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04 jul. 2022

Gestão financeira: As 5 dúvidas mais comuns do MEI

Estar formalizado na condição de Microempreendedor Individual (MEI), mesmo tendo o benefício de um regime fiscal e tributário diferenciados, não elimina a necessidade da gestão financeira do negócio.

Em razão disso, é importante adquirir novos conhecimentos e eliminar eventuais dúvidas que possam atrapalhar ou desestimular o controle das finanças. O descontrole financeiro coloca o MEI numa espiral de perda de oportunidades associada a maior dificuldade ou impossibilidade de projeção de metas e objetivos financeiros, inclusive estratégicos, para seu negócio.

A ausência desses controles coloca o MEI em riscos desnecessários, tais como a criação de dívidas com fornecedores (contas a pagar), clientes (contas a receber), instituições financeiras (empréstimos/financiamentos), etc.

Acompanhe nosso artigo e obtenha conhecimento sobre cinco das principais dúvidas dos MEIs em relação a gestão financeira.

1. Por onde começo a gestão financeira do meu negócio?

A gestão financeira é um processo que deve iniciar antes da formalização da empresa. O MEI deve avaliar e planejar, previamente, quais recursos serão necessários para colocar o negócio em funcionamento.

Se o empreendedor não possuir os conhecimentos necessários para realizar esse planejamento financeiro, poderá buscar apoio junto a instituições e profissionais qualificados para lhe auxiliar. Esses processos de aprendizado e planejamento com certeza farão a diferença quando o negócio estiver formalizado e no mercado.

Uma vez estabelecida a empresa, a gestão financeira deve ser encarada como uma rotina, algo construído diariamente. Sugerimos a adoção de uma planilha para realização do controle das entradas e saídas, bem como a constante atualização da ferramenta. Recomendamos que os dados sejam atualizados todos os dias.

Numa proposta ainda mais profissional e tecnológica, tornando o processo de gestão financeira ainda mais eficiente, o MEI poderá optar pela utilização de ferramentas online.

Apresentamos ideias e propostas que podem ser utilizadas de forma prática, com o objetivo de ter as finanças do seu negócio nas palmas das suas mãos, literalmente. Basta escolher a ferramenta que mais se adapta à sua necessidade.

2. Preciso ter uma conta bancária Pessoa Jurídica?

Esta é uma dúvida muito comum e esclarecemos que as receitas e despesas do MEI não precisam ocorrer por meio de movimentações bancárias. No entanto, uma boa gestão começa pela separação do patrimônio pessoal do patrimônio empresarial.

Muitos empreendedores optam por não abrir uma conta para o negócio e acabam usando as contas bancárias da pessoa física. Ou seja, misturam as receitas/despesas da pessoa jurídica com as receitas (salários, aluguéis e dividendos, por exemplo) e despesas (cartão de crédito, escola, mercado, etc) da pessoa física.

A mistura das finanças pessoais e empresariais complica o gerenciamento de ambas, dificultando a identificação sobre as entradas/saídas do caixa da empresa e sobre a saúde financeira do empreendimento.

Além de afetar, por exemplo, o controle do fluxo de caixa empresarial/pessoal, porque os números não refletirão o real quadro de ambas finanças, cria-se um grande desafio de organização, concepção de estratégias e criação de planejamentos.

Por isso, é importante que o MEI abra uma conta bancária especifica, que será usada para centralizar toda a movimentação financeira do negócio. Dessa forma, fica mais fácil identificar as receitas, controlar de modo mais assertivo o pagamento das despesas e verificar o resultado do negócio (lucro ou prejuízo).

3. Como a gestão financeira influencia nas obrigações que tenho como MEI?

Todos os anos, até o dia 31 de maio, o MEI precisa apresentar a DASN – SIMEI (Declaração Anual do Simples Nacional do MEI) à Receita Federal. Por meio dessa declaração, informa-se o faturamento total do MEI durante o ano anterior.

Para declarar corretamente as informações de faturamento, é importante possuir controles financeiros, realizar gestão financeira. Caso não realize esses controles, o MEI terá dificuldades para cumprir essa obrigação legal.

