Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 29/08/2005
Autor: Jornal do Commércio

Caminho aberto para exportar

Produção de bijuterias, desenvolvimento de softwares e moda praia estão em alta lá fora

Cada vez mais, pequenas empresas do Estado têm buscado oportunidades de negócios no exterior, apesar do câmbio menos favorável e da burocracia. Para negócios e serviços de alto valor agregado (forte da cadeia produtiva do Estado), como produção de bijuterias, desenvolvimento de software, confecções de moda praia e íntima, além da produção de geléias e de rochas ornamentais, a informação de mercado vale ouro. Por isso, para vencer obstáculos como a valorização do Real, empresas desses segmentos apostam na formação de consórcios, na participação em rodadas de negócios e feiras internacionais e na organização de missões comerciais. É possível investir nesses ramos com capital que vai de R$ 10 mil a R$ 200 mil.

Para pequenas empresas, a união faz a força na hora de exportar. Organizados em associações, consórcios ou Arranjos Produtivos Locais (APLs), empresários buscam apoio de entidades privadas e governamentais para ter informação sobre a aceitação de seus produtos e serviços no mercado externo e como trabalhar suas marcas. No Estado, o Centro Internacional de Negócios (CIN), parceria do Sebrae/RJ com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), está entre as entidades mais atuantes.

No início do mês, a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha assinou convênio com o Sebrae/RJ para divulgar demandas de compradores alemães na Bolsa de Negócios da entidade cadastro virtual para divulgar oportunidades de negócios. Além da Semana do Rio de Janeiro na França, em junho passado, o CIN planeja mais duas missões neste ano, para a Índia e para a China. "Neste mês, também recebemos missões da Austrália e da China", diz Marco Hupe, diretor adjunto do CIN.

Empresários buscam essas oportunidades, pois a informação de mercado é fundamental para exportar. No caso de produtos com valor agregado, saber em que países está a demanda, encontrar parceiros comerciais e conhecer canais de entrada é mais importante do que variações no câmbio. Quando a exportação vira rotina, dá mais segurança à empresa, melhora a imagem e permite seu crescimento. "Exportar é bom para todos", diz Fernando Ribeiro, economista da Fundação Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

Entidades empresariais também fomentam oportunidades. Reunido no início do mês na 31a edição da Bijóias, o setor de bijuterias está se organizando para exportar, com o projeto Bijóias Brazil Export, elaborado pela Masi e Associados, organizadora do evento, e pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). Ainda este ano, o projeto levará 11 empresas de bijuteria para feiras na França e na Espanha.

A carioca Santa Vaidade, há cinco anos no mercado, é uma das que vai ao evento francês. "O Brasil está na moda, nosso produto tem aceitação, e o mercado externo é uma oportunidade quase inexplorada, com menos concorrência", define Sérgio Wajros, sócio da empresa. "No ramo de moda, o preço não é tão atrelado a variações cambiais, pois mexe com o desejo do consumidor", completa, calculando em R$ 50 mil o investimento para entrar no segmento de bijuterias com uma pequena produção.

Para começar, é importante ter estoque de materiais para pelo menos três meses. Segundo o empresário, a gestão profissional também é diferencial, diante da sazonalidade das vendas. O acesso ao mercado externo, aliás, é boa forma de diminuir seu impacto. Já a psiquiatra Paula Estima, da Sem Griffe Acessórios, confirmou sua vocação para investir na produção de bijuterias diante da aceitação do mercado externo.

Dá um reconhecimento maior à marca no mercado interno garante Paula, que também fornece para lojas do Rio e está há dois anos no mercado. A empresa exporta para a França rotineiramente. "Contratei uma empresa especializada em comércio exterior", diz Paula, apontando o caminho para quem não quer enfrentar a burocracia. Wajros, da Santa Vaidade, usa o Exporta Fácil, dos Correios, para fugir da burocracia. "Nossos pedidos têm sido inferiores a US$ 10 mil, o que facilita o envio, pelos Correios ou por courrier", diz. A participação em feiras é fundamental para buscar informações sobre os mercados externos e conhecer parceiros. Assim, a empresa encontrou representantes para países como Itália, Alemanha e França.

