Os benefícios da cooperação entre empresas
Especialista destaca que cooperar com a concorrência traz benefícios para o seu negócio
Está quase na hora!
Ir para Meu EspaçoEspecialista destaca que cooperar com a concorrência traz benefícios para o seu negócio
Em busca de soluções para problemas ou de melhorias para o desenvolvimento de um negócio, pessoas e empresas recorrem à cooperação, isto é, um comportamento, uma atitude, e não um modelo de negócio.
A cooperação entre empresas não acontece de uma hora para outra, mas inicia-se como uma colaboração, e, à medida que as organizações se dedicam e passam a compartilhar um desejo mútuo pela continuidade de ações, adentram a cultura de cooperação.
E para falar sobre os benefícios da cooperação entre empresas, convidamos o administrador e consultor do Sebrae/SC, Mário Augusto São Thiago.
Confira os assuntos abordados neste episódio do podcast Fala, Especialista!:
Escute também o podcast com mais exemplos inspiradores de cooperação entre empresas!
Em busca de soluções para problemas ou de melhorias para o desenvolvimento de um negócio, pessoas e empresas recorrem à cooperação, isto é, um comportamento, uma atitude, e não um modelo de negócio. A cooperação não acontece de uma hora para outra, mas inicia-se como uma colaboração, e, à medida que as pessoas se dedicam e passam a compartilhar um desejo mútuo pela continuidade de ações, adentram a cultura de cooperação.
Para quem é MEI, micro e pequena empresa, por exemplo, muitas vezes, há mais obstáculos para atender a uma demanda. Mas quando essas empresas se juntam, ficam mais fortes e conseguem estabelecer um relacionamento com o mercado e atingir metas e objetivos.
“É impossível uma pessoa transformar uma legislação, mas um grupo em número expressivo de pessoas pode, sim, justificar uma alteração de uma legislação de modo que beneficie toda uma cadeia de produção ou setor”, explica o administrador e consultor do Sebrae/SC Mário Augusto São Thiago, que completa, “as grandes empresas têm soluções dentro de casa muito mais acessíveis, pelo volume de recursos, nível de tecnologia e abrangência de mercado nos lugares onde estão estabelecidas; elas também conseguem legislações específicas para determinadas finalidades. Já as micro e pequenas empresas não, elas precisam se juntar, criar volume, pois representam mais de 90% dos negócios do país e mais de 50% dos empregos gerados”.
No caso do MEI, que é um autônomo formalizado, a cooperação abre caminhos, oferece mais formalidade e acesso aos mais diversos setores.
O Sebrae exerce um trabalho chamado cultura de cooperação, em que se usa uma régua de maturidade para medir a construção de um relacionamento de cooperação entre as pessoas. Há cinco passos, e o primeiro é a convivência entre as pessoas. “Empresas não convivem, mas as pessoas convivem, porque são as pessoas que fazem as empresas. Convivendo, elas se conhecem e têm a oportunidade de confiar umas nas outras”, explica Mário.
E é a partir da confiança que a colaboração vai se transformar em cooperação. Segundo Mário, “quando as pessoas começam a confiar umas nas outras, elas passam a compartilhar informações, ferramentas e sentimentos. E quando isso se torna mais pleno, elas atingem o nível de maturidade para cooperar”. Resumindo, os cinco níveis de maturidade são: 1) as pessoas precisam conviver; 2) as pessoas precisam se conhecer; 3) as pessoas precisam ter confiança; 4) as pessoas começam a compartilhar tempo, experiências e informações; 5) “A plenitude disso mesmo é quando já entra no modo automático. É a cooperação”, completa o especialista.
Santa Catarina é referência quando o assunto é cooperação. Em todas as regiões do estado existem empresas e pessoas que colaboram nos mais diversos setores, desde a indústria moveleira até a produção de carne de frango. Outros exemplos são as cooperativas de crédito, o programa de agricultura familiar e as universidades de engenharia, como o polo metalmecânico da região de Joinville. Um dos fatores que colaboram para que essa cultura de cooperação seja tão marcante no estado é a história de colonização, que reúne uma diversidade de culturas e hábitos entre pessoas que precisaram colaborar, cooperar e confiar umas nas outras para construir suas vidas em novas terras.
“O sistema da cooperação é apaixonante. Em Santa Catarina temos muito essa cultura. Não existe cooperação de empresas, existe cooperação de pessoas. As pessoas têm empresas ou negócios, ou não”, afirma Mário, que complementa que essa relação muitas vezes não é duradoura. “Não há nenhum mal em ser algo pontual quando as expectativas estão alinhadas, não tem problema. O problema é gerar uma expectativa errada, porque isso fere a confiança, e quando fere a confiança, é onde está o ponto mais vulnerável da cooperação. As pessoas precisam confiar umas nas outras e isso não acontece de uma hora para outra, é uma construção. Precisamos confiar para poder avançar”, diz.
Para Mário, o empreendedor precisa entender que seus concorrentes não são seus inimigos. A competição pode ser saudável, mas, em muitos momentos, é importante colaborar. “São formas diferentes de se comportar. O concorrente, às vezes, pode ser o seu melhor amigo. Ele pode ter o mesmo problema, a mesma necessidade e a mesma dificuldade em acessar a solução que você”, conclui, sugerindo que juntar forças pode ser, sim, uma boa ideia.
No meio empresarial, muitos empresários passam ou irão encarar os mesmos desafios e nada melhor que compartilhar angústias e caminhos para encontrar soluções e também dividir sua experiência com outros. Essa é a essência do Programa Empreender: estimular e facilitar o trabalho colaborativo por meio dos Núcleos Empresariais para encontrar soluções e benefícios comuns.
Empresários locais se reúnem num ambiente favorável ao crescimento, troca de ideias, facilitação de compras em grupo e discussão dos desafios e necessidades de seu setor para buscar soluções em conjunto.
O objetivo deste ecossistema é contribuir para a quebra do isolamento da micro e pequena empresa, desenvolvendo negócios através de iniciativas empreendedoras. O Programa Empreender acontece em toda Santa Catarina, operacionalizado pelas Associações Empresariais do Sistema FACISC com apoio do Sebrae.
O que reflete com fidelidade o espírito do Programa é a forma de associativismo que ele propõe. Por ela, ninguém é obrigado a participar de um núcleo setorial. O convencimento vem da nova visão de parceria, na qual o concorrente, longe de ser um competidor, é um cooperador de seu concorrente. E ainda com um diferencial: todos ganham.
No podcast, Mário Augusto dá mais exemplos inspiradores de cooperação entre empresas que poderiam concorrer, mas optaram por fortalecer o setor e ser um polo de referência. Fala sobre trabalhos e programas do Sebrae que auxilia as empresas e os empreendedores e faz observações sobre a cooperação entre as mulheres empreendedoras, que cada vez mais têm ocupado espaço no mercado, reunindo-se e discutindo suas necessidades, metas e propósitos com propriedade. Ouça agora!