Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 19/01/2004
Autor: Jornal do Commércio

Boas idéias, pouco dinheiro

Abrir um negócio próprio não é exclusividade de quem tem muito a investir. Especialistas em empreendedorismo garantem que boas idéias muitas vezes estão associadas a pouco dinheiro. Para Francisco Barone, coordenador do MBA de Gestão de Pequenos Negócios e Empreendedorismo da FGV-Rio, é possível iniciar o próprio negócio com pouco capital. "É claro que, para isso, o empreendedor deverá elaborar uma ampla pesquisa de mercado para avaliar a viabilidade da atividade. O fundamental é que exista mercado e demanda para o seu produto ou serviço", ressalta.

Embora reconheça que o início é sempre difícil - dados do Sebrae indicam que cerca de 70% das empresas morrem em seu primeiro ano de vida -, Barone afirma que há linhas de crédito disponíveis para empreendedores iniciantes. "Muitos não sabem que é possível conseguir crédito a juros baixos sem grandes garantias", diz.

De acordo com o consultor de franquias e negócios José Schwartz, há diversos casos de pessoas que "saíram do zero" e conseguiram construir um bom negócio. "Isso é possível graças a linhas específicas de crédito. É uma opção para quem pensa em gerar dinheiro indiretamete", explica.

Este ano, o Banco do Brasil está lançando o BB Giro Automático, que apesar do nome, é um programa de crédito voltado para empresas recém-estruturadas ou com faturamento de até R$ 500 mil por ano. O BB Giro Automático junta-se ao BB Giro Rápido, que em outubro passado atingiu a marca de mais de 500 mil pequenas e microempresas atendidas e já disponibilizou cerca de R$ 5,6 bilhões.

Neste programa, pequenos e microempresários podem sacar até R$ 5 mil a juros de 2,25% ao mês, com pagamento em até 12 meses. "O uso do dinheiro é feito nos mesmos moldes de um cartão de crédito", explica José Américo de Almeida, gerente de Mercado e Pessoa Jurídica do Banco do Brasil. Para isso, o empreendedor deve ter registro de pessoa jurídica e sua atividade estar há um mês em funcionamento, mesmo em casa.

- O empreendedor também poderá optar pelo uso do cartão BNDES para realizar investimentos, como compra de microcomputadores, máquinas, entre outros equipamentos - lembra Almeida. Segundo ele, nesse caso há uma anuidade de R$ 60 e a possibilidade de parcelamento em 12 vezes, com juros de 1,53%.

A Caixa Econômica oferece o Proger Pessoa Física e FAT Empreendedor Popular,que financia até 90% do valor do projeto, limitado a R$ 10 mil.

No Proger FAT Empreendedor Popular/Capital de Giro Isolado, o financiamento limita-se a R$ 5 mil, sendo R$ 2 mil na primeira concessão e R$ 3 mil na segunda. O programa vale para quem ainda está iniciando o negócio e o prazo é de até 18 meses, sem carência. Já pelo Giro Caixa, empreendedores têm acesso a empréstimo de no máximo R$ 100 mil, com prazo de crédito de até 24 meses.

Para a estilista Isabela Arruda, proprietária da grife Garota Carioca, o sonho de abrir um negócio próprio surgiu na academia onde costumava malhar. "Eu desenhava e cortava minhas roupas de ginástica, o que foi despertando o interesse das minhas colegas de aula. Sempre me perguntavam onde encontrar aquelas peças", lembra. Daí para um estande na própria academia foi um pulo.

- Com a ajuda do meu marido, montamos um estande na academia. Com o aumento das vendas, contratamos duas funcionárias, que se revezavam - lembra a empresária.

De um estande a vendas no rio e em são paulo
Cerca de R$ 1.500 foram suficientes para comprar cinco cabides de loja, pintá-los e decorar o estande. Com o faturamento nas vendas das peças, ela pagava o aluguel do local, cerca de R$ 2 mil por mês, e o custo da confecção, R$ 4 mil.
A busca pelo sucesso muitas vezes vem acompanhada de uma dose de sacrifício. Ao ter o carro batido, Isabela preferiu pegar o dinheiro do seguro, cerca de R$ 20 mil, e usá-lo para abrir sua primeira loja, na Barra. Hoje, seis anos depois, ela domina o processo de fabricação das roupas. "Vendemos não só na loja e por atacado, como também em 15 academias do Rio e de São Paulo", explica.