A informação de mercado foi fundamental para trazer à Mr. Paul, fabricante de geléias de Petrópolis, uma oportunidade de negócio no exterior. Através de um contato comercial, Daniel Alves Barboza, proprietário da empresa, conheceu um potencial representante para o mercado do Oriente Médio, que o informou da alta demanda de países como Arábia Saudita por geleias de menta. O produto é um dos desenvolvidos pela empresa em seus 26 de mercado.

Hoje, a exportação é uma novidade para a empresa, mas é uma oportunidade interessante. É o reconhecimento de nossa qualidade em outros países aposta Barboza. Para ele, a adequação dos produtos a regras de qualidade e produção do exterior pode trazer mais diferenciais à marca, presente principalmente em delicatessens e supermercados chiques das capitais do País. Barboza calcula em R$ 200 mil o capital necessário para entrar no ramo, com estrutura semi-industrial.

Além das exportações, a própria demanda do mercado interno torna o investimento atrativo. "O consumidor está em busca de produtos artesanais, com qualidade diferenciada", diz Barboza, cuja produção é semi-artesanal. Em junho, a empresa participou de missão empresarial organizada pelo CIN durante o Ano do Brasil na França. "Os contatos estão surtindo efeito neste mês."

A participação em missões empresariais e rodadas de negócios, na avaliação de Francisco Barone, da Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ), é a forma de encontrar canais de exportação. "O canal de acesso ao mercado externo é um dos fatores mais importantes do processo."

Desenvolvimento de software tem bom mercado

Um dos participantes da Semana do Rio de Janeiro na França, em junho, foi o setor de desenvolvimento de softwares que tem um pólo em Petrópolis, o Petrópolis-Tecnópolis. Outra iniciativa foi a criação, há um ano, da Associação de Empresas de Alta Tecnologia para Exportação de Software (Altex), que reúne 11 empresas. A participação de feiras e rodadas de negócios internacionais está entre suas principais iniciativas.

Queremos buscar apoio em entidades como a Apex Brasil, que só se relaciona com associações diz Claudio Seixas, diretor de parcerias e exportação da WebSoftware, uma das participantes da Altex. Desde 2000, a empresa manda seus sistemas de gestão com clientes para o exterior através da internacionalização de programas em multinacionais. "Agora, preparamos a internacionalização da empresa."

A WebSoftware surgiu da separação da divisão de software da Sinco, fabricante de computadores criada por Seixas em 1982. O empresário ressalta a presença de pequenas empresas nesse segmento, principalmente devido aos baixos valores investidos para começar a desenvolver. "Com algo entre R$ 5 mil e R$ 10 mil dá para começar desenvolvendo softwares em casa", diz Seixas. Mas o valor não garante a profissionalização. "Ao assinar um primeiro contrato de projeto, a empresa tem que investir ao longo do tempo e em treinamento", diz Seixas. O investimento em um projeto pode chegar a R$ 250 mil. "Grande parte da receita vem do serviço de suporte", informa o empresário, completando que encontrar parceiro capaz de oferecer suporte no mercado externo é o principal.

Consórcios e APLs agilizam o processo

Iniciativas como a formação de consórcios empresariais para exportação ou para a participação em feiras e rodadas de negócios no exterior também têm sido freqüentes. Experiências bem sucedidas, com os APLs de Nova Friburgo (moda íntima) e Santo Antônio de Pádua (rochas ornamentais) inspiram outros empresários no Estado e mostram a importância da postura pró-ativa dos empreendedores. "Quem vende é o empresário, que precisa se preparar para chegar ao mercado externo", diz Marco Hupe, do CIN. A organização em grupos, segundo Fernando Ribeiro, da Funcex, é importante para diluir custos. "Mas o pequeno empresário tem que perder o medo de apostar nesse caminho", avalia o economista.

Em Cabo Frio, o pólo de moda praia se organiza para exportar para evitar a concentração das vendas no Verão. Criado há três anos, o Consórcio Pau Brasil reúne hoje sete empresas locais. Ielra Viter, sócia da Enseada da Praia, integrante do consórcio, adianta que o próximo passo é participar de uma feira local. O evento será entre 28 de setembro e 2 de outubro. "Além de diminuir a sazonalidade, a exportação valoriza a marca no mercado interno", afirma Ielra, cuja empresa exporta 35% da produção. Outra vantagem do consórcio, garante Ielra, é a participação em eventos, cujo custo pode ser rateado entres os participantes. "A consolidação no exterior vem depois de dois ou três anos de trabalho", garante Ielra.

