Finanças em tempo de pandemia
Patrício Francisco da Silva, consultor de finanças e planejamento empresarial, fala sobre o que os empreendedores podem fazer diante da crise da covid-19.
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A crise gerada pela covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, está impactando as finanças de empresas de todos os portes. Micro e pequenos negócios, porém, estão sentindo ainda mais os efeitos da recessão. O cenário tem levado empreendedores a buscar alternativas para enfrentar o período, entre as quais estão uma maior organização financeira, a tomada de crédito e a postergação do pagamento de dívidas e de obrigações trabalhistas, como o terço de férias dos colaboradores.
Mas, diante de um cenário de incertezas sobre o tamanho e a duração da crise, quais as melhores opções para evitar as perdas financeiras? O SIS conversou com o consultor de finanças e planejamento empresarial credenciado ao Sebrae, Patrício Francisco da Silva, sobre as medidas mais importantes a serem tomadas no momento.
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A crise gerada pela covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, está impactando as finanças de empresas de todos os portes. Micro e pequenos negócios, porém, estão sentindo ainda mais os efeitos da recessão. O cenário tem levado empreendedores a buscar alternativas para enfrentar o período, entre as quais estão uma maior organização financeira, a tomada de crédito e a postergação do pagamento de dívidas e de obrigações trabalhistas, como o terço de férias dos colaboradores.
Mas, diante de um cenário de incertezas sobre o tamanho e a duração da crise, quais as melhores opções para evitar as perdas financeiras? Para o consultor de finanças e planejamento empresarial credenciado ao Sebrae, Patrício Francisco da Silva, o mais importante é que sejam tomadas ações concretas para o controle de caixa. Os empresários podem começar pelo levantamento da liquidez da empresa, ou seja, a capacidade de manter o pagamento de dívidas, seguida de um levantamento do fluxo de caixa futuro. “Já conte com uma possíveis inadimplências, pois num período como esse é comum a inadimplência aumentar”, explica o consultor e empresário.
Nesse sentido, o monitoramento dos recebimentos e pagamentos no atual cenário exige muita atenção para que os empreendedores não percam o controle das contas por pelo menos três meses, período em que a crise pode se acirrar. Durante esse tempo, um controle rígido do fluxo de caixa ajudará a evitar perdas quando a covid-19 passar, especialmente para empresas que estão com as contas em dia. Para aquelas que estão com o fluxo de caixa negativo, é importante estar alerta e agir. “Nesse caso, chame os credores para negociar possíveis prorrogações, parcelamentos de alguns compromissos e abra imediatamente negociações com fornecedores de recursos financeiros”, afirma Patrício.
Venda de ativos para manter o capital de giro
Frente à falta de faturamento causada pela paralisação ou redução das operações na sua empresa, o ideal é que sua empresa utilize as reservas para manter a disponibilidade de recursos para o capital de giro. Entretanto, muitos negócios não possuem economias suficientes para garantir a manutenção da empresa por três meses e, assim, recorrem ao crédito.
Antes de buscar empréstimos para o capital de giro, é preferível contar com o próprio patrimônio do que com novas dívidas que comprometam as operações no futuro próximo. “Se possível, não utilize capital de terceiros para reforçar seu caixa. Se você tem um ativo, venda. Seja imóvel, carro, máquinas”, diz o consultor de finanças. “Mas, se não tiver outra opção e realmente tiver que captar, fique muito atento ao que se oferece, pois crédito para capital de giro sempre é mais caro. Além de olhar a taxa de juros, verifique as despesas acessórias. Olhe todos os custos da operação de crédito”, acrescenta Patrício.
A importância de cortar custos fixos
Para manter o caixa em dia sem depender do crédito, as empresas também devem reavaliar seus custos e despesas, buscando adequações à realidade imposta não apenas durante, mas após a crise novo coronavírus. Diversos negócios terão que se reinventar, e cortar os custos fixos é uma das primeiras etapas dessa mudança. Desse modo, é importante fazer um levantamento de todos os custos que não têm relação direta com a qualidade do seu produto ou serviço. E isso não significa, necessariamente, mexer na folha de pagamento.
“Por exemplo, troque de ponto e vá para um aluguel mais barato, negocie com prestador de serviço que tenha honorários mais baratos, economize energia, telefone, e evite mexer nas pessoas”, afirma Patrício. Nesse contexto, trocar a loja alugada pela garagem de casa é uma opção que deve ser considerada, clique aqui e saiba mais sobre essa tendência. O consultor financeiro complementa que quando a crise passar, é importante contar com o apoio de mão de obra capacitada, que conheça o seu negócio e ajude a manter o padrão de qualidade.
Se as demissões forem inevitáveis para baixar custos por conta da crise, tenha em mente algum tipo de negociação para que os seus melhores colaboradores voltem à sua empresa após a recessão. “Diga que você poderá voltar a contratá-lo, estimule-o a abrir um negócio para que em caso de terceirização, você possa contar com ele. O importante é eliminar despesas fixas para poder motivar as despesas variáveis”, afirma o especialista.
Cuidados com o crédito e postergações de dívidas
Diante da pandemia, o Banco Central aumentou a disponibilidade de recursos para o crédito, a exemplo da linha especial de empréstimos voltada à folha de pagamento. Para facilitar esse processo, as instituições financeiras reduziram a exigência de garantias para os financiamentos e Microempreendedores Individuais (MEIs), micro e pequenas empresas têm condições especiais para acessar o crédito.
As empresas que optarem pelos empréstimos, devem ficar atentas ao impacto financeiro nos próximos meses. Passada a carência para o pagamento – que em algumas modalidades chega a 18 meses – essa conta virá e terá que ser incorporada pelo caixa da empresa. Assim, desde o momento da assinatura do contrato, é preciso organizar o caixa para o início do pagamento das parcelas.
A mesma lógica é válida para a postergação de dívidas e de obrigações trabalhistas. “Essas medidas são ótimas, mas uma hora vai vir. O x da questão é saber cuidar do caixa e do fluxo. Se vou postergar o pagamento de férias e 13º, já faço a previsão para pagamento em dezembro”, orienta o entrevistado.
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