Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 16/01/2004
Autor: Diário do Comércio & Indústria

Taxista de luxo dobram faturamento

Motoristas com fluência em duas ou mais línguas estrangeiras, laptops para o executivo poder trabalhar durante o trajeto e televisão com DVD. Essas são apenas algumas das atrações encontradas nos chamados “táxis de luxo”, um serviço em crescimento na Capital. Estima-se que há 32,8 mil táxis comuns em operação na Grande São Paulo, e apenas 130 carros que trabalham nessa categoria especial.

O número, ainda pequeno, é justificável, já que existem diversos pré-requisitos para aqueles que tiverem interesse nesse segmento. Além dos citados acima, o motorista ainda trabalha com carros luxuosos e anda, preferencialmente, de terno.

O faturamento dos motoristas oscila entre R$ 2 e R$ 4,5 mil, mas pode ir além — quase o dobro do que ganha, por mês, o taxista tradicional. O investimento para entrar no negócio varia de R$ 18,5 a R$ 57 mil, de acordo com o carro escolhido. O investimento, todavia, é válido: para andar em um táxi de luxo, o passageiro paga de 20% a 69% a mais do que pagaria no comum.

Clientes corporativos

Aeroportos e hotéis são os locais que concentram esse tipo de táxi. No hotel Renaissance , por exemplo, há cerca de 21 motoristas disponíveis para os hóspedes, totalizando 80 corridas por dia. “Cerca de 70% dos nossos hóspedes utilizam o serviço, que está em crescimento”, afirma Sérgio Mascarenhas, gerente operacional da Top Shuttle , empresa terceirizada que presta serviços ao hotel há quatro anos.

O faturamento mensal da empresa, com o serviço, é de R$ 108 mil. “Tivemos um crescimento significativo no nosso faturamento em 2003: cerca de 60%”, afirma. Um dos fatores apontados para o crescimento é a segurança que o táxi de luxo oferece. “O hóspede se sente à vontade ao andar com um motorista indicado pelo hotel”, diz.

Para atender às exigências dos clientes, o hotel Renaissance disponibilizou até mesmo carros blindados. “Há uma Grand Caravan blindada que fica freqüentemente no hotel”, diz o gerente. O custo total com o carro totalizou R$ 135 mil.

O público-alvo desse serviço é formado por executivos, principalmente os estrangeiros que chegam ao País a negócios. “São pessoas que não estão preocupadas com o valor que pagarão pelo serviço, e sim com o conforto e a comodidade de andar em um carro de luxo com um motorista que fale sua língua. Somos voltados para o turismo de negócios”, diz Mascarenhas.

Poliglotas

Antônio Feitosa é um dos motoristas de táxi de luxo que fala outra língua. Cinco, na realidade. “Morei durante nove anos na Europa. Falo fluentemente inglês, francês, alemão, italiano e espanhol. Assim fica mais fácil a comunicação com os clientes”.

A idéia de ingressar no negócio surgiu há 12 anos, quando o motorista trabalhava com hotelaria. “Decidi apostar no táxi de luxo, pois tinha facilidade em lidar com estrangeiros”, afirma.

Atualmente, o motorista dirige um Passat com ar-condicionado, e banco de couro. “Investi R$ 30 mil, valor que espero reaver em um ano e meio”, acredita. O faturamento líquido de Feitosa é de R$ 2 mil. Para andar no carro de Feitosa há um custo elevado, que muitos não se importam em pagar. Uma corrida da Alameda Santos, na Bela Vista, até Guarulhos, por exemplo, sai por R$ 110. Num táxi comum, o mesmo percurso sairia por R$ 76. Ou seja, valorização de 69%.

Ian Feighin, que está no negócio há sete anos, também fala cinco idiomas: inglês, francês, italiano, romeno e espanhol.

Atualmente, Feighin dirige um Ômega nacional, no qual fez um investimento de R$ 50 mil, valor que inclui taxas e licenciamentos. Seu faturamento mensal é de R$ 3,5 mil, totalizando 60 corridas por mês.

Entre os fatores que Feighin aponta como vantajoso de ser um motorista de táxi de luxo é a segurança. “Hoje em dia, muitos taxistas sofrem assaltos durante o trabalho. No táxi de luxo temos a vantagem de trabalhar com uma clientela diferenciada e não corremos riscos”, ressalta.

Crescimento

Na opinião do motorista, o negócio está em crescimento. “Tive um incremento de 25% no faturamento em 2003. As perspectivas são positivas”, aposta. José Roberto de Andrade, que está no ramo há quatro anos, também acredita na ampliação do serviço. O motorista ingressou no negócio há quatro anos e hoje dirige uma Splinter de luxo, na qual investiu R$ 57 mil. Seu faturamento é de R$ 4,5 mil bruto. “Faço cerca de 30 corridas por mês e transporto geralmente grupos que viajam a negócios.”

O carro de Andrade é um dos mais equipados. “Ofereço aos clientes o conforto de viajar assistindo televisão ou DVD. Também disponibilizo celular e jornais do dia em meu carro”.

Quem também aposta no crescimento do serviço é Waldemar Nunes, no ramo há nove anos. “De 2002 para 2003 tivemos um crescimento no faturamento de 30%”, comemora. Atualmente, o motorista tem um rendimento de R$ 2,5 mil mensais líquido, valor que deverá compensar o investimento de R$ 50 mil no negócio em cerca de um ano. Nunes também é qualificado. “Trabalho de terno e falo inglês e espanhol”, afirma o motorista.

Já Luis Carlos Pereira da Silva, que está há cerca de um ano no táxi de luxo, é menos otimista. “Dirijo um Omega australiano, no qual investi cerca de R$ 60 mil, mas creio que só terei o retorno em cinco anos”, afirma.

Silva trabalhava anteriormente como taxista comum e resolveu migrar para o luxo pelo salário, que é mais elevado, e também pela segurança por trabalhar com um público seleto. “Anteriormente, ganhava cerca de R$ 1,2 mil. Hoje, trabalhando igual, recebo em torno de R$ 2,5 mil.”


SERVIÇO TEM QUEDA NAS FÉRIAS

O serviço de táxi de luxo tem uma queda brutal durante os meses de férias. “Acredito que teremos um volume 40% inferior de clientes nesse período”, afirma Sérgio Mascarenhas, gerente operacional da Top Shuttle , empresa terceirizada que presta serviços ao hotel Renaissance.

O motivo apontado pelo gerente para a queda é o fato de trabalhar com turismo de negócios. “Há menos executivos em São Paulo durante esse período”, explica.

O motorista José Roberto de Andrade também espera uma queda nos seus negócios durante esses meses. “Acredito que terei uma procura 60% menor do que em outros períodos”, confidencia.

De acordo com o motorista Antônio Feitosa, houve também uma brutal queda no serviço entre 2001 e 2002. “Após os atentados no Estados Unidos, houve uma diminuição de turistas americanos, somente a partir de 2003 é que voltamos com o movimento”, conta.

Fonte: DCI


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