Em Santo Antônio de Pádua, Noroeste do Estado, as exportações aquecem a extração e lapidação de pedras ornamentais. O APL reúne 117 pedreiras e 99 serrarias. Reunidas no consórcio Pedra Pádua Brasil, cerca de 20 empresas rateiam pedidos maiores e participam de feiras em conjunto. "Exportar é uma oportunidade que garante rentabilidade quando o setor nacional da construção civil está em baixa", diz Carlos Assef Nacif, assessor da área comercial do consórcio. Para Nacif, ainda há espaço para novas empresas de beneficiamento no pólo, que passa por processo de profissionalização e regulamentação ambiental.

No APL de moda íntima de Nova Friburgo, o próximo passo do Conselho da Moda (que reúne órgãos governamentais e empresariais na governança do APL) é uma missão no Chile, em novembro. Cerca de 15 empresas devem participar, segundo Claudio Tângari, presidente do conselho. Há apenas três meses no mercado, a Canela, uma das pequenas empresas localizadas no APL, já exporta regularmente para México e Canadá. "Apesar da variação do câmbio, o preço final vendido lá fora é maior do que no mercado interno", diz Augusto Medeiros, proprietário da empresa, cuja meta é exportar 50% da produção.

Raio X

Investimento inicial: de R$ 5 mil a R$10 mil

Faturamento médio mensal e margem de lucro: não divulga

Número de funcionários: 4

Área: 30 metros quadrados

Risco: baixo, pois o investimento é pequeno no início

Confecção de moda praia

Investimento inicial: R$ 20 mil (sem o ponto comercial)

Faturamento médio mensal e margem de lucro: não divulga

Número de funcionários: 4

Área: 30 metros quadrados

Risco: baixo, pois o produto tem aceitação no exterior e o design brasileiro está valorizado

Serraria de pedras ornamentais

Investimento inicial: de R$ 25 mil a R$ 100 mil

Faturamento médio mensal: R$ 15 mil a R$ 20 mil

Funcionários: 7

Área: 1 mil metros quadrados

Risco: baixo, pois o beneficiamento das pedras dá valor agregado

Produção de bijuterias

Investimento inicial: R$ 50 mil (com estoque de produção para três meses)

Faturamento médio mensal: não divulga

Margem de lucro: 25%

Número de funcionários: 7

Área: 120 metros quadrados

Risco: baixo, pois o design brasileiro está valorizado

Confecção de moda íntima

Investimento inicial: R$ 70 mil a R$150 mil

Retorno: de um ano e meio a dois anos

Faturamento médio mensal: R$ 40 mil

Margem de lucro: 15% a 25%

Número de funcionários: 8 a 10

Área: 150 metros quadrados

Risco: baixo, pois o investimento não é intensivo

Produção de geléias

Investimento inicial: R$ 200 mil

Faturamento médio mensal e margem de lucro: não divulga

Número de funcionários: 5

Área: 400 metros quadrados

Risco: médio, pois o investimento é grande, embora seja possível começar com menos

Fonte do risco: Francisco Barone, coordenador do Programa de Estudos Avançados em Pequenos Negócios, Empreendedorismo e Microfinanças (Small) da Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ)

Serviço

CIN, 2563-4224

Sebrae, 0800-78-2020 ou www.sebraerj.com.br

Small/FGV, 2559-5444

Canela, 0xx-22-2526-4375

Enseada da Praia, 0xx-22-2644-4092 ou www.enseadadapraia.com.br

Mr. Paul Geléias, 0xx-24-2246-3741

Pedra Pádua Brasil, 0xx-22-3851 3727 ou www.pedradepadua.com.br

Santa Vaidade, 2522-4327 ou www.santavaidade.com.br

WebSoftware, 2532-1783 ou www.webasoftware.com.br


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Fonte: Jornal do Comércio

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