelência de pragas. A sua composição é não tóxica, feita com elementos como polipropileno (plástico), breu e gel sílica, dando total segurança ao agricultor. O produtor poderá colocar faixas ou placas impregnadas com o adesivo, que estará protegendo seu cultivo. Há duas formulações do adesivo: atrativo ou repelente, sendo que o primeiro tem uma mistura atrativa odorífera alimentar e os experimentos mostram que pode ser empregado para diversos insetos. Já o adesivo repelente utiliza mistura com essências de plantas, com alto poder repelente, conferindo maior proteção às plantas, como no caso de formigas. Neste caso, é aplicado o adesivo ao redor do tronco, impedindo o ataque de formigas e outros insetos rasteiros. O produto pode ser utilizado ainda como repelente de pássaros e morcegos, expulsando-os, sem eliminá-los completamente, preservando a cadeia alimentar natural.


Árvore inseticida

O Nim é o nome de uma árvore que vem despertando interesse em todo o mundo, devido às suas propriedades inseticidas, fungicidas e farmacológicas comprovadamente eficazes. Em vários países da América Central, Europa, África e Oceania, o Nim já é o principal aliado do agricultor no manejo das pragas e doenças da lavoura e criações. O plantio de Nim no Brasil está sendo estimulado como uma forma de proporcionar ao agricultor um processo eficiente e não tóxico no controle das criações. O pesquisador Hélcio de Abreu Júnior é o representante da Nim no Brasil. Ele explica que, até janeiro desse ano, as sementes de Nim eram importadas, mas a Nim do Brasil colheu uma safra de sementes de alta qualidade e com alto poder germinativo: acima de 70%, desde que semeadas no prazo de um mês.

Junto com as sementes, os compradores recebem toda a orientação técnica de como obter o maior rendimento e desenvolvimento das mudas e instruções de como realizar o plantio em campo. É uma apostila com 40 páginas, com as informações mais recentes sobre a Nim. O preço das sementes é de R$ 160,00 o quilo, mais os custos de envio. O preço das mudas é de R$ 96,00 a bandeja com 64 mudas (R$ 1,50 cada muda), mas, caso a quantidade comprada seja acima de 1000 unidades, o preço cai para R$ 0,70 a unidade. As mudas em saquinho (40 cm), prontas para plantio, custam R$ 3,00 cada, ou R$ 1,50 acima de 500 unidades.

Fonte: Guia Empreendedor Rural


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