Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 17/05/2004
Autor: Jornal do Commércio

Fabricação ecológica de tijolos

A preocupação com o meio ambiente atingiu também o setor da construção civil. Tijolos fabricados sem passarem pelo forno - e, portanto, gerarem fumaça - vêm roubando a cena na construção de casas. Para entrar no ramo, o investimento inicial para duas máquinas e cimento gira em torno de R$ 11 mil. O empresário terá ainda que locar ou comprar área de 250 metros quadrados.

Os tijolos são fabricados de forma manual e a matéria-prima básica é o barro e cimento. "Não precisam ser queimados em forno, logo não proporcionam agressão ao ecossistema e, por isso, são conhecidos como ecológicos", explica Carlos Prata, representante da Sahara, fabricante de máquinas para tijolos e solo-cimento.

Segundo o empresário, a aquisição da máquina que molda e prensa o tijolo fica em torno de R$ 4.440 a R$ 8 mil, e o misturador, responsável pela homogeneização da massa, entre R$ 3 mil e R$ 3.700. É preciso estar atento ao percentual de areia e argila do solo. O ideal é que ele seja 70% arenoso e 30% argiloso, dizem os fabricantes. Tendo essas características, o solo é misturado com cimento, na proporção de sete para um, e recebe 5% de água.

- Após a mistura, a massa é colocada na máquina prensadora e o resultado é um tijolo maciço ou com dois furos internos - diz Prata. Entretanto, é preciso que o novo empresário respeite as normas técnicas exigidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que determina o mínimo de resistência de 17 quilos por centímetro quadrado do tijolo.

Como a máquina que prensa os tijolos é manual, é necessário uma equipe de duas ou três pessoas para operá-la. Há 18 anos trabalhando com fabricação de tijolos ecológicos em Nova Friburgo, José Luiz Manhães, proprietário da Tijolos Beninho Ltda, ressalta a dificuldade para produzir esse tipo de tijolo nas capitais.

- O principal problema é ficar longe da matéria-prima, o que gera custos elevados com frete - explica Manhães, que tem acompanhamento técnico do professor Francisco José Casanova, da Coppe/UFRJ. O empresário destaca ainda a importância do processo de cura dos tijolos para a determinação de sua resistência. "É fundamental manter os tijolos úmidos durante sete dias e deixá-los secar. Só assim atingem o grau de resistência", explica.

O milheiro do tijolo ecológico custa entre R$ 340 a R$ 550. Para construir uma casa de 180 metros quadrados são necessários 20 mil tijolos, o que representaria um faturamento entre R$ 6.800 e R$ 11 mil para o fabricante, com margem de lucro que varia entre 20% e 25%.

Desde 2000 no mercado, Sérgio Araújo, proprietário da Sara Tijolos Ecológicos, em São Paulo, diz que a produção é voltada para o consumidor final. "Vendemos para o dono da obra. Por isso é preciso estar atento a demanda para saber controlar bem a produção", aconselha. Segundo Araújo, cada máquina tem capacidade para produzir cerca de 1.800 tijolos por dia.

Quando começou, o empresário tinha apenas quatro máquinas. Em quatro anos, a Sara Tijolos triplicou esse número. "Apesar do crescimento, os tijolos ecológicos poderiam ser mais divulgados, principalmente por arquitetos e construtores", comenta, destacando a necessidade de cuidado com a manutenção das máquinas.

Cada equipamento, segundo Araújo, tem vida útil suficiente para produzir cerca de 250 mil tijolos. "Depois, começam a apresentar sinais de desgaste", avalia. Outro ponto de atenção é a sazonalidade do negócio. Na época de chuva as obras diminuem. Entretanto, não é aconselhável parar a produção.

- Quem já começou a construir não vai parar, mesmo com as chuvas. E quando acabar o período chuvoso, a demanda aumentará - explica. Para reduzir os custos no período de pouca procura, Araújo desliga algumas máquinas e dispensa funcionários. "Procuro manter a produção para não perder clientes na estação seca", comenta.

Embora a resistência dos consumidores ainda seja grande, os fabricantes acreditam no crescimento do mercado, o que depende de propaganda e incentivo do Governo. "Como o produto ainda está sendo introduzido, a qualidade deve ser impecável. Nunca prometo um grande entrega, se tiver que diminuir o nível de qualidade", comenta Manhães.

Credibilidade é fundamental para conquistar os consumidores. "O boca-a-boca é a nossa melhor propaganda. Não podemos errar", afirma Araújo. Segundo os fabricantes, uma das grandes vantagens do tijolo ecológico é a redução do custo final da obra e a agilidade.

- São tijolos mais fáceis de encaixar e não precisam da argamassa de assentamento. São encaixados ou assentados com um leve filete de solo-cimento - explica Carlos Prata, lembrando que a economia pode chegar a 40% do custo total da obra.

Para a consultora do Sebrae/RJ, Maria Garcia, é preciso adotar uma estratégia de marketing atuante em cima do produto. "As pessoas desconfiam do que é novo. É preciso explicar e comprovar a funcionalidade do tijolo ecológico. Depois que elas entenderem que pagarão mais caro pelo tijolo, mas terão benefícios superiores ao custo no final da obra, a confiança é conquistada", explica Maria.

RAIO X

FÁBRICA DE TIJOLOS ECOLÓGICOS

Investimento inicial: R$ 11 mil para aquisição de duas máquinas e cimento (excluindo o ponto)

Faturamento: o milheiro custa entre R$ 340 é R$ 550.

Margem de lucro sugerida: 20% a 25%

Número de funcionários: 8 Área: 250 metros quadrados

Risco: médio a alto pela resistência dos consumidores a novos produtos e necessidade de investimento em propaganda.


SERVIÇO

Sara Tijolos, 0xx-11-6541-8942

Carlos Prata Comércio de Máquinas, 0xx-61-386-7565

Tijolos Beninho Ltda, 0xx-22-2542-4116

Fonte: Jornal do Commércio


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