Para ela, a trajetória de um microempreendedor não deve ser de soluções mirabolantes. "Tem que dar um passo de cada vez e colocar na cabeça que não é só o dinheiro que está em jogo e sim seu sonho", diz.

Quando da inauguração de sua primeira loja de botões na região da Saara, no Centro do Rio, Marco Antônio de Castro mal podia imaginar que 30 anos mais tarde estaria na direção das lojas Caçula, rede que comercializa mais de 40 mil itens no Rio, Minas Gerais e Espírito Santo.

Com a ajuda do irmão, então funcionário de uma metalúrgica em São Paulo, Castro adquiria os botões de pressão para vendê-los no Rio. "Assim, tinha facilidade para pagar em 30 ou 45 dias, tudo dividido em três parcelas". Segundo ele, com R$ 20 mil foi possível pagar o aluguel da loja e comprar mercadorias.

De acordo com o consultor José Schwartz, disponibilizar o próprio patrimônio como contrapartida para um empréstimo pode ser opção para iniciar um negócio.

- Há bancos que emprestam aceitando como garantia a casa ou o carro - exemplifica. Segundo ele, embora seja uma manobra arriscada, trata-se de uma forma de gerar dinheiro mesmo não tendo o investimento inicial. Outra opção seria a negociação com fornecedores. "Existem fornecedores que oferecem um prazo mais extenso para pagamentos. Embora com risco, não é uma jogada inviável. Aliás, muitos têm interesse em acordos como esse", explica.

Dos botões, Castro passou a vender linha, zipper e elástico. Hoje, a Caçula é um dos maiores distribuidores de aviamentos no Rio, conta com mais de 800 funcionários e tem presença nos segmentos de tecidos, fantasias de Carnaval, artesanato, desenho e pintura, papelaria e informática. "Esse crescimento dependeu de nossa luta. Acho que para entrar nesse ramo, a pessoa tem que demonstrar muita vocação e ter satisfação naquilo que faz", diz.

Demissão levou analista a montar negócio

Muitas vezes a chance de abrir um negócio surge após uma demissão. No final dos anos 90, a analista de Marketing Angela Lima entrou para o programa de demissão voluntária da IBM. Com o dinheiro recebido do PDV, cerca de R$ 80 mil, ela ainda buscou se recolocar no mercado. Em vão. Após diversas tentativas, um colega de trabalho, que acabara de inaugurar uma loja no Leblon, abriu-lhe os olhos para o empreendedorismo.

- Cheguei a freqüentar feiras de franchising para pesquisar uma opção de negócio, mas nada me agradava. Até que me interessei por uma franquia voltada para o tratamento dos pés - conta Angela.

Após cinco anos trabalhando como franqueada, ela decidiu partir para um negócio próprio. "Optei por criar minha própria marca", diz. Hoje, 18 meses depois e à frente da Spaço dos Pés, ela acaba de inaugurar sua segunda loja, em Ipanema. Na outra unidade, na Barra, a Spaço atende cerca de 800 pessoas por mês.

- O empreendedorismo foi o caminho que encontrei para ter meu próprio negócio e gerar dinheiro, pois tenho dois filhos para criar. Se uma pessoa tem a certeza de que será feliz nesse ramo, não vejo por que desistir, embora o ritmo seja bastante pesado no dia-a-dia - diz.

SERVIÇO
Banco do Brasil, 0800-785678
Caixa Econômica, 0800-574-0101
Caçula, 3861-9028
Garota Carioca, 2431-0793
Spaço dos Pés, 2432-8542

Raio x

Burgão Junior
Investimento inicial: R$ 170 mil.
Taxa de franquia: R$ 40 mil
Taxa de royalties: 5% do fat. bruto
Taxa de publicidade: 2% do fat. bruto
Faturamento médio mensal: R$ 45 mil
Margem de lucro sugerida: 15% a 17%
Número de funcionários: não forneceu
Área: 45 metros quadrados.
Risco: médio, devido ao longo retorno de investimento, entre 24 e 36 meses

Dunkin Donuts
Investimento inicial: R$ 40 mil..
Taxa de franquia: R$ 15 mil.
Taxa de royalties: 6%
Taxa de publicidade: 4%
Faturamento médio mensal: R$ 25 mil.
Margem de lucro sugerida: não divulgada.
Número de funcionários: 4
Área: a partir de 20 metros quadrados
Risco: médio, devido ao público restrito

Fran's Café
Investimento inicial: R$ 65 mil.
Taxa de franquia: R$ 38 mil.
Taxa de royalties: 6% sobre faturamento bruto.
Taxa de publicidade: 2% sobre faturamento bruto.
Faturamento médio mensal: R$ 50 mil.
Margem de lucro sugerida: não divulgada.
Número de funcionários: 15
Área: a partir de 50 metros quadrados
Risco:médio, devido à forte concorrência.

Fonte do risco: Haroldo Caser, consultor do Sebrae/RJ Fonte: ABF e empresas

Franquias com formato mais barato

Para quem planeja adquirir uma franquia com ajuda de financiamento, o BB Franquia tem convênio com marcas como DePlá, Empada Praiana, Imaginarium, entre outras. Seu valor de financiamento foi ampliado a R$ 400 mil neste ano. "É ideal para compra de equipamentos, treinamento de funcionários e acesso a consultorias", explica José Américo de Almeida, gerente de Mercado de Pessoa Jurídica do Banco do Brasil.

As garantias para o financiamento podem ser obtidas através de dois fundos: o Funproger, do Governo Federal com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, e o Fampe, Fundo de Aval de Pequenas e Microempresas. Na compra de máquinas, por exemplo, a garantia ao Banco do Brasil é o próprio equipamento adquirido.

O banco oferece prazos de até 60 meses, com carência de um ano e TJLP e juros de 5,33% ao ano. Pelo BB Franquia, o banco empresta até 80% do valor do investimento.

Financiamento junto aos franqueados, conforme explica José Schwartz, consultor de franquias e negócios, é mais complicado. Como o custo do dinheiro no Brasil é muito elevado, muitos franqueadores evitam oferecer facilidades para quem tem pouco capital para investir. Mas existem redes que exigem investimento inicial mais baixo que o mercado, opção para quem deseja entrar no franchising com pouco capital.

A rede Burgão de restaurantes fast food lançou um formato para novos empreendedores, o Burgão Junior, no qual o investimento inicial é de R$ 170 mil, quase a metade do aporte do modelo convencional, que prevê investimento de R$ 330 mil.

Modelo para recém-formados
De acordo com a gerente de franquias da rede, Dayse Botelho, os interessados costumam ter o mesmo perfil. "São pessoas que já se aposentaram ou saíram de grandes empresas por PDV e até por recém-formados", diz. Segundo ela, como muitos não podem se qualificar para gerenciar restaurantes maiores, o Burgão Junior aparece como opção de franquia.

Enquanto o modelo tradicional do Burgão conta com uma área mínima de 180 metros quadrados, onde são servidos 25 pratos rápidos e 19 sanduíches, a pequena loja pode ser montada em um espaço de 45 metros quadrados, com oito pratos e 12 sanduíches, além da sorveteria.

A próxima franquia no modelo restaurante será inaugurada em Botafogo, em março. Há interesse em expandir a rede pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro, além de Minas Gerais, Brasília, Goiás, Rio Grande do Sul e alguns estados do Nordeste.

Segundo o consultor de franquias José Schwartz, há diversas opções de franquia cujo investimento inicial varia de R$ 50 mil a R$ 150 mil. "Geralmente, são franquias nos moldes de um quiosque, com um espaço não muito grande e poucos funcionários", exemplifica.

Na lista figuram quiosques como o Mr. Pretzels, que exige capital inicial de R$ 55 mil mais taxa de franquia de R$ 28 mil, Fran's Café e Dunkin Donuts, que pedem investimentos de R$ 65 mil mais taxa de franquia de R$ 38 mil e R$ 40 mil mais R$ 15,5 mil, respectivamente.

Fonte: Jornal do Commércio


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