Alta do preço de insumos coloca em crise setor pecuário
Com valores elevados em grãos que representam 70% dos custos da indústria pecuária, o consumidor sente no bolso o impacto no preço da carne.
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Ir para Meu EspaçoCom valores elevados em grãos que representam 70% dos custos da indústria pecuária, o consumidor sente no bolso o impacto no preço da carne.
A indústria da proteína animal está vivendo uma crise sem precedentes em razão do encarecimento dos preços dos grãos – insumos que representam 70% dos custos do setor. De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o milho e a soja, considerados insumos básicos, subiram mais de 100% e 60% respectivamente, o que aperta margens e traz problemas financeiros para as empresas. No caso do milho, há um agravante, com a quebra de safra pela seca no Brasil impulsionando as cotações.
No final de maio, representantes da indústria de carne suína e de frango divulgaram manifesto indicando que novos aumentos de preços desses produtos devem atingir os consumidores brasileiros devido ao repasse de custos com matérias-primas.
Saiba mais conferindo o artigo completo, com informações sobre:
Santa Catarina em alerta
Impacto no consumo de carne
O que tem sido feito no estado
Alternativas para o produtor
A indústria da proteína animal está vivendo uma crise sem precedentes em razão do encarecimento dos preços dos grãos – insumos que representam 70% dos custos do setor.
No final de maio, representantes da indústria de carne suína e de frango divulgaram manifesto indicando que novos aumentos de preços desses produtos devem atingir os consumidores brasileiros devido ao repasse de custos com matérias-primas.
De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o milho e a soja, considerados insumos básicos, subiram mais de 100% e 60% respectivamente, o que aperta margens e traz problemas financeiros para as empresas. No caso do milho, há um agravante, com a quebra de safra pela seca no Brasil impulsionando as cotações.
SANTA CATARINA EM ALERTA
Em Santa Catarina, um alerta foi feito por todas as entidades de representação do segmento. Em documento distribuído no dia 24/06, a Associação Catarinense de Avicultura (Acav), a Associação e o Sindicato da Indústria de Carne e Derivados no Estado de SC (Aincadesc e o Sindicarne) fizeram uma exposição sobre a preocupante situação provocada pela escassez de grãos e seu encarecimento.
Em 12 meses, conforme o monitoramento feito pelo Índice de Custos de Produção (ICP) da Embrapa Suínos e Aves em abril, produzir frango está 39,7% mais caro em relação ao mesmo mês do ano passado – já em um momento de forte alta de custos.
O mesmo ocorre com o setor de suínos, com alta de 44,5%. O ICP é um índice médio – o preço do milho atualmente é o dobro em relação ao ano anterior, que já acumulava altas em relação a 2019. Outros custos impactam o setor: aumento do diesel (+30%), embalagem de papelão (+60%), embalagens rígidas e flexíveis (+ 80%), entre outros.
A preocupação é que os impactos desse quadro alcançarão também o mercado consumidor em um momento crítico para o país, com a perda de renda das famílias, em função da pandemia. Isso já pode ser percebido nas gôndolas, segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE: no caso da carne de frango, a alta é de 15%; para a carne de suínos, a alta já supera 20%.
IMPACTO NO CONSUMO DE CARNE
O preço das carnes continua subindo e pesando no bolso dos brasileiros. Em 12 meses, a alta acumulada já chega a 38% no país, segundo dados do IPCA, divulgados pelo IBGE.
A disparada nos preços das carnes somada à perda de renda dos brasileiros por causa da pandemia de Covid-19 fizeram com que o consumo desses alimentos no país caísse ao menor patamar em 25 anos, de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento): agora, cada brasileiro consome, em média, 26,4 quilos de carne ao ano, queda de quase 14% em relação a 2019 — quando ainda não havia crise sanitária. Esse é o menor nível desde 1996, início da série histórica da Conab.
O QUE TEM SIDO FEITO NO ESTADO
Para evitar que o quadro se agrave ainda mais, as representações setoriais solicitaram ao governo medidas para que o setor de proteína animal do Brasil tenha igualdade de competição pelos insumos em relação ao mercado internacional, evitando a desindustrialização e a perda de postos de trabalhos, especialmente em cidades no interior. Ao mesmo tempo, as representações buscam a redução da desigualdade de condições que existem entre importar e exportar os grãos, pois atualmente é muito mais fácil embarcar grãos para o exterior do que importar.
Os representantes do setor encaminharam uma lista de medidas, como a viabilização emergencial das importações de milho e de soja estritamente para uso em ração animal. Outra providência pedida é a suspensão temporária de cobrança de PIS e COFINS sobre os fretes realizados no mercado interno. As entidades também sugerem a criação de um sistema oficial de informação antecipada sobre exportações futuras de grãos, assim como ocorre em outros países, para dar mais transparência ao mercado de insumos, evitando situações especulativas como a atual.
ALTERNATIVAS PARA O PRODUTOR
Nesse contexto, os produtores devem trabalhar para redução dos custos da alimentação, utilizando ingredientes alternativos – mas precisam se preocupar com a qualidade e o valor nutricional desses alimentos. Ao pensar no uso de insumos alternativos, os produtores devem levar em conta a disponibilidade em sua região e avaliar os custos para introdução nas dietas.
Entre as alternativas viáveis está o sorgo (Sorghum bicolor L.), um cereal que pode substituir o milho em associação com enzimas e aminoácidos. Da mesma forma, existem diversas outras soluções nutricionais que podem ser usadas, reduzindo o volume de grãos necessários e com valor energético equivalente.
Outra ferramenta ao alcance de avicultores e suinocultores é a análise instantânea de matérias-primas e rações, que podem ser realizadas através do NIR (Espectrômetro de Infravermelho Próximo) ou pelo equipamento portátil NOA (NutriOpt on-Site Adviser). Esses aparelhos determinam a composição e qualidade das matérias-primas e rações com precisão e rapidez, permitindo ajustes nas formulações e otimização dos resultados econômicos e produtivos.
Texto adaptado das fontes: Cleyton Vilarino. Integrados da BRF decidem parar alojamentos em MT. Globo Rural. 08/06/2021. Crise dos insumos ameaça indústria de proteína animal. Revista Amanhã. 24/05/2021. Laura Nortão. Alta dos grãos leva avicultores e suinocultores a buscar alternativas para reduzir custo de produção. Estratégia requer cuidado. O Nortão. 09/06/2021. Preço das carnes acumula alta de 38% em 12 meses; em Rio Branco sobe 59%. UOL. 09/06/2021.