Preencher o relatório mensal de receitas brutas ajuda nesta tarefa e o SEBRAE/SC disponibiliza um planner, que é uma ferramenta exclusiva para lhe auxiliar. Seguindo uma rotina diária na gestão financeira, o MEI terá os dados sempre à mão.

Além disso, caso o MEI possua um empregado, gerir adequadamente as finanças do negócio é ainda mais relevante. Nesta situação, controlar os recursos financeiros melhora a administração do pagamento do salário e dos encargos sociais, bem como o cumprimento das demais obrigações trabalhistas.

Com a gestão financeira do negócio organizada, o MEI poderá fazer todas as provisões e planejamentos com antecedência, garantindo o cumprimento de todas as obrigações acessórias, fiscais/tributárias, trabalhistas.

ATENÇÃO!

Excepcionalmente, em 2022, a Receita Federal estendeu o prazo para entrega da DASN-SIMEI para até 30 de junho de 2022.

4. Devo definir um valor para retirada mensal?

No item 2, explicamos sobre a importância de manter as finanças pessoais separadas das finanças empresariais. Assim, da mesma forma, definir um salário mensal para o empreendedor faz a diferença na gestão do negócio.

Normalmente, os empreendedores pensam o seguinte: “O negócio é apenas meu, estou sozinho. Não tenho sócio e nem empregado. Logo, descontando todas as despesas, o que sobrar é meu”.

Apesar de ser um caminho, aparentemente, mais fácil, pensar e agir dessa forma impedem a manutenção sustentável do empreendimento. O não estabelecimento de um limite de retirada financeira (salário) mensal é um impeditivo para a formalização de um planejamento financeiro.

Nesta situação, perde-se a oportunidade de se constituir uma reserva financeira para emergências e de reunir os recursos necessários para investimentos com foco no crescimento do negócio.

Mas como definir o valor do salário/retirada mensal? Bom, essa definição passa, necessariamente, por uma verificação das despesas pessoais do MEI. Depois, confere-se o fluxo de caixa do negócio para verificar se é possível fazer a retirada.

Quais prejuízos posso ter caso não controle as finanças do negócio?

Nossa experiência mostra que muitos empreendedores decidem fazer um gerenciamento financeiro somente após enfrentarem uma crise de caixa. Por isso insistimos tanto na importância de manter uma boa gestão financeira, com o uso de estratégias, ferramentas e planejamentos, inclusive antes do início das atividades do negócio.

O uso de ferramentas para a gestão financeira, desde o início, permite uma melhor gestão do negócio como um todo. Ao agir dessa forma, o empreendedor previne-se, por exemplo, de eventuais sustos no caixa da empresa, podendo realizar um planejamento mais adequado.

Eventualmente, empreendedores precisam recorrer a empréstimos para fazer frente a compromissos assumidos. Se não há essa previsão, a tendência é de que o empreendedor perca melhores oportunidades, tendo que arcar com os custos de empréstimos/financiamentos menos vantajosos.

E esse caminho nem sempre é o mais recomendável, especialmente se o objetivo é cobrir furos no capital de giro. Às vezes acontece, inclusive, de o empreendedor tomar um empréstimo mesmo sem necessidade.

A falta de controle faz o dinheiro “desaparecer” mais rapidamente. O MEI não conhece, exatamente, a disponibilidade de caixa e nem tem projeção de fluxo de caixa para os meses seguintes, permitindo que muito dinheiro seja empregado em despesas que não trazem retorno para o negócio.

Por tudo isso, com a gestão financeira controlada e devidamente planejada, o MEI pode evitar dívidas. E sabendo exatamente quanto fatura e quanto gasta, pode até planejar empréstimos que são necessários de fato, com vistas ao crescimento do negócio

IMPORTANTE!

Em caso de dúvidas, procure um profissional habilitado para lhe auxiliar: Contador, Consultor, Agências do SEBRAE, Salas do Empreendedor e/ou demais Canais de Atendimento do SEBRAE (0800 570 0800). As consultorias do SEBRAE/SC também podem te ajudar com essas e outras dúvidas. Veja como solicitar